Não tem panela a vapor, frigideira, panela de pressão, forno ou mesmo um fogão? Este Redmond pode ser a solução.

Red

Em época dominada por Bimbys e similares ou semelhantes, é difícil tentar explicar o conceito – a quem já se deixou seduzir por um robot culinário – do prazer que é continuar a usar tachos e panelas na confecção das refeições. Em casa do Xá, curiosamente, não existe um robot (a não ser o que aspira o chão) mas em contrapartida, cozinha-se em panelas que têm preço de robot e que fazem tudo, mas mesmo tudo, muito bem. Mas confesso, como ser digital que sou, que precisava de tirar dúvidas em relação à utilização deste admirado utensílio. A oportunidade chegou com o Redmond M4502E, um Multi-Pro Multi-Cook com capacidade de 5 litros e cuja potência é de 860 Watt.

Tirar o Redmond da embalagem é, logo em si, um exercício interessante: dentro da tina, o elemento fulcral do conjunto, vinha acondicionado um conjunto de acessórios, desde o cabo de alimentação, a duas colheres de plástico, escorredor de fritos, peças para o manter numa posição elevada, um copo medidor, uma base para cozidos ao vapor, livros técnicos e um muito especial de receitas. É através deste que ficamos a saber que podemos cozinhar quase tudo, desde sopas a guisados, bolos a pão, massas e arroz, fritos a fondues, iogurtes a gelados, eu sei lá. O livro é grosso, tem cerca de 100 receitas em sete idiomas. O português, felizmente, fica no canto superior direito de cada página ímpar o que, confesso, dá muito jeito.

REDMOND RMC-M4502E _16

E como funciona este robot, um mundo novo para quem nunca mexeu numa coisa do género? O livro de instruções ajuda a descodificar os botões do painel principal que emoldura um ecrã informativo. Existem 34 programas, 16 automáticos e 18 em que podemos alterar manualmente o tempo de cozedura, a temperatura e essas coisas. Confesso que o processo não é imediato e está longe de ser fácil, o que me remeteu para a leitura do manual de instruções, algo que muito raramente faço. As opções dos botões não são tão lineares e imediatas e obrigam a uma certa aprendizagem. Nada que não me demovesse da inauguração depois de ter gritado “querida, hoje faço o jantar!”. Não podia, de forma alguma, falhar este meu intento, principalmente contra a vontade de uma cozinheira tradicional que não acredita em ajudantes robotizados.

O Redmond M4502 é compacto, tem até uma pega para se transportar facilmente de um lado para o outro, é mais leve do que sugere e, pelo que diz o fabricante,  “substituí a panela a vapor, frigideira, panela de pressão, forno e até mesmo o fogão”. Ok, vamos ver se é verdade: escolhi fazer cubos de peru com natas e cogumelos, acompanhado de arroz branco. Comecei logo a ficar aflito quando percebi que não podia fazer tudo ao mesmo tempo. Mau, então tenho de fazer primeiro o arroz e depois a proteína? “Ah pois é!”, ouvi um grito lá de cima de uma cara metade já a começar a “gozar o prato”. Ok, arregacei as mangas, e lá misturei a água e o arroz. A coisa ficou feita mas, confesso e devido a não ter seguido à risca o que vinha no papel, o dito ficou um bocado empapado. Segui para os cubos de peru a que juntei as natas e os cogumelos. Comecei a ficar um pouco perplexo com este passo… tudo junto, natas logo de início? Bom, vem no papel, logo foi experimentado e confirmado por alguém. Mas ninguém me disse que não deveria ter posto tanto sal… Pior, ninguém me ensinou que deveria abrir a tampa e misturar os ingredientes de quando em vez. Lá está, um fulano não nasce ensinado. O resultado acabou por ficar abaixo das expectativas: parte do peru ficou queimado, pois agarrou ligeiramente à base, e o conjunto ficou demasiado apurado.  A cara-metade riu-se com cara de vingança conquistada e um sabor de vitória. Contudo, não desisti!

RM

A segunda e a terceira experiência teve um propósito: seguir tudo à risca, ponto por ponto, grama a grama, programa a programa. E os manjares aconteceram: uma feijoada à maneira, bem apetitosa (arroz feito pela cara metade e à parte), uns legumes a vapor que ficaram “al dente”, bifinhos com cogumelos, massa com almôndegas… enfim, só não tive tempo para experimentar o peixe e os fritos, pois na verdade também não passo assim tanto tempo na cozinha e o tempo de análise foi curto para conseguir realizar 100 diferentes propostas. Mas fui percebendo as manhas do conjunto de controles e já mudava o programa com mais à vontade, abria e fechava a tampa para dar uma vigorosa mexidela (cuidado ao abrir por causa do vapor que queima e muito) e aprendi a confiar no temporizador.

Há coisas fascinantes nesta maquineta: a primeira é, sem sombra de dúvidas, o silêncio de operação. Das primeiras vezes, até encostei o ouvido e a mão ao Redmond para tentar perceber se estava a funcionar ou se me tinha esquecido de qualquer passo final. É realmente fantástico. A complexa abertura no topo deixa sair o vapor da cozedura, portanto, podemos até colocar o Redmond por baixo da chaminé ou à beira de uma janela aberta. Outra vantagem é a função que mantém o manjar aquecido pelo tempo que for necessário, o que dá liberdade para fazermos coisas à parte, conversarmos com a família ou convivas, etc. Muito bom.

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Por último, a limpeza. A tina metálica não deixa nenhum pedaço ou ingrediente ficar agarrado. Uma simples passagem por água quente com um pano não abrasivo, tira a gordura e os restos. Depois, o mesmo ou outro pano com água quente serve para limpar o interior e a tampa. Já está! Esta é uma das maiores vantagens deste gadget, pois também poupamos tempo e dinheiro neste passo final antes de arrumar o robot para uma próxima vez. Percebi-lhe vantagens, principalmente para quem tem uma cozinha pequena ou não tenha paciência para andar, literalmente, à volta dos tachos. É perfeito, por exemplo, para estudantes que mudam da casa dos pais para um pequeno quarto universitário. É um, como dizem, tudo-em-um que necessita de atenção aos pormenores e de algum tempo de aprendizagem.

O preço é também bastante justo para um ajudante de cozinha.

PVP promocional  99 € /  PVP mercado 129 €

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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