Fiat 500L Trekking 1.6 Multijet – o ensaio

8 Conjunto
9 Equipamento
8 Condução
8 Conforto
9 Factor X5
8.4

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Este Fiat é como a mais famosa das colas: primeiro estranha-se e depois entranha-se.

No final da experiência, fica-se com uma tremenda saudade.

 

O visual

Nunca fui tão olhado na vida ao volante de um automóvel. E já me passaram uns quantos pelas mãos que davam bem nas vistas. Nem mesmo com GTis ou Abarths, turbos e wannabes, me senti tão seguido por olhares admirados e curiosos. Alguns até bem dispostos. Este grande Fiat dá nas vistas, principalmente vestido de amarelo e branco. Tanto que o chamaram de “ovo estrelado”. Mas, por mais de uma vez, dei por quem passava a admirá-lo de forma mais curiosa e houve mesmo quem me perguntasse o preço e me pedisse para espreitar lá para dentro. Melhor, neste caso para a marca, sei que vendi dois ou três ali no acto. Se em amarelo e branco, não sei, mas que encantou muita gente, isso posso garantir.

Se por fora as linhas seduzem, por dentro reforçam a boa imagem. Estamos perante um automóvel moderno, muito bem equipado, com muito espaço para todos os ocupantes e, para quem guia, um volante de excelente design e tacto, todos os comandos bem à mão e um conforto de utilização fora do comum neste segmento.

A sensação de grandeza é por demais evidente, pois psicologicamente sabemos estar dentro de um 500, ou seja, de um citadino por excelência. Ficar mais largo e bem mais alto que a maioria dos automóveis com quem nos cruzamos ou acompanhamos num determinado percurso, é, a princípio, estranho. Mas depois dos primeiros kms, já estamos mais que à vontade e sentimo-nos mesmo bem.

O design é italiano, vê-se em inúmeros pormenores que embelezam e até emprestam alguma sofisticação ao modelo. E sim, sei que este “de ensaio” vinha com quase todos os extras e que tudo é melhor assim. Mas de base, o Trekking satisfaz plenamente.

Como destaques óbvios, o tecto panorâmico Skydome que transmite mais luz para o interior oferecendo um conforto ainda maior, o ecrã táctil de 5″ com GPS TomTom e demais e costumais opções multimedia e AC automático.

Por último, destaque para o aspecto musculado desta versão Trekking. Frente redesenhada e musculada, reforços na frente, laterais, nas cavas das rodas e no degrau do para choques.

 

Fora de estrada

A suspensão foi elevada 13mm e ainda bem, pois este Trekking faz juz à designação e convida para umas aventuras fora do asfalto. Aliás, permite até bem mais, como andar em troços enlameados e esburacados, sem se queixar, mesmo que adorne em demasia devido à suspensão um pouco mole e bem mais afinada para o trânsito quotidiano (uma diferença enorme para o fabuloso Panda Cross que experimentei em Milão). Mas já estamos à espera disso, devido a todos os toques de conforto (até a posição lombar tem accionamento eléctrico).

O motor 1.6 Multijet responde bem com os 105 Cvs. Como Diesel que é, permite-nos ter mais resposta e força com menos rotações e depois todas as ajudas “modernas” ajudam-nos a ser verdadeiros pilotos TT. Destaque para os sistemas ESP e ABS que dão um “empurrão” ao Traction+, indicando qual a roda que tem menos aderência, pedindo um reforço electrónico que permita compensar essa situação. Verdade seja dita, também não andei por montes e vales para testar a fundo esta solução.

 

Transporte

A fundo estudei mais a mala deste Trekking, visto que é… grande e alta. Será que dá para levar o sofá? Um móvel? Este porta bagagens está imensamente bem pensado e facilmente consegui criar vários tipos de plataformas com travões fixos para a bagagem ficar bem acondicionada ou tirar tudo para o transformar numa imensa plataforma de carga. É cinco estrelas todo o sistema, inclusive a facilidade como se encolhem e recolhem os bancos traseiros. Com tudo no lugar, temos 412 l mas tudo muda com pouco esforço manual e dois minutos bastam para termos 1310 litros. Mas atenção, este carro tem uma altura que permite acomodar volumes de dimensão apreciável. O portão é imenso e custa puxá-lo para baixo. Por outro lado, o plano de carga facilita qualquer arrumação.

O espaço acomoda muito bem cinco adultos que podem viajar com conforto. Logicamente, e por ser mais alto que o habitual, há que ter em conta os ventos laterais em estrada aberta. Quando a rajada é forte, sente-se bem.

 

Conclusão

Adorei esta experiência com a 500L na versão Trekking e peço desde já humildes desculpas à Fiat, pois fui daqueles que detestou o conceito (como aquele Mini horroroso) de fazer de um citadino algo a que o design original nunca se propôs. Até achei piada ao “ovo estrelado” ao fim de um ou dois dias e habituei-me depressa a ser olhado. É muito fácil guiar este grande 500 na cidade, pois a função City ajuda, o comportamento também, o conforto é mais que suficiente, o equipamento sobeja e a caixa de seis velocidades ajuda até na contenção do gasto de combustível que me rondou os 6l/100km.

Mas outra das grandes vantagens deste Crossover é o facto de custar 22.050€ até ao final do ano. Convenhamos que, face a qualquer concorrência, é apenas brutal!

Façam o favor de aproveitar!

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