Huawei Mate 9, o ensaio ao phablet do ano!

9 Design
9 Construção
8 Inovação
9 Qualidade
8 Factor X5
8.6

Agora que já passei um bom par de meses com o Huawei Mate 9, posso afirmar que ele é um mouro de trabalho. Reforço, é um trabalhador incansável! E esta é, sem dúvida, a mais valia de um terminal a que se chama “phablet” devido à sua maior dimensão, medidas que têm prós e contras, pois fazem com que seja menos prático no dia a dia mas, ao mesmo tempo, catapulta-o como um verdadeiro assistente pessoal que pode, muitas vezes, tomar o lugar do próprio computador. Sim, continuamos a falar de um telemóvel…

Trata-se de um equipamento muito elegante e, mesmo com um imenso ecrã de 5,9″, é compacto. Ok, poderá não ser o adjectivo imediato que nos passaria pela cabeça ao ser confrontados com 156,9 x 78,9 x 7,9 mm e 190 g de peso, mas devido ao cuidado colocado no design e na engenharia, este phablet tem um tamanho muito idêntico a muitos smartphones de 5,5″, o que lhe oferece trunfos na utilização.

Cabe na mão, quase que consigo chegar com o polegar ao extremo mais afastado sem esforço (tenho apenas de esticar um pouquinho para não utilizar o modo de ecrã mais pequeno), e consigo até ler grandes artigos ou blogues sem me cansar, com a ajuda do filtro azul que vem incorporado e evita ter de instalar uma aplicação de terceiros.

A qualidade é FHD com 1080p (1920 x 1080) e 373 ppi. Sim, está longe do melhor que podemos encontrar no mercado (Sony Z5, por exemplo), mas garanto-vos que chega perfeitamente para as tarefas de todos os dias, inclusive ver filmes com grande qualidade e com a ajuda do Netflix offline, é um regalo para as viagens.

A extraordinária rapidez de funcionamento do Mate 9 acontece muito devido ao novo processador topo de gama desenvolvido em casa própria, o Kirin 960, um octacore 4 x 2.4 GHZ A73 + 4 x 1.4 GHz A53 mais um co-processador i6, a que se junta a GPU Mali-G71 MP8. Muito número e designação técnica para provar a capacidade de processamento, um dos grandes trunfos do Mate 9 que também vem equipado com 4GB de RAM para tudo correr às mil maravilhas. Para terminar esta secção, aponto ainda a capacidade de memória interna com 64GB a que podemos juntar um cartão microSD com até 256GB. E esta é apenas a versão base…

Esta misturada técnica tem apenas um resultado: rapidez em todas as condições, desde a rápida mudança entre aplicações abertas, como saltar do serviço da Vodafone TV online para qualquer coisa da Netflix ou chegar prontamente aos vídeos guardados no NAS doméstico. Tudo se passa depressa e sem qualquer lag ou engasgo, o que é de sublinhar. Lembram-se do PC todo xpto que compraram há dois anos? Grosso modo, este telefone é mais rápido!

Está na altura de tratar o som. A Huawei foi buscar o “truque” usado no P9 Plus, em que usa o auscultador como segunda coluna de som para, assim que colocamos o Mate 9 na horizontal com o objectivo de ver um vídeo ou um filme, a reprodução áudio passar a ser uma espécie de estéreo com a utilização de ambas as colunas a debitar a informação. O nível é alto e a qualidade, com mais graves debitados na coluna de cima e os agudos na de baixo, satisfaz utilizadores mais atentos a estas coisas. É, quanto a mim, uma mais valia do Mate 9 (e do P9 Plus) e que, na falta de duas colunas estéreo frontais, é uma solução muito engenhosa e que satisfaz os utilizadores mais exigentes.

Outro dos campos que tem feito correr muita tinta (e muito dinheiro na caixa registadora) é a bela joint-venture entre a Huawei e a Leica que nos forneceu um belo P9 / P9 Plus com uma dupla objectiva arrumada no painel traseiro e que agora foi ainda melhorada no Mate 9, passando a contar com um sensor de 20MP monocromático e outro com 12MP RGB, ladeados pelo Dual Flash e focagem por laser. Este conjunto tem abertura f/2.2, conta com modo HDR, grava ficheiros em formato RAW, filma com qualidade 4K, tem estabilizador digital de imagem e, atenção, o Zoom óptico foi aumentado para 6x numa posterior actualização.

De salientar que a marca foi comedida tecnicamente, apresentando uma abertura menor nestas objectivas em relação às que equipam concorrentes directos, mas o resultado supera qualitativamente o que alguns desses concorrentes conseguem, pois capta mais luz através do sensor monocromático ao mesmo tempo que garante menos distorção e menor ruído, principalmente nas extremidades.

Quem leva a fotografia mais a sério, percebe a vantagem deste sistema e, com a ajuda dos controlos manuais, vai conseguir resultados extraordinários. Sim, está traçado e assinado o certificado de óbito das câmaras compactas abaixo dos 200 ou até 300€, mesmo de marcas com pergaminhos históricos. O mundo fotográfico do dia a dia pertence já aos telemóveis.

Já me ia esquecendo, mas é claro que temos direito a uma câmara frontal, esta com 8MP que tira selfies soberbas, com acesso a um embelezador quase profissional para tirar rugas e outras marcas que marcam a experiência de uma vida.

Existem ainda os filtros criativos para quem gosta de umas brincadeiras, com especial atenção para os que já fazem parte do menu da Huawei, como a pintura de luz, o lapso de tempo, o gourmet, a marca de água, a nota de áudio e ao fantástico modo Documentos que endireita ao extremo um qualquer papel fotografado. Parece magia.

Muita atenção também para um muito útil gestor de telemóvel que nos ajuda a limpar dados, detectar vírus, proibir ou permitir aplicações ou serviços, bloqueios vários, uma zona mais segura para descargas, ou seja, toda uma suite de optimização simples e muito prática (gestão, segurança, consumo) que inclusive ajuda a poupar bateria pelo simples modo de escolher as aplicações que se fecham quando desligamos ou pausamos o telefone.

E que tal fazer chamadas sem mãos? Basta gravar a ordem para acordar o telefone (no meu caso digo “Hello Mate” com pronúncia australiana) e de seguida, ditar o nome com quem se pretende falar. A coisa funciona!

O Mate 9 chega à nossa mão já equipado com o mais recente sistema operativo Android Nougat 7.0, mas é a renovação do EMUI, o interface de utilizador da marca, para a versão 5.0, que faz brilhar todos os melhoramentos de raiz do Nougat. Visualmente não parece muito diferente do que já nos tínhamos habituado, mas acreditem que tudo melhorou, desde as notificações com os logotipos oficiais das aplicações que descem num quadro muito pormenorizado e informativo ao sistema inteligente (inteligência artificial) que ajuda ao EMUI apreender as “manias” do utilizador para priorizar e tornar mais rápidas as acções mais repetidas e as aplicações mais usadas.

A marca, aquando o lançamento, também garantiu que este é o primeiro smartphone cuja qualidade de operação vai manter o mesmo nível de desempenho durante cinco anos, ao contrário do que acontece com os actuais. Estes meses em que o utilizei numa base diária, não me apercebi de qualquer travamento na operação, mas também é demasiado cedo para conseguir perceber se esta mais valia é real.

Existem alguns truques mais ou menos escondidos no Mate 9. Por exemplo, temos finalmente direito à caixa de aplicações, ou seja, ao poder arrumar todas as Apps numa gaveta própria e que está disponível em quase todos os Android. Basta ir ao menu e escolher o tipo de ecrã e o seu arrumo.

Se você se acha um Mulder que tem ficheiros secretos para esconder, que tal uma Conta Pessoal a que somente se acede mediante uma impressão digital exclusiva para essa acção? E por falar em ID, o sensor da Huawei continua a ser o mais avançado da actualidade, permitindo mais acções com o passar do dedo, desde tirar fotografias, a passa-las em revista, etc.

Também podemos clonar aplicações o que dá um tremendo jeito se usarmos dois cartões SIM com duas contas diferentes. Para aproveitarmos os tarifários de um ou outro e para nunca perdermos a ligação com o mundo, basta duplicar aplicações como o Facebook ou o WhatsApp. Tudo simples, tudo prático.

Existem muitas características que vamos descobrindo numa utilização diária, como as incluídas Saúde que é todo um ginásio e um PT juntos, até ao controlo inteligente por infravermelhos, que permite copiar os comandos que temos pela mesa e aceder ao equipamento AV da sala, quarto e escritório. É rápido e muito eficaz com a mais valia de deixarmos de gastar pilhas alcalinas. Podemos ainda abrir aplicações desenhando com os nós dos dedos desde abrir o browser como tirar uma fotografia, mas infelizmente não “acordamos” o Mate 9 com dois toques. E também senti a falta do ecrã “always on” que dá muito jeito na mesa de cabeceira.

A bateria é outro trunfo do Mate 9. Com 4000 mAh, tem tecnologia de carregamento rápido e seguro (um piscar de olhos à rival Samsung) e, através do carregador que vem na caixa, garante-se mesmo a recarga completa em apenas uma hora. E atenção, o terminal nunca sobreaquece, o que demonstra a preocupação da marca com as mais recentes ocorrências que afectaram as duas adversárias que ainda lhe estão à frente.

Esta bateria é sublime! Aguenta perfeitamente um dia (mesmo com viagem ida e volta ao Algarve ligado ao automóvel por Bluetooth a debitar música e com os dados ligados, mais uma série de fotos bem puxadas, vídeos e chamadas. Cheguei a casa ao fina do dia ainda com 20% para gastar. Estou convencido que, para um utilizador mais comedido, este Mate 9 aguenta mais de dois dias de utilização sem recarga. Comigo, a poupar algum, chegou às 48 horas. É apenas fantástico, acreditem!

De resto, lá está o terminal USB-C, a ligação minijack (mais a mais, a reprodução sonora é de altíssima qualidade), enquanto que os microfones captam realmente bem as vozes dos intervenientes numa mesa, bastando escolher as direcções através de um menu muito simples. Espaço ainda para o NFC, Bluetooth 4.2 e tudo o que um topo de gama já nos habituou.

A conclusão deste ensaio é simples: é um dos extraordinários smartphones de 2016, a par com o Sony Xperia XZ, o LG G5 e o Samsung Note 7 (o que me acompanhou durante quase três semanas nunca teve um problema). Cada um à sua maneira, são ideais para este ou aquele utilizador, pois nem todos gostam do mesmo tipo de terminal, dimensões, peso, praticabilidade, etc.

Quanto a mim, o Huawei Mate 9 é quase o telefone perfeito. Para trabalhar só lhe faz falta uma stylus com suite própria. Para jogar e ver filmes, não se encontra muito melhor. Para companheiro diário, é um pouco grande demais. E digo isto apenas porque necessito de arrumar o telefone nos mais variados acessórios, desde a Osmo a sticks de qualidade. O peso e a dimensão tornam, por vezes, impossível essa específica tarefa.

A qualidade fotográfica e cinematográfica está ao nível do melhor que se faz (não foi por acaso que mencionei aqueles modelos um pouco mais acima), o design e a excelência dos materiais e da montagem é assinalável, tudo muito bem feito, tudo premium. Até a capinha de protecção que o acompanha no pack é muito útil e bem pensada.

O preço é arriscado, pois 699€ entra naquele enquadramento dos fashion victims que vão sempre preferir um logotipo a qualquer outro campo de interesse. Mas até isso está a mudar com vantagem para a Huawei que sabe muito bem o que está a fazer e onde quer chegar.

O Mate 9 é top e merece o raro selo de qualidade!

 

O Xá das 5 agradece à marca a cedência do Huawei Mate 9 para análise.

 

Galeria de imagens (originais de João Gata)