Huawei Nova, o ensaio à nova coqueluche da gama média

Muito software e uma suite de maquilhagem fazem do NOVA um média gama original com design exterior a compor o ramalhete.
9 Design
8 Construção
7 Inovação
7 Qualidade
7 Factor X5
7.6

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Nesta altura do campeonato, a Huawei continua a subir as vendas, vê uma adormecida Apple a quebrar comercialmente e observa atentamente o tombo grande que a atrapalhada líder, a sul coreana Samsung, vive no final deste turbulento ano de 2016. Se a marca chinesa já tinha conquistado o terceiro lugar (já é segunda em Portugal), vê-se muito próxima do segundo e, portanto, o que faz? Mantém a aposta na sua marca para jovens (e à venda online) Honor, trabalha entusiasticamente nos novos produtos topo de gama da linha Mate e P e dá-se ao luxo de criar uma nova entidade, mais virada para o público feminino, mas que pisca o olho ao masculino. Sim, os dois novos smartphones que apresentou na IFA de Berlim do passado Setembro e que agora estão profusamente nas montras de todo o mundo, inclusive portuguesas, foram avançados como, possivelmente, os primeiros modelos de uma sub-marca e, na verdade, até agora ainda não sabemos o que vai acontecer amanhã.

Chegou-me à mão o mais básico dos dois, o Huawei Nova, com predicados muito interessantes que o vão com certeza ajudar numa bela carreira comercial. Antes da parte técnica, o design. Este Nova foi beber influências a um já saudoso super smartphone criado pela Huawei para a Google, o todo poderoso Nexus 6P. Se no Nexus um filete de cor diferente dos tons metálicos e colocado no topo da parte traseira para “embeber” a secção da câmara fotográfica surgiu com um acentuado desnível, no Nova foi mantido esse princípio original mas mantendo toda a parte traseira plana. O aspecto resulta muito bem (também fui dos que mais gostei da aposta no Nexus) e consegue conferir uma imagem que, para além de se destacar pela originalidade, consegue um ar ousado, moderno, topo de gama. Por baixo da secção, foi colocado o sensor biométrico redondo mas recheado de tecnologia para aumentar o nível de segurança, para além de possibilitar uma maior interacção com algumas funções básicas. É de lado que se notam ainda os traços Apple, com todo o aro metálico a emprestar um ar robusto e de grande categoria. No lado direito encontramos os botões on/off e volume +/-, no topo apenas a entrada para auscultadores e na base, ao lado da grelha que esconde a coluna de som, temos a entrada USB Tipo C. Com uma frente totalmente negra e só com o logotipo Huawei destacado a prata, temos na mão um telefone realmente bonito, bem construído e muito elegante. O piscar de olhos funciona e de que maneira.

O ecrã de 5″ tem curvatura 2,5D e resolução FHD (1920×1080) apresentando muito brilho e cores bem vivas. Talvez onde se pode acusar a marca de ter poupado algum esforço, foi na escolha do processador: o Qualcomm Snapdragon 625 não é dos mais rápidos que estão no mercado, mas felizmente o Nova está equipado com 3 GB de RAM que lhe conferem alguma elasticidade numa utilização mais intensiva. Para memórias e jogos e demais informação, podemos contar com 32 GB de armazenamento interno expansível até 256 GB com cartão microUSB. Nunca faltará espaço! As unidades vêm de fábrica com Android 6.1 modificado pelo já conhecido interface da marca denominado EMUI, nesta caso na versão 4.1. De qualquer forma, e já presente no mais recente lançamento (o Huawei Mate 9), espera-se para breve a actualização para o novo Android 7.0 Nougat com EMUI 5.0. Uma boa notícia é a capacidade da bateria: os 3020mAH são suficientes para um dia de trabalho e pode chegar aos dois com uma utilização pouco intensa.

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Muito elegante este pequeno pormenor do botão com filete vermelho

A Huawei tem mostrado uma capacidade invulgar no que respeita à inovação tecnológica, seja através de parcerias (Leica para o desenvolvimento fotográfico) ou a mais recente com a Porsche, e isso tanto pode ser o factor UAU que faz todo o mundo querer ter um novo P ou Mate, como também empresta essa grande responsabilidade aos modelos de gamas inferiores. E este é o caso quando olhamos para as características imagéticas do mais barato NOVA. A câmara principal tem 12MP com PDAF e flash LED quando, logicamente, se esperava um qualquer coelho a sair da cartola. Mas esta decepção foi atenuada assim que comecei a fotografar com o Nova. Esta objectiva com uma lente de grande abertura não fica atrás das muitas que encontramos em toda a gama média e até média alta. A qualidade percebe-se nos pormenores e, quando a luz está convidativa, podemos contar com fotografias muito bonitas, de tons quentes e até com algum requinte de pormenores. É uma imagem que passa de fora para dentro, neste caso, ou seja, a qualidade de construção e apelativo design têm continuidade no software e algum hardware. Contudo, e porque tenho de fazer esta abordagem, a vida deste NOVA tem um concorrente complicado de gerir que vem da própria casa: o Honor 8 segue a política da dupla objectiva iniciada no P9 (e que agora continua para o P9 lite) a um preço mais democrático. Será que o posicionamento comercial e a comunicação de marketing dividirá as hostes? De salientar que, para quem o deseja, o Nova permite gravar vídeo com qualidade 4K.

Galeria Huawei Nova

A câmara frontal tem 8MP e é a que mais sorrisos vai conseguir. Para além da qualidade mais que suficiente para uma excelente Selfie, a Huawei equipou os NOVA com mais um filtro criativo muito interessante e que é a maior originalidade deste Huawei: chama-se Maquilhagem! Para personalizar e editar imagens, estas opções Beauty Makeup 2.0 e Beauty Skin 3.0 aplicam efeitos cosméticos e filtros de suavização de pele para criar imagens mais apelativas. Testei a dita e fiquei confuso, pois reconheci-me no meio de tanta pintura com baton, pestanas e rimel, bochechas rosadas, mas não publico aqui esses resultados porque sei que iria ser “trolado”. A net não é um espaço onde se possa brincar e os resultados são muito engraçados dentro das várias categorias: Simples, Adorável, Natural, Amável, Rosa, Clube, Festa e Elegante. Se a isto juntarmos o modo Selfie Perfeita (em que os níveis de embelezamento tiram rugas e outras chatices), percebemos que muita gente vai dar grande utilização a esta mais valia.

Contudo, existe um problema que pode ensombrar a carreira deste Huawei Nova e é um factor com peso em Portugal: o preço é alto para um smartphone de média gama. Sim, temos um embrulho muito bonito, extraordinariamente bem construído e com boas características, mas pelo mesmo valor a própria Huawei poderá ser a sua maior concorrente, tanto com o P9 lite como com o muito “online” Honor 8. Será que o design e os truques de maquilhagem conseguirão sobrepor-se a esta realidade? Bem, o mundo diz-nos que, muito possivelmente, sim.

Disponível nas cores Prestige Gold, Mystic Silver ou Titanium Grey (mas convém comprar uma boa capa, pois este corpo é escorregadio).

PVP: 399€