Motorola X (II) LTE com lollipop – ensaio

9 Design
8 Construção
8 Inovação
8 Qualidade
9 Factor X5
8.4

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Não sei quantos Motorola tive ao longo da vida. Uns 10? Talvez. E sim, fiz “brilharetes sociais” dos mais pequenitos em concha aos RAZR. Foi a altura em que todo o mundo queria um Motorola. É daquelas marcas que estará sempre no imaginário, mesmo que tenha desapareci… ah, mas não! Afinal, a Motorola está bem viva e com uma saúde de ferro, tanto que regressou a Portugal de forma oficial. E o momento escolhido não poderia ter sido o melhor.

Nesta altura, e revisitando a história, todos querem um Motorola. Seja, o novo Moto G, o novo Moto X ou o primeiro smartwatch Moto 360, o factor desejo é tão grande como em marcas intocáveis, tipo Apple e HTC. E sim, dei o prémio de gama de entrada 2014 ao Moto G (II) porque é, realmente, um pacote formidável. E vivi na dúvida entre vários na gama média e o Moto X (II) não saiu vencedor por uma unha negra. Mas vamos ao que interessa.

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Personalização com bamboo

É impossível não ficar a admirar o Moto X (II) na mão. O contraste entre o alumínio e a traseira em bamboo (sim, mesmo em madeira, não são imitações plásticas) é formidável. E sim, dá nas vistas. Em termos de marketing, é mais que um achado, é toda uma solução: “não há um X igual” é uma certeza inabalável quanto apoiada pelo corte do bamboo. Apela aos sentidos e aquece pouco. Sim, virtudes e vantagens. Mas há qualquer coisa no seu corpo que não me deixou 100% satisfeito. Tem a ver com a tampa angulosa que se adapta à concha da mão e as laterais que, talvez, sejam demasiado finas e, no meu caso, provoquem algum desconforto na utilização. Acho que é isso, mas se for, é da minha mão, pois fiz o teste simples do “experimenta lá e diz-me o que sentes”. Fiquei solitário nesta conclusão.

Em Portugal, podemos optar pelo bamboo. Nos States, a personalização vai mais longe e podemos escolher até a cor das teclas. Outros luxos.

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O Moto X passa a ser um modelo histórico nesta segunda geração

Sim, por causa dos materiais e personalização e sim, também porque foi dos primeiros a receber a actualização Android Lollipop que muito jeito me deu (e agora que o entreguei, muitas saudades deixou) e ainda outro sim, é um grande salto qualitativo desde a primeira geração.

O que podemos encontrar neste X? Imensas aplicações próprias que, pasme-se, são úteis. Rapidez digna de nota (principalmente com Lollipop), interacção com o Google Voice, uma curva de aprendizagem assistida de forma inteligente e uma qualidade de reprodução áudio fora do comum (duas colunas frontais ajudam).

O tamanho é quase ideal: ecrã com 5,2″ AMOLED com FHD a 1080p com protecção Corning Gorilla Glass 3, a entrada microUSB na base, dois botões na lateral, tudo muito simples. Há uma coisa que destoa: o logotipo na capa traseira em cor de alumínio contrasta com a nobreza do bamboo, mas pelo menos, serve para pousarmos o indicador e fazer pressão contra a cara. A frente mostra quatro sensores, para além da câmara frontal, uma muito básica com 2MP (má opção, numa época de selfies). Aliás, e remato já aqui a secção das câmaras, a traseira apresenta-se com 13MP (duplo flash LED) mas não se pode comparar qualitativamente a outras com as mesmas especificações de outros modelos. Está longe de ser uma excelente câmara, mas é suficiente boa para quem quer apenas tirar uns retratos. Mesmo em modo HDR (sim, tem), as imagens apresentam-se com algum grão e a focagem perde-se quando tem de ultrapassar algumas fontes de luz mais fortes. Esqueçam a Formula 1 ou movimentos rápidos. O menu é simples e existem alguns atalhos para funções como o Quick Capture, Burst e slow-motion Vídeo. Mas podem sempre gravar vídeo a 4K. Sim, 4K. Não sei é onde guardar tantos gigas de informação…

Com um chipset Qualcomm Snapdragon 801, o X movimenta-se muito à vontade com o processador quad-core 2.5GHz, reforçado por 2GB de RAM e um GPU Adreno 330. O modelo de ensaio tinha 16GB, mas se tiverem possibilidade, escolham o de 32GB. É que todo este design tem uma desvantagem: não existe entrada para cartão microUSB. Ops! A bateria é outro dos pontos menos bons… apenas 2,300mAh, o que garante vida para quase um dia. E , atenção, dá gosto ver e ler coisas neste ecrã, tão brilhante que é…

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Android e “OK, Google”

Foi uma surpresa acordar um dia e ter a mensagem do update para o novo Lollipop. E logo para a versão 5.0.2. Já estava a usar o X há algum tempo, mas sabia que estava para breve este enorme avanço operativo. Não vos vou massacrar com a explicação do Lollipop, já o fiz num outro post, mas posso garantir que parecia um smartphone novo, mais requintado e muito mais rápido. Até a bateria “cresceu” um bocadinho.

A Motorola fez também um excelente trabalho nas suas próprias aplicações, algumas muito úteis, como já frisei lá em cima. E talvez o impacto do Lollipop não seja tão forte num Motorola, pois algumas funções já estavam mais puxadas que o normal (o caso das notificações, por exemplo). Os sensores frontais reagem bem aos movimentos da mão, com funções pré-estabelecidas. Não é novo, mas é útil.

Os comandos vocais têm, para os portugueses, um sério problema. À data, a Google ainda não entendeu que a língua portuguesa é originária de um pequeno rectângulo europeu. Como “bons americanos”, decidiram-se pelo brasileiro a que muitos teimam adjectivar de português do brasil. Se um smartphone americano reconhece o inglês, é difícil para que um brasileiro recoheça português. E para que os comandos sejam reconhecidos, ou falamos com sotaque ou teremos de optar pelos menus e sistema em inglês (ou em outro qualquer idioma com que nos sintamos à vontade). Logicamente, que 99% dos portugueses irão para a segunda hipótese.

Este drama é da inteira responsabilidade da Google e nada tem a ver com a Motorola, que vive o mesmo problema no Moto 360 (Android Wear) e que foi uma das principais razões para que a LG só agora se tenha decidido a lançar em Portugal o seu LG G Watch R. E, reforço, é uma pena. Dá mesmo jeito ter uma assistente pessoal que reconhece a nossa voz e pedidos, desde ditar números (coisa antiga, eu sei), a marcar o alarme e abrir mapas de localização. É todo um mundo Siri/Cortana funcional. Ou…. “fonciunáu”.

Moto X 22

Conclusão

Este foi daqueles smartphones que me fez colocar os meus dois preferidos (e que uso) na gaveta. Por vezes pensava neles e tinha saudades, ou de um ecrã maior, ou de uma câmara excepcional. Mas quando tocava no bamboo e deixava o X deslizar pela algibeira, sentia-lhe o conforto e simplicidade. Também gosto de bamboo e tudo o que lhe está relacionado, por isso, fui uma cobaia fácil. De resto, o mundo Motorola e as suas aplicações únicas são o factor extra que falta a muitos equipamentos de valor semelhante. A câmara podia e devia ser melhor e é algo a rever.

Contudo, a fluidez, a qualidade sonora, o equilíbrio do conjunto e a originalidade dos materiais transformam-no num produto de desejo.

Existe ainda um pormenor, aquelas coisinhas que nos fazem sentir realmente especiais: o conjunto de acessórios que acompanha o X é de alta qualidade, mas o que nos faz dizer “wow” é o carregador com DUAS entradas USB. Kudos, Motorola!

PVP: a partir de 470€ na versão 16GB versão livre