Lenovo Yoga Book, o ensaio ao primeiro tablet 5 em 1

O Yoga Book é o primeiro tablet de toda uma nova geração que, finalmente, acerta em cheio no conceito base: utilidade!
9 Design
8 Construção
10 Inovação
6 Qualidade
9 Factor X5
8.4

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É difícil opinar sobre um equipamento pelo qual ficámos profundamente apaixonados aquando a apresentação oficial que teve lugar recentemente em Lisboa. Em boa verdade, a Lenovo conseguiu materializar o que muitos consumidores desejam, num formato “tudo em um” extremamente leve, magnificamente construído e com um toque futurista que lhe empresta a originalidade que tem vindo a faltar a todo o segmento informático onde se insere. O Lenovo Yoga Book fica para a história como o primeiro 5 em 1, inovando com um teclado Halo e um painel táctil que permite a escrita (e desenho) com reconhecimento automático e passagem imediata para o ecrã onde podemos continuar a edição do que estamos a fazer no papel. Para transportá-lo em segurança, fecha-mo-lo como se um livro ou um caderno de apontamentos se tratasse. E isto é apenas o princípio de algo fabuloso.

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Antes de mais, as apresentações: o Yoga Book pode ser comprado em versão Android 6.0 ou Windows 10: tem somente 9,6 mm quando fechado (4,05 mm na sua espessura mínima), medindo apenas 256.6 x 9.6 x 170.8 e pesando 690g divididos por duas partes bem distintas. O tablet, com ecrã 10,1″ FullHD e câmara principal de 8MP, tem ainda incorporadas as colunas de som com Dolby Atmos que são uma excelente surpresa. Por seu turno, a base táctil oferece algumas, poucas, ligações: portas para MicroUSB e microHDMI, o ainda necessário mini jack de 3,5 mm, botões power on/off e volume +/- e uma slot onde cabe um cartão MicroSD. Sim, é tudo tamanho Micro, até a câmara frontal com apenas 2MP. A unir as duas partes está a já famosa dobradiça em forma de bracelete que roda 360 graus, patenteada pela Lenovo. Também comum às versões Android e Windows é a bateria com capacidade de 8500mAh.

Em cima, apontei o Yoga Book como um 5 em 1. Sim, não foi gralha, porque aos quatro modos já conhecidos dos muitos híbridos (como laptop, tenda, tablet e vídeo) acrescenta-se toda uma “mesa digital” de desenho e escrita. E se isto não é uma revolução, é uma evolução da forma como podemos utilizar um simples tablet.

Se tudo funciona em termos de form factor, há que dizer que o processador Intel Atom x5-Z8550 não faz dele uma máquina rápida, mesmo que acompanhado de 4GB de RAM o que até se pode considerar um luxo neste tipo de equipamentos. Os 64GB de capacidade interna podem servir muitos utilizadores, mas é muito bem vinda a expansão através do microSD (e também as numerosas contas Cloud que vamos acumulando, certo?).

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O teclado Halo e as Real-Pen

Incrivelmente fina, esta base táctil feita em vidro transforma-se num teclado ao premir um único botão também táctil. Toda a superfície se acende como se de um teclado normal se tratasse, retro-iluminado com vários níveis de graduação, para além de um pequeno trackpad. Esta é, quanto a mim, a mais valia do Yoga Book, transformando-o imediatamente num pequeno laptop. A Lenovo defende que a tecnologia háptica com que equipou este teclado Halo vai aprendendo as “manias” do seu utilizador, onde ele carrega com mais veemência, se pressiona mais ao centro ou na periferia de cada tecla, em suma, adapta-se constantemente aos hábitos de quem o usa para oferecer uma experiência de escrita rápida e suave. Mas o trackpad é algo a rever, pois pela dimensão torna-se quase inútil.

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O facto de não existirem teclas físicas, faz com que seja difícil a habituação. Afinal, são muitos anos a martelar nelas (e eu que comecei com pesadíssimas máquinas de escrever mecânicas e ainda de ferro) que condiciona o nosso cérebro e pontas dos dedos. Para minimizar este problema, a Lenovo pensou em duas soluções: uma vibração que acompanha o teclar e um som “plim” que reforça essa certeza. Tanto uma como outra deram-me cabo dos nervos. Percebo que se queira ter uma ajuda, mas este painel não tem bases de plástico ou borracha que amorteçam esta vibração quando está colocado sobre uma mesa, dando-lhe até mais importância, pois o bzz bzz plim bzz bzz bzz plim ouve-se em toda a sala o que também enerva qualquer pessoa próxima. Como o “plim” também não ajuda à concentração, desligar ambos foi a minha primeira acção. A partir daí, “tudo numa boa”. Escrever depressa e bem requer algum treino, mas passados uns dias, já me sentia à vontade mesmo que a unidade de ensaio exibisse um teclado estrangeiro. De qualquer forma, os Yoga Book que se venderão em Portugal terão teclado português. Perguntam: mas se o ecrã é táctil, porque se fala do idioma do teclado? Porque, infelizmente e nesta primeira geração, o teclado está pré-desenhado no painel e não surge como se fosse uma capa ou imagem. Essa foi uma das minhas esperanças para ter na mão o que já a Microsoft desejou fazer com as capas dos Surface numa primeira fase (nunca mais as vi, deve ter sido ideia atirada ao chão), ou seja, oferecer layouts específicos para cada função. Este Lenovo está mais próximo desse ansiado futuro, mas ainda não chegou lá.

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E o que dizer das canetas Real-Pen? Chegaram duas no pacote assim como um conjunto de folhas arrumadas numa base magnética. Esta base é a que se coloca por cima do painel (que tem uma película electromagnética embutida o que permite a comunicação sem fios) para que tudo o que escrevemos no papel com uma caneta de ponta analógica seja transferido para o ecrã. É apenas fantástico e não precisa de ser recarregada pois o seu depósito pode ser atestado com tinta normal. Contudo, poderemos escrever directamente no ecrã utilizando a caneta específica com ponta digital que integra a tecnologia Wacom Feel. A caneta possui a precisão de um lápis ou de um pincel com 2048 pontos de pressão e detecção num ângulo de 100 graus.

Conclusão

Nunca tive um tablet e acredito na máxima “há sempre uma primeira vez”. Se bem que saiba que uma próxima versão deverá ser melhor e mais potente, este Yoga Book com Windows serve-me quanto basta para o que pretendo fazer, ou seja, colocá-lo na mesinha dos aviões para me ir entretendo com vídeos durante os voos, ler as muitas revistas que assino mensalmente, escrever os ensaios para o Xá das 5 em qualquer lugar e espaço e, acima de tudo, poder transportá-lo sempre comigo, seja no dia a dia lisboeta como nos muitos certames e eventos que acontecem pela Europa. O seu parco peso convida a tê-lo sempre connosco e ainda permite fazer uns rabiscos com alguma arte (em tempos assinei este blogue que vivia dos desenhos que fazia enquanto esperava pelo almoço). Contudo, há coisas menos boas: o processador é lento para acções como a edição audiovisual e não está preparado para nos fazer quebrar recordes em jogos puxados. A bateria, que a Lenovo aponta que chega a uns incríveis 15 horas de duração, consegue metade desse número o que, a meu ver, já não é nada mau tendo em conta a espessura e o tamanho do painel onde está inserida.

Resumindo, este pode muito bem vir a ser o meu primeiro tablet pois junta o útil ao agradável num pacote extraordinariamente cool e até sexy. É que não consegui tirar os olhos (e as mãos) dele enquanto o tive em ensaio. Antecipo um enorme sucesso de vendas e a total ruptura de stock.

PVP: o Yoga Book com Android estará disponível em Dourado ou Gunmetal por 499€; a variante com Windows estará disponível em Preto Carbono por 599€.

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