O LG V10, um smartphone que é sério concorrente a câmaras fotográficas e de vídeo de média gama. Também faz telefonemas.

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Antes de passar à análise, deixem-me escrever desde já que o LG V10 é deslumbrante e destaca-se imediatamente pelo tamanho, design, materiais e soluções originais. É um phablet preparado para funcionar a duas mãos, não é leve, mas tem uma qualidade digna de registo, mesmo que não se safe a duas ou três críticas negativas. Mas onde fica o V10 agora que o G5 está a chegar e com argumentos ainda mais inovadores? E ainda existe sempre essa maldita questão do preço…

O LG V10 apresenta-se com duas laterais metálicas que dão nas vistas, cantos reforçados, microfone e auricular protegidos com uma grelha também metálica, um corpo unibody em alumínio e uma tampa com novo design que garante máximo grip e que é facilmente removível (ou substituída) para acedermos à bateria também removível, o que nos dias que correm, é um ponto que marca a diferença. São 192 g de smartphone que tem um ecrã de 5,7″ com 2,560 x 1,440 pixels e uma densidade de 513 ppi. E é logo neste campo que surge a primeira novidade de realce: um segundo ecrã “always on” no topo do centro para a direita com 2,1″, 160 x 1,040 de resolução e 501 ppi.

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O ecrã principal (se é que lhe podemos chamar assim) é vibrante, posso mesmo dizer, fantástico. O brilho é tão intenso e as cores tão vívidas que muitas vezes baixei o nível para 50% para conseguir ler textos de forma mais confortável. Mas para se ver fotografias e filmes, nada melhor que o puxar ao máximo. Também não há qualquer problema em utilizar o V10 sob o sol lisboeta que tanta mossa faz a muitos topos de gama, pelo contrário, tudo é visível e controlável nestas condições sem qualquer dificuldade.

Mas é o ecrã secundário que dá nas vistas: em primeiro lugar, podemos escrever o que quisermos num pequeno texto que mostra, por default, o nome do utilizador. É um toque muito simpático e daquelas coisas que gostamos de mostrar aos amigos. Para além dessa informação, basta passarmos o dedo para um dos lados para acedermos a cinco mini-menus de acesso imediato a várias funções, personalizáveis a nosso gosto, como a lista das últimas chamadas (com pequenos ícones que inclusive mostram as fotografias dos contactos), notificações, calendário, reprodutor musical, etc. Basta tocar para a acção acontecer, mas será que é assim tão útil que, passada a surpresa inicial, o utilizemos de forma automática? Pela minha experiência, sim, mas só em relação às últimas chamadas e contactos directos, assim como verificar a agenda do dia. Nesses casos, é realmente útil e prático. Podemos desligar este ecrã, se o desejarmos, assim como ele também se auto desliga quando escolhemos ver um filme ou tirar uma fotografia. Mas não é imediato, obriga a um toque no ecrã principal. Há outra curiosidade, por exemplo, quando se usa o QuickMemo+ (e eu faço-o sempre que tenho um LG para ensaio) em que as funções deste ecrã mudam automaticamente para ajudar às tarefas. Durante a noite, este segundo ecrã também se “transforma” e passa só a exibir as informações mais básicas, como as horas, data, estado da bateria e temperatura exterior. Tenho, contudo, uma crítica: há um pequeno vazamento de luz neste pequeno ecrã que importuna quem gosta de dormir na mais pura escuridão. Por outro lado, a informação é pequena e obriga a agarrar no V10 para se conseguir ler. Neste caso, os “always on” de outras marcas, com evidente destaque para os Lumia que desde o Windows 8.1 já apresentam esta característica, são bem mais úteis.

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Outra novidade que surge no V10 é a presença do primeiro sensor biométrico num LG. Aproveitando o design já conhecido dos botões traseiros, o click de acção passa agora também a ser um leitor de impressões digitais, que memoriza até quatro dedos e permite, para além de ligar o smartphone, aceder a notas privadas no QuickMemo+. Estou convencido que a acção deverá ser multiplicada para outras necessidades, pois uma que existe mas que não experimentei é o pagamento por Android Pay que necessita de confirmação através deste modo conjugada com a facilidade NFC e o Android 6.0.

Neste momento, os V10 correm o sistema operativo Android 5.1 Lollipop, mas a LG já garantiu o upgrade para o 6.0 Marshmallow que possibilitará acesso a algumas funções interessantes, como uma expansão Google para o assistente de voz e denominada Now On Tap, a muito importante aplicação Doze que poupa bateria e a já descrita forma de pagamento.

Quem usou ou experimentou LGs neste recente passado, sabe que a marca faz um excelente trabalho no desenvolvimento de aplicações verdadeiramente práticas, e o V10 não é excepção. Por exemplo, a função Mini View minimiza o tamanho da imagem do ecrã para poder ser usado com apenas uma mão (tanto à esquerda como à direita), a função Smart Bulletin dedica uma página que apresenta atalhos para funções de uso diário, como calendário, fitness, reprodutor musical, etc., podemos dividir o ecrã com o Dual Window para correr duas aplicações em simultâneo (e que funciona muito bem), para além do fantástico modo Knock (KnockOn, KnockCode) que através de toques com os nós dos dedos assume certas acções.

De salientar ainda a já clássica função de controlo remoto, a QRemote, que apreende os comandos dos vários equipamentos que temos pelas divisões da casa e que toma o seu lugar. É apenas perfeito e toda uma razão para se comprar um LG. De salientar que não compreendo a razão que levou a marca a optar pela tomada micro-USB e não apresentar já a mais sofisticada USB-C. Este V10 merecia essa sorte e garantia mais tempo de vida útil para o futuro próximo.

Passemos à câmara que tem feito da LG, senão a melhor, uma das marcas que mais resultados consegue sacar das suas unidades fotográficas, tanto que o LG G4 (ler ensaio), telefone que considerei como o melhor de 2015, ainda me deixa saudades.

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As Câmaras

Depois de um espectacular G4, a LG teria de fazer similar ou melhor com o seu V10 e, na verdade, este passou a ser mais um competente e extraordinário smartphone “fotográfico”. E sabemos bem a importância das fotografias (e vídeo) no dia a dia dos utilizadores. A câmara principal tem uma abertura F.1.8, 16MP, focagem por laser, um autofocus muito rápido e estabilização óptica de imagem OIS.

Mas é uma câmara para entusiastas, que possibilita um controlo manual em quase todos os parâmetros e funções pouco usuais. Por exemplo, que tal ajustar o balanço de brancos por distância específica, a profundidade de campo, os valores ISO e a velocidade de obturação? Mas tudo isso faz mais sentido quando podemos gravar as imagens também em formato RAW, para além de fotografar em três modos distintos com um simples toque na função: 16:9, 4:3 or 1:1.

A questão manual é ainda mais importante porque também está disponível em modo vídeo, e junta às acima descritas vantagens, mais comandos específicos, como o ajuste do microfone, o nível do som e do ângulo de gravação (se apontada para a frente para captar o meio ambiente e quem está a ser filmado, como apontado para quem filma para gravar com mais precisão os comentários, por exemplo). Podemos escolher o bitrate de gravação (baixo, médio ou alto), assim como a velocidade da mesma (1, 2, 24 ou 30 fps).

Existe, como é normal, o modo totalmente automático que ajusta todos os parâmetros ao segundo, dependendo das condições de luz ou distância focal. Os resultados são assombrosos, principalmente naquilo a que não estamos habituados num smartphone, pois este V10 toma o lugar de uma câmara dedicada de média gama, o que lhe acrescenta grande valor. Mesmo com pouca luz, obtive resultados muito honestos, com pouco grão e sem artefactos digitais na passagem de sombras para pontos mais iluminados. A focagem por toque no ecrã, mesmo em situações mais complicadas, continua a ser rápida e eficaz. É difícil tirar uma má fotografia com o V10 e os filmes ficam realmente fantásticos (qualidade de gravação 4K a 3840 x 2160). Contudo, todas estas funções em modo manual não são fáceis de dominar ou entender por utilizadores menos conhecedores destes meandros. Existe uma maior linha de aprendizagem que o normal. Em suma, encarem o V10 como uma verdadeira câmara que por acaso têm agregada um telefone.

Em modo automático, existem duas opções interessantes: a Snap que junta 20 pequenos vídeos de três segundos de duração para fazer um “compacto” com um minuto de duração e que, atenção, funciona com qualquer das três objectivas (três?, sim, já lá vamos), o que pode criar um filme verdadeiramente fabuloso e com diferentes “pontos de vista”. Por último, o modo panorâmico com HDR permite fazer vídeos em intervalo de tempo ou câmara lenta.

Já a secção frontal exibe uma câmara dupla, sim, duas objectivas cada uma com 5MP (que pelo que parece são a nova moda, e acrescentadas à principal, fazem o tal total de três): uma capta imagens com um ângulo de 80º, a outra é mais aberta e consegue um super ângulo de 120º, perfeita para selfies de grupo (mas com distorção típica) e basta um toque no ícone de cada uma para mudar de objectiva. Mais simples é impossível.

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O poder de processamento

Para alimentar um “porta aviões” como é o V10, há que ter coração à altura e a LG decidiu-se pelo processador de seis núcleos Qualcomm Snapdragon 808 a 1.8GHz, 4GB de RAM, 64GB de capacidade interna e uma bateria de 3.000mAh que aguenta um dia típico de utilização compulsiva. Mas atenção, a gravação vídeo consome depressa os recursos e convém andar apetrechado com um carregador de bolso. Aliás, este foi outro dos campos que me impressionou negativamente: para um portento como o V10, deveria ter sido escolhida uma bateria com 4000mAh, como encontramos no Mate 8 (ler ensaio). Estes 3000mAh, pelo menos no meu caso, sofreram uma ou outra vez um abanão repentino que me obrigou a recarregar o V10 mais cedo que o previsto.

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Estará o V10 ao nível dos topos das marcas premium?

Quanto a mim, e sei que neste campo existem opiniões diferentes, o LG V10 é um smartphone especial, com um design muito conseguido, materiais dignos e uma capa milagrosa, em silicone que se traduz num toque tipo borracha e que garante um grip fenomenal. O facto de podermos aceder à bateria é uma mais valia, assim como se destaca a qualidade do ecrã e a capacidade de processamento muito acima da média. Existem alguns pontos a melhorar, a utilidade do segundo ecrã não entusiasma após a surpresa inicial, e a bateria é a menor valia. Mas esta câmara e os seus controlos manuais perdoa, e de que modo, todas estas pequenas desvantagens.

O preço é alto e coloca-o ao lado dos flashgips da moda (Apples e Galaxys Edges) o pode ser o calcanhar de Aquiles de um equipamento que recoloca a LG no topo da escadaria. Se bem que não percebo muito bem como vai sobreviver a um esperado G5.

Concluindo, o V10 pode ser o smartphone perfeito para repórteres, bloguers e demais comunicadores que façam reportagem vídeo e foto e queiram obter a máxima qualidade num equipamento que, a custo, ainda cabe num bolso.

PVP: 799,00€

 

Alguns exemplos fotográficos

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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