Gosto francamente do Leaf, do conceito e comportamento, do equilíbrio e segurança, do equipamento e conforto. Gosto que seja diferente e que me leve de A a B sem expelir um denso fumo negro que habitualmente sai de um diesel. Gosto do silêncio, é um automóvel que transmite paz e, sendo assim, faz com que sejamos mais pacíficos ao volante.

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A grande crítica que faço aos veículos eléctricos é comum: não chegam muito longe. Percebi isso aquando as primeiras experiências com o Nissan Leaf e Renault Zoe com baterias de 24kWh, ensaios que podem ler aqui e aqui respectivamente, e por vezes andei mesmo com o credo na boca, à procura de uma “bomba” livre num raio próximo.

Existe um outro problema mais grave que a capacidade da bateria: a dupla falta de respeito dos concidadãos. Se por um lado estacionam veículos poluidores nos lugares específicos para o carregamento eléctrico, por outro, são alguns dos utilizadores deste tipo de veículos modernos e verdes que os deixam ligados pela mangueira durante todo o santo dia. E isso, meus amigos, aborrece-me duplamente. Ou seja, mais uma vez se prova que o dinheiro, ou o querer ser moderno, não é sinónimo de boa educação.

Adiante, pois tinha mesmo de desabafar este drama. A Nissan passou-me o novo Leaf com a mais recente bateria, desta feita com 30kWh que, teoricamente, garante 250 km de autonomia. Já tinha vivido a aventura de conseguir levá-lo de Lisboa a Montejunto, com uma tempestade de nevoeiro sebastianista a meio e regresso ao ponto de partida com o mesmo “depósito”. A verdade é que ninguém ficou pelo caminho e, mesmo com contratempos, a maior parte dos jornalistas convidados ainda chegou ao destino com alguma percentagem de bateria e umas dezenas de km para realizar. Com esta certeza, levantei-o para uma experiência mais longa e compenetrada.

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Primeiro teste: “vamos lá ver até onde chegamos às voltinhas em Lisboa”

O Nissan Leaf é grande e pesado, o que também lhe garante aquele tipo de comportamento agarrado à estrada. Também é muito confortável, um verdadeiro sofá sobre rodas, o que aliado à caixa automática e à quase total ausência de ruído e vibrações, empresta uma calma estranha durante qualquer deslocação. Tudo é feito sem esforço, de forma quase natural, dá mesmo prazer guiá-lo numa cidade com o trânsito cada vez mais cortado, mais caótico, mais limitado por vontades camarárias. Lisboa é mesmo um verdadeiro teste para qualquer carro, quanto mais um eléctrico, pois as subidas, os pára arranca, as filas, tiram a calma a qualquer um e o “sumo” a qualquer depósito ou… bateria. Por tudo isto, é muito difícil conseguir chegar aos valores oficiais, mas existe uma grande diferença com o acrescento de algumas dezenas de km que podem, realmente, fazer a diferença.

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Vou até dar um exemplo que traduz um dia complicado: saí de Lisboa oriental com 70% de capacidade, fui mesmo muito depressa (sem o botão ECO pressionado) a Loures e regressei às avenidas largas de Lisboa, onde perdi algum tempo para encontrar estacionamento, saí desvairado para outra reunião e ainda tive de ir a um jantar a Algés. Cheguei a casa já de madrugada e com alguma bateria que poderia dar, no dia seguinte, para ir até à próxima unidade de carregamento (felizmente que tenho uma à porta de casa).

Este dia não é o típico de quem escolhe um eléctrico, mas dá uma ideia do que este Leaf 30kWh consegue fazer. Portanto, se já era o meio ideal para quem faz casa – trabalho – casa todos os dias e ainda tem a hipótese de carregá-lo numa tomada enquanto trabalha ou dorme, pode mesmo ser o veículo perfeito. Eu, se tivesse essa vida, era fulano para escolhê-lo sem qualquer dificuldade ou dúvida.

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Segundo teste: “E a família, gostará?”

A família vai adorar. Primeiro, porque é um carro diferente e muito moderno. Depois, porque tem espaço a rodos, é super confortável e a bagageira serve o propósito. Tem todo o equipamento obrigatório neste segmento e mais algum: desde a muito útil câmara 360º que realmente ajuda ao estacionamento, até avisos sonoros de segurança activa, até ao AC automático bizona, uma boa aparelhagem hi-fi que nos embala no silencio de rodagem, tudo está pensado para acomodar uma família com até cinco membros.

 

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Terceiro teste: “ao volante”

Para quem nunca teve uma experiência eléctrica, arrancar este Leaf requer alguma leitura de manual ou uma rapidíssima explicação do vendedor. A caixa tem três posições (uma quarta para o neutral): duas para a frente (D e B) e uma para trás (R). Basta um toque do centro para baixo ou cima. É assim tão fácil. A posição B (Brake) recupera energia nas descidas ou travagens, e vamos funcionando com ela como se fosse um pré-travão.

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Mas antes de qualquer toque no acelerador, é preciso destravar mesmo o carro através do travão de mão de pé, como o que encontramos nos Mercedes mais antigos. Compreende-se esta opção, pois um travão de mão eléctrico não seria a melhor opção para travar um carro eléctrico numa, por exemplo, subida, certo?

De resto é andar para a frente mas com cuidado, pois o silêncio de rolamento é algo perigoso para os peões que não se apercebem da nossa aproximação. Para trás, existe um aviso sonoro, mas a câmara de vídeo também nos mostra (a cores) o que se passa.

O sistema telemático NissanConnect EV foi melhorado e permite controlar muitas das funcionalidades do veículo com um toque num botão. Disponibilizando um conjunto de alertas digitais e funcionalidades de acesso remoto, podemos gerir e verificar o estado da bateria, definir temporizadores para carregamento, ligar e desligar remotamente o controlo de climatização e encontrar estações de carregamento. Além disso o novo sistema operativo também permite que os utilizadores analisem os padrões de condução, incluindo utilização de energia e poupança de CO2 por viagem.

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Então, como ficamos?

Vamos a contas? 3 cêntimos por km é o custo de utilização ( energia, manutenção, deslocação) do Leaf.
A poupança de combustível em relação a um diesel ronda os 730€ ano, uma decréscimo de cerca de 70%. E os eléctricos não pagam estacionamento em Lisboa (parquímetros).
Com o novo Leaf 30kWh, a garantia aumentou para 8 anos \ 160.000 km.

Gosto francamente do Leaf, do conceito e comportamento, do equilíbrio e segurança, do equipamento e conforto. Gosto que seja diferente e que me leve de A a B sem expelir um denso fumo negro que habitualmente sai de um diesel. Gosto do silêncio, é um automóvel que transmite paz e, sendo assim, faz com que sejamos mais pacíficos ao volante.

Mas e a bateria? A autonomia, o problema do limite? Sim, é uma desvantagem. Aliás, é A desvantagem. Não há milagres: gastamos bom dinheiro num carro que só nos leva ao Porto com uma paragem rápida pelo caminho. Quase também até ao Algarve, quase até… percebem onde quero chegar. É quase um automóvel para a vida normal, mas é um Todo para o tipo de vida de quem é urbano e precisa de se deslocar diariamente entre dois pontos. E se tiver um ponto de recarga em casa, pode até viver em Alenquer, Cartaxo, Óbidos, e fazer-se à estrada sem grandes preocupações.

Para além do custo do Leaf, há sempre o aluguer da bateria que ronda os 80€ mensais. E esta solução, em conversa com amigos, é a que mais críticas conhece. Ou seja, se o preço fosse entre os 20 e 25 mil euros sem mais nenhuma despesa fixa, estou em crer que iríamos ver muitos Leafs por aí.

Para mim, confesso, ainda falta autonomia. Não para o dia a dia típico, mas para aqueles em que se tem mesmo de andar de um lado para o outro. E ter dois carros, em Portugal e sendo bloguer profissional, é apenas impossível.

PVP: a partir de 30.300€ com aluguer de bateria ou a partir de 36.200€ com compra da bateria (Decorre uma campanha que oferece 1500€ de retoma e 3000€ de Oferta Cliente)

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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