Panasonic LX100

Há dois anos e meio, a Panasonic lançou uma compacta de prestígio que fez correr muita tinta. A LX7 (ensaio aqui) foi atrevida e apresentou-se com características invulgares num corpo bem pensado e muito atraente. Substitui-la não deve ter sido uma tarefa fácil, mas a Lumix LX100 está aí para superar a premiada antecessora… e muita concorrência. Será que consegue passar a ser a numero uno?

Já é dado adquirido que a aposta nos formatos sem espelho (mirrorless) é prova mais que ganha. Tanto a Sony, com o seu sistema exclusivo, quanto a armada micro 4/3 (Panasonic, Olympus, etc.) conseguiram algo de impressionante em muito pouco tempo: chegar, ver e acontecer (a ver vamos se vencem esta dura batalha) em vários segmentos de mercado que agora oferecem ao fotógrafo a possibilidade de decidir por uma excelente câmara, com ou sem objectivas intermutáveis, a um preço bem mais convidativo que as concorrentes DSLR, num corpo geralmente mais compacto e leve.

A Sony foi mais longe e elevou a fasquia de um segmento reinventado, o das compactas de prestígio, com a poderosa RX100 (ensaio aqui) que já vai na terceira geração. Foi um golpe duro para a concorrência que foi ultrapassada sem apelo nem agravo, mas que está a conseguir chegar a esse patamar com mais ou menos dificuldade. A LX100 faz parte deste “pacote” de adversárias directas e é uma câmara notável, rivalizando taco a taco com a impressionante RX100III, conseguindo até superá-la em determinados campos.

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A LX100 está equipada com um novo processador Venus Engine, um sensor MOS Micro 4/3” (1,33”) com uma objectiva Leica DC Vario-Summilux F1.7-2.8 24-75 mm. Através do anel, podemos optar pela utilização manual, como a focagem, extremamente precisa e minuciosa. Aliás, esta compacta é apontada para um utilizador semi-profissional que prefira controlar os parâmetros de acordo com as suas reais (ou pessoais) necessidades: o corpo possui roldanas directas para a abertura, compensação da exposição e velocidade de obturação. A objectiva, para além do anel, permite, através de uma patilha, escolher mais rapidamente o formato (4:3, 3:2 ou 16:9) e o anel exterior possibilita a alteração da abertura de uma forma muito directa.

Este processador quad-core é necessário para uma das grandes vantagens desta Lumix: a possibilidade de gravação vídeo 4K. Também inclui sistemas de redução de ruído que ajudam em muito a obtenção de tão extraordinários resultados, como fui percebendo ao longo do ensaio: processo Múltiplo NR, filtro Random e filtro de abertura.

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Uma outra característica que a coloca na prateleira das desejáveis, é o visor electrónico LVF com 2.764K. Muito luminoso e realista, é perfeito para os enquadramentos sob intensa luz solar ou para takes intimistas. Adoro câmaras compactas com visor!

A Panasonic deu especial importância ao sistema de focagem da LX100, equipando-a com algumas novidades: detecção de área com 49 zonas, Full automatic e um especialíssimo AF Low Light que, tal como a descrição deixa adivinhar, está preparado para situações fracamente iluminadas, com resultados fantásticos ao lusco fusco. Com a escuridão nocturna, eleva-se o grão, mas o resultado entusiasma, sabendo que, em pós-produção, podemos dar uns toques para compensar pequenas distorções. Tenho pena que este ecrã não seja táctil, principalmente para escolher com um só toque o objecto a ser focado, nem entendo muito bem porque deixou a marca esta boa característica de fora. Dir-me-ão os mais Pros “ah, isso é para quem não sabe mexer nos botões e nos menus”, mas dá um jeitão e está cada vez mais presente em topos de gama.

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A Panasonic investe há muito no processamento Ful Auto e optar pela função “iA” pode ser a solução para tirar retratos de forma ultra rápida, pois a focagem é quase automática assim como as compensações de exposição, balanço de brancos, cor, modo, etc.. A LX100 é, por isto, também perfeita para todos quantos querem investir em algo muito bom para ir aprendendo, com tempo, todas as faculdades técnicas.

Se a qualidade imagética da fotografias apresenta resultados espectaculares, com cores majestosas e brilhantes, o que dizer da capacidade de filmagem a 4K de forma contínua nas gravações a 3840 x 2160 25/30 fps em formato MP4 e/ou Full HD 1.920 x 1080 50p/60p em AVCHD progressivo (MPEG-4/H.264)? Bom, felizmente tinha em meu poder um TV 4K para poder perceber as vantagens desta imensa qualidade, que consegui obter mesmo com um cartão de memória de nível 10 somente específico para Full HD. Através de um botão directo, é possível iniciar a gravação vídeo enquanto se tira fotografias. E cá entre nós, é apenas fabuloso conseguirmos esta qualidade de vídeo numa unidade tão compacta e com tantas características e capacidades de controlo manual, mesmo que não seja, neste campo, tão “videasta” quanto a Lumix GH4.

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O formato do corpo da LX100 é uma vantagem em relação à rival da Sony. É um tanto maior e tem um punho que garante mais equilíbrio com grip que funciona muito bem. Ao contrário da RX100, que me esforço para conseguir manobrar devido ao seu compacto tamanho, é-me mais natural trabalhar com a Lumix. Este equilíbrio é tanto ou mais importante para conseguir filmar planos ou panorâmicas sem grandes tremeliques, muito embora o sistema de correcção digital esteja lá para ajudar (e muito). Mas é perfeito para conseguir espremer os 12 fps (Jpeg) para mais de 50 fotos ou 9,3 fps (Jpeg + Raw) para um máximo de 20 fotos, operação conseguida sem saltos de enquadramento.

Os menus são fáceis de entender, o que é bom, tendo em vista que o ecrã não é táctil. Outras “modernices” são o Wi-Fi integrado com NFC. Como ligações, HDMI e USB servem o propósito. Também é através deles que chegamos à opção dos modos criativos, cujos resultados podemos ver directamente no ecrã. Não existe uma entrada directa para um microfone e ficamos dependentes de uma unidade externa compatível com a sapata.

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A Lumix LX100 é uma câmara fantástica. Não consegue ser tão compacta quanto a rival da Sony (que tem um EVF embutido dentro do corpo, uma espécie de magia tecnológica de miniaturização), o que é o que se pretende de uma unidade do género, mas aqueles centímetros a mais tornam-na mais confortável de usar. Tem quase tudo o que se precisa para ser a nossa parceira do dia a dia. Mas a falta de um ecrã táctil, tão usual na Panasonic, é um ponto menos bom. E o preço elevado, se bem que justificado, assusta.

PVP: 799€

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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