Fiat 500S – ensaio

6 Conjunto
7 Equipamento
6 Condução
4 Conforto
6 Factor X5
5.8

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É impossível não gostar deste pequeno Fiat. Invocatório de uma grande história comercial, este novo modelo está também a tornar-se num ícone e, acima de tudo, pelos argumentos próprios. É obra conseguir este feito com um modelo que imita o seu antecessor, mas a marca conseguiu.

Quando o olhamos, sorrimos, pois é um puro modelo compacto pensado para andar em circuito urbano, com um ar simpático de dois olhos e uma grelha que sugere uma boca sorridente. Este aspecto tem sido o bastante para apelar ao gosto e preferência femininos. Mas e se vos disser que, agora, os machões mais “Alfa” têm toda razão para quererem andar num Fiat 500?

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Ruído, rotação, vertigem

Bom, a vertigem é exagerada, mas as duas outras grandezas, não. Este 500S tem a sigla que sugere Speed, Special, Super e até consegue transmitir sensações interessantes, pois é, afinal, um SPORT.

Com um bloco 0.9 Turbo TwinAir In-line 2 cilindros e 8 válvulas, apresenta uns fabulosos 104 CV de potência, algo impensável até há poucos anos atrás, mas que é agora a nova moda nos mais pequenos motores dos diversos construtores.

O que se consegue com isto? Menos cilindrada, preços mais simpáticos. E os cavalos acrescidos oferecem alguma velocidade, nem que seja no arranque. E este 500S arranca depressa que até dá gosto.

O ruído é fenomenal, parece que vamos dentro de um V12 com 5 metros de comprimento. Ok, estou a exagerar, mas tento passar uma imagem do que é guiar este S.

Com dois cilindros, é dinâmico entre as 3000 e as 6000 rpm, sendo até um diabrete para percursos extra-urbanos. Atinge os 180 km/h que, confesso, não tentei atingir. Afinal, é pequeno, leve e não foi pensado para essas aventuras.

O interior

O painel é agora digital, mas mantém-se redondo com o aspecto do 500 original. É muito informativo e extremamente legível, transmitindo um ar moderno e qualitativo ao habitáculo, pois junta os avisos tradicionais às legendas do computador de bordo.

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A área central é dominada pelo equipamento áudio, controlo climatérico e ar condicionado e os comandos para os vidros eléctricos. Aqui sim, uma forte critica, pois não dá jeito nenhum. A manete tem bom tacto e é muito directa. O logotipo 500 compõe o ar racing que é reforçado pelo fantástico volante. Há que apontá-lo como o centro de tudo e nem é pelos comandos que tem incluídos. É sim, pelo tacto, tamanho e até o corte transversal na base que lhe confere o design dos topo de gama. Kudos, Fiat!

Os bancos são confortáveis e envolventes, mas todo o conforto é prejudicado pela falta de espaço para o pé esquerdo. Aliás, a tónica interior é essa, tudo muito apertado, mas cheio de estilo. Embora a marca diga que o 500 transporta cinco passageiros, convém sermos realistas e transportar menos um. Ganham os convivas e ganham os consumos.

O comportamento

O 500S é o 500 a ter. Pelo menos para os machos Alfa. É muito divertido, tem um roncar agressivo e comporta-se bem nos atropelos de uma cidade como Lisboa, cheia de buracos, confusões, subidas e descidas e trânsito, por vezes, caótico.

É despachado em arranque e chega depressa, muito depressa, aos limites impostos pelo código. Há que ter algum cuidado, pois 104 cavalos relincham com força.

Claro que este convite mais “despachado” reflete-se num consumo exagerado para um carro com estas características, mas se formos mais cuidadosos, conseguimos números comedidos. O sistema start/stop está mais evoluído e reage muito depressa ao toque do pé, ajudando também na poupança real de consumo e emissões CO2.

Conclusão

Diverti-me muito com este Fiat 500S mas, confesso, não é carro para mim. Concordo que o seja para uma faixa etária mais jovem, que não precise de transportar muita bagagem nem muitas pessoas, mas quando se contam mais uns anos, sabemos que o espaço é uma questão preciosa. Por outro lado, este Twinair é tão ruidoso que o “gozo” que dá em cidade depressa passa a desespero numa viagem em auto-estrada. Aí, a coisa deixa-se ouvir mais que o necessário e consegue perturbar a qualidade de vida a bordo. Mas, também, o 500 não foi pensado para essas coisas de grandes quilometragens, a não ser num país que trata os carros como bens de luxo e que um simples (mas divertido) citadino tenha de fazer tudo o que os grandes fazem. E isso não é culpa do 500S, mas sim das hediondas taxas praticadas em Portugal. Os consumos, devido ao motor e ao efeito “tuc-tuc” (estes twinair são a modos que desconcertantes no seu atípico ralenti), é um bocadinho guloso demais para um citadino, mas poucos dão tanto gozo no acelerador quanto ele. É mesmo uma questão de fazer contas, mas resumindo, para comprar um 500 seria este S. De Safadinho! O pior é não ter espaço para descansar o pé esquerdo e a dureza das suspensões numa cidade esburacada como Lisboa.

PVP: Será melhor pesquisar os preços no site da Fiat e as promoções que possam existir.

O 500 S oferece de série:

  • ar condicionado
  • Blue&Me com comandos no volante
  • Pára-choques Sport
  • Mini-saias laterais
  • Spoiler traseiro no tejadilho
  • Acabamentos cromados acetinados
  • Jantes liga leve 15″ desportivas
  • Vidros escurecidos
  • Volante Abarth design
  • Punho alavanca Cx velocidades específico
  • Aplicações prateado mate, costuras vermelhas