Sony Alpha (ILCE) 6000 – ensaio

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Já se percebeu que a Sony olha para o mercado da fotografia e vídeo com uma vitalidade fora do comum. Talvez não seja alheio o facto de terem colocado um ponto final em sub-marcas como o Vaio, que me deixam uma grande saudade (tive uns três ou quatro e a minha cara metade funciona com o dela ao fim de três anos sem qualquer problema, embora as más línguas tenham destruído a griffe), em que sabemos que os Xperia, por melhores que sejam, não conseguem ultrapassar o marketing de pura guerrilha da Samsung, ou mesmo os televisores, do melhor que há, poderem também desaparecer porque não conseguem preços tão baixos quanto os sul-coreanos quase equivalentes. E, sinceramente, tenho pena. Gosto da Sony, é mesmo uma das marcas do meu coração, pois acompanhou-me ao longo da existência com o Walkman, o DAT, o MiniDisc, o Betamax, todos produtos melhores que qualquer concorrência mas sem a força mercantilista necessária para sobreviverem aos constantes ataques. E, mesmo hoje, a Sony continua a inovar com o High Resolution Audio (ouvir para crer), com um único tablet que bate qualquer concorrente (mas que não está na moda) e com soluções tão engenhosas quanto a miniaturização do Xperia Z2 (e 3) nos compactos sem qualquer hipótese de equivalência no mercado. E sim, lembro-me do Aybo…

Tudo isto para mostrar que não é por acaso que a marca aponta quase todas as armas para o segmento imagético. Os estudos são fáceis de adivinhar e as conclusões também: o vídeo e a fotografia estão em franco crescimento com a realidade da existência social, o formato TV vai mudar-se de armas e bagagens para canais de produção própria e doméstica, o Youtube e o Vimeo não param de crescer (para além de todos os outros), e muitos etc e tal. Está bem de ver, é o mercado do presente e, principalmente, do futuro próximo.

E chego finalmente ao início deste ensaio à substituta da muito notável Sony NEX-6 (ler ensaio aqui) que tanto me entusiasmou e que se tornou numa das minhas favoritas de sempre (há que contar sempre com a GX7 da Panasonic, muito semelhante em muitos campos).

Um ano volvido, mudança de noção mercantilista, e toca a substituir a sub-marca (mais uma) NEX pela já mais difundida e aceite ALPHA. E, admito, é uma boa brand. Tão boa que a Samsung já baptizou o seu novo iPhone killer como Alpha. Depois de terem dado a nomenclatura NEXT às suas câmaras. Too much? Eu acho.

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A Alpha 6000

Eis-nos chegados à substituta da excelente Nex-6. Fisicamente, não difere muito da antecessora e mantem aquilo que tanto gosto: um fabuloso visor electrónico incorporado. É quase tudo o que peço para ser um fotógrafo feliz. Ou videasta. Sim, a 6000 é tão boa a fotografar quanto a filmar. Mas já lá vamos.

O sensor tem uns valentes 24MP e incorpora a mais recente tecnologia do processador Bionz X. Mas a diferença/melhoramento mais notório é a capacidade em captar 11 fotogramas por segundo com autofocus e autoexposição contínuos, uma dádiva para quem gosta de captar os momentos mais desportivos e rápidos. Reparem que estamos a testar uma câmara pequena, mesmo com sistema de lentes intermutáveis, que ultrapassa em poder de processamento muitos dos monstros sagrados com o triplo do peso e dimensão. É obra notável. Principalmente se levarmos também em conta os astronómicos valores ISO que agora estão na moda, os “famosos” 12800, mas que na 6000 são dobrados. Exacto, o valor máximo é 25600. Mas, na realidade, é que mesmo com valores altos, a 6000 apresenta bons contrastes e elementos mais focados do que o esperado, mesmo quando ampliamos os rebordos do objecto captado.

O sensor de detecção de fase trabalha 92% da totalidade do enquadramento a captar. Muito espaço, muita velocidade o que, naturalmente, eleva a precisão da focagem de tudo o que se passa à frente do conjunto de lentes. Podemos e devemos utilizar o tracking AF, que no caso da Sony se designa por Lock-On AutoFocus e que se auto-explica. Conseguimos ver a “perseguição” desde que o motivo esteja sempre enquadrado. Fiz isso várias vezes com ciclistas que quase me atiraram ao chão enquanto tentava tirar uns bonecos para a eternidade. Posso fazer queixa com fotografias de rosto tão precisas que quase que captaram as gotas de suor. Ok, estou a exagerar.

Estranhamente, este sistema não funciona tão bem em modo vídeo, e a 6000 perdeu por vezes o sujeito, demorando alguns milésimos de segundo a recuperar a forma. Em termos técnicos é apenas fantástico, mas não deixa de estragar um one-shot que deveria ser perfeito. Por outro lado, também posso ter sido eu que não tenha seguido os parâmetros rigorosos necessários.

A questão da rapidez de focagem, de gravação dos dados e da sua reprodução, tem de ser medida tendo em conta o aumento de 16 para 23MP entre as duas câmaras e o prazo de um único ano. E se, pelo que me lembro, toda a operação da nova 6000 é em tudo similar (em termos de velocidade) à nex-6, isso só demonstra um real melhoramento das características e capacidades tecnológicas.

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O corpo

Existe uma determinação das marcas em conseguir traduzir toda a potência de processamento imagético das tradicionais dSLR (que não diferem muito das anteriores analógicas) em corpos mais pequenos e leves. Esta explosão recente das mirrorless em ambas as linguagens técnicas, tem oferecido ao mercado uma atitude diferente em como se entende todo o processo mecânico de se fotografar. O espelho foi posto de lado e com ele toda uma panóplia técnica de pequenas peças e mecanismos.

Quando se apresenta uma câmara de lentes amovíveis já com um cardápio técnico e um “parque” de objectivas que podem rivalizar com as “big brother”, é caso para nos fazer parar e pensar.

A Alpha 6000 tem um corpo muito em estudado e equilibrado. Ao contrário da Canon EOS100 que tentou uma espécie de miniaturização da sua gama standard, é fácil manobrar a 6000, navegar pelos comandos físicos, mudar os parâmetros. Tudo está bem encaixado neste pequeno corpo. Mas temos de também ter capacidade para entender que muitos dos botões têm dupla função, personalizada ou não, o que pode complicar o mais amador. Aliás, a 6000 não é uma câmara para um iniciado, mas sim para um entusiasta. Podemos inclusive programar o jog dial (a roda de operação), para além do comando Função, também programável, e de atalho para as funções que mais utilizamos. Tudo é simples, directo, objectivo e não precisamos de um super manual de instruções para percebermos o que podemos fazer. Atenção, na caixa vem um pequeno plástico que se monta no viewfinder e que ajuda a tapar a luz ou os reflexos quando o olhamos. Uma peça pequena mas, em dias de sol, muito útil.

Quem leu o ensaio sobre a Nex-6, encontra na 6000 muitas semelhanças na colocação e utilização das várias funções. Pouco ou nada mudou, para além de um menu um pouco diferente e mais simplificado.

Bom é o indicador Zebra que nos mostra directamente o que está em foco ou não, um tremendo auxiliar para conseguir um resultado excelso.

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Os extras

A sapata inteligente já tem um bom número de acessórios compatíveis, do qual destaco o microfone externo.

Ligação Wi-Fi e NFC permitem o controlo por smartphone e um determinado número de novas funções. É também através da net, que podemos fazer o download e instalação de alguns filtros criativos como adquirir os mais recentes. Mas todo este sistema podia ser mais simplificado se não obrigasse à criação (ou utilização) de uma conta no Sony Entertainment Network. Torna tudo mais chato e complicado.

O mundo das aplicações não para de crescer, mas isso também implica o gastar de mais euros em mais e novas ferramentas, algumas que não valem a pena. Afinal, estamos a falar de uma câmara fotográfica que também filma muito bem e não de um smartphone que tenta compensar a fraca qualidade imagética com truques e filtros.

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A conclusão

Se gostava da Nex-6, como poderia não apreciar ainda mais a sua sucessora? A Alpha-6000 manteve o que estava bem e melhorou muitas áreas. As mais notadas são, logicamente, o dobro da resolução em megapixels e os 11 fps. Mas a rapidez da focagem em modo “perseguição” espanta pela precisão. Estamos a falar de uma unidade que permite usar muitas objectivas o que alarga, e de maneira, a sua funcionalidade. E, por isso, as dimensões do corpo, mínimas tendo em conta o ecrã rotativo e a inclusão do viewfinder, fazem com que a ILCE-6000, nome técnico, se mantenha no topo da sua classe.

Só tenho um reparo “violento”: o ecrã deveria ser táctil e não percebo porque o não é.

 

PVP: a partir de 649,00 € (corpo)

 

Especificações
  • Sensor CMOS Exmor® APS HD de 24,3 MP com motor BIONZ X™

  • Autofocus híbrido rápido (deteção de fases e contraste)

  • Sistema versátil de lentes amovíveis de montagem tipo E

  • Controlo manual total para fotografia criativa

  • Partilha e controlo simples com Wi-Fi e NFC com um só toque

Compatibilidade de lentes
Lentes de montagem tipo E da Sony
Tipo de sensor
Sensor CMOS “Exmor®” APS HD tipo APS-C (23,5 x 15,6 mm)
Píxeis efetivos
Aprox. 24,3 megapíxeis
Sensibilidade ISO
Fotografias: Equivalente a ISO 100-25 600 (incrementos de 1/3 EV), AUTO (ISO 100-25 600, limite inferior e limite superior selecionáveis) Filmes: Equivalente a ISO 100-12 800 (incrementos de 1/3 EV) / AUTO (equivalente a ISO 100-12 800, limite inferior e limite superior selecionáveis)
Tipo de visor eletrónico
Visor eletrónico (a cores) de 1,0 cm (tipo 0.39)
Duração bateria (CIPA, fotografias)
Aprox. 310 imagens (visor eletrónico) / aprox. 360 imagens (monitor LCD)
Tipo de ecrã
TFT amplo com 7,5 cm (tipo 3,0