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O Volvo XC60 é daqueles automóveis por que todos os homens de barba rija suspiram. É um SUV grande, alto e possante, e impressiona pelo design que está, nesta nova versão, ainda mais apurado e fluído, com linhas muito suaves que lhe emprestam um ar bem mais urbano do que off-road. Mas foi em estradas de terra batida que lhe percebi toda a dinâmica e superior conforto, reforçando a imediata ideia com que se fica mal se entra no luxuoso habitáculo.

Este XC60 tem soluções de inovadoras no segmento e que já lhe garantiram prémios importantes, mas já lá vamos.

Quem me conhece bem, sabe que não comungo da obsessão portuguesa por SUVs ou jipes, muito pelo contrário, mas posso desde já avançar que o XC60 conseguiu seduzir-me. Mas se tivesse um, o próximo passo seria mudar-me da cidade para o campo, nem que fosse apenas para gozá-lo como deve ser.

 

A segurança

A Volvo é reconhecida como a marca que mais investe na segurança activa e passiva dos seus modelos. Aliás, é até mais que isso, é sinónimo dessa segurança e esse tem sido o alicerce para a sua continuação no mercado, mesmo que mudando de mãos. 2013 foi escolhido para a renovação total da gama, com focos específicos na manutenção dessa imagem e na conquista de um target mais novo que teima em escolher outros logótipos que são mais sociais. É uma pena que o consumidor tenha ainda este comportamento em vez de perceber que um carro só é mesmo eficaz quando nos salva a vida.

O XC60 foi o primeiro automóvel que me guiou em vez de ser guiado num trajecto de auto estrada. Escolhi a velocidade e mantive-a electronicamente, mas o Volvo travava e acelerava cada vez que um veículo se colocava na mesma faixa, mesmo que com bastantes metros de distância. Uma sensação muito estranha para quem conduz e que necessita de algum tempo de habituação, mas quem gosta de toadas calmas e não quer impressionar quem vai à frente juntando a sua frente à traseira com ambos os veículos em alta velocidade, uma estúpida mania portuguesa e que cria dissabores horrendos, depressa percebe as vantagens deste sistema.

Muito recentemente, o XC60 e o S60 alcançaram nota máxima nos testes IIHS de colisão frontal, uma proeza fantástica visto que o conseguiram face a mais de 70 adversários. Aliás, a marca sueca foi a única a apresentar este elemento de segurança instalado de série, denominado City Safety, um sistema de prevenção de colisão frontal e travagem automática. E esta segurança sente-se em todo o dinamismo dos dois modelos premiados (já fiz o ensaio à gama 2013, faltando-me apenas o V40 Cross-Country) que oferecem qualquer coisa de extraordinário: a noção de que estamos mais protegidos do que na maior parte dos outros automóveis. E isto não se paga.

Para reforçar o City Safety, a Volvo propõe os sistemas Collision Warning com Full Auto Brake e Pedestrian Detection como opcionais, que estavam presentes nas unidades ensaiadas. Este conjunto garantiu nota máxima aos dois modelos que se juntaram a outros cinco concorrentes na obtenção da nota máxima cuja classificação é “Superior”.

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E um outro nível de segurança

Tenho que abrir um parágrafo para mencionar dois equipamentos deste XC60. O primeiro, BLIS, presente também em topos de gama de outras marcas premium, é um avisador sonoro e luminoso que está colocado junto aos espelhos retrovisores. Este acende e toca quando nota uma presença próxima e em ângulo morto, e a vantagem é que tanto faz ser um automóvel como uma mota ou até mesmo uma pessoa. Fiz a experiência e, confesso, habitei-me muito depressa a este grande ajudante. Tanto que me faz falta todos os dias.
O segundo é apenas uma “delícia” e acontece automaticamente sempre que estacionamos o XC60 com o lado direito do lado do passeio. Neste caso, o espelho desce para nos mostrar o passeio e o que estamos a fazer, como disse, de forma automática. São estes pequenos mimos que fazem toda a diferença e que apaixonam que os experimenta.

 

O Exterior

A nova versão do XC60 tem linhas mais suaves, sem arestas pronunciadas na frente e na lateral, com uma elegância extrema que lhe empresta um ar mais simpático e muito atraente, mas muito possante e sempre em crescendo até à traseira tipicamente Volvo, com os faróis de grandes dimensões e muito estilizados.

Com as bonitas jantes de 20” do modelo ensaiado, tudo é em grande e os destaques metálicos, como os reforços frontal e traseiro assim como os frisos laterais, tanto na base como ao longo dos vidros e ainda nos suportes de bagagem. A cor castanha chocolate, a nova moda, faz um contraste extraordinário com a pele creme dos interiores, toda uma ambiência de limusine de luxo em vez de um cross over.

O portão da bagageira é imenso e tem, felizmente, comando eléctrico, tanto para abrir no interior (e comando), como no próprio para o fecho. Esta dimensão oferece um acesso alto e profundo, talvez alto demais para muitos patrícios. O espaço disponível chega e sobeja para qualquer eventualidade, mesmo sem ser necessário baixar os bancos. O carro é grande e a bagageira condiz! Destaque para a qualidade do forro e os diversos apetrechos para prender os volumes, alem de que todas as ferramentas ficam bem guardadas e escondidas num alçapão.

Destaque ainda para a iluminação. Os Leds marcam presença nas luzes diurnas e em toda a secção traseira, o que transmite uma dinâmica ao XC60 pouco usual neste segmento. Mas mais importante, é o Active Control High Beam, ou seja, os máximos estão sempre ligados evitando o processo cansativo de estar sempre a alternar entre os médios e máximos. Este automatismo é inteligente e adapta a iluminação de cada farol conforme a aproximação de um carro em sentido contrário. Primeiro estranha-se, mas depois não queremos outra coisa.

 

O interior

Sabe bem entrar no XC60. Vive-se uma extraordinária qualidade de vida a bordo devido à excelente conjugação de materiais, de destacar a pele e o alumínio por todo o lado, equipamento completo, até um grande tecto de abrir não falta na versão ensaiada.

A posição de condução, com variadíssimos comandos eléctricos, encontra-se facilmente e conseguimos, num ápice ser abraçados pelos bancos desportivos e muito envolventes.

Para quem já guiou um dos novos Volvos, vai encontrar o mesmo tablier digital e personalizável que equipa a gama, no entanto, e devido à posição de condução mais elevada, este poderia ser colocado num ângulo mais inclinado para cima para facilitar ainda mais a vida ao condutor.

Existem vários espaços para arrumação, inclusive para os passageiros atras que podem usufruir de todo um set de arrumos ao descer o banco central para servir de apoio. Os bancos traseiros também estão equipados para transportar os mais novos, bastando destrancar e elevar a almofada de cada um dos assentos

Em termos de espaço, basta olhar as fotografias. Existe a rodos para todos os viajantes. Atras também estão colocadas saídas de ar condicionado para cada um dos passageiros, fora o reforço do sistema áudio que é fantástico.

O XC60 está repleto de tecnologia o que significa ter inúmeros botões de controlo. Eu gosto de botões e luzinhas e essas coisas, mas sei também que muitos puristas abominam este estado das coisas e desejariam outra solução mais espartana. Temos pena, o mundo dos SUVs mudou para sempre…

O condutor fica assim rodeado de comandos, tanto do lado esquerdo do volante, como à direita deste, na consola central e no próprio volante. Mas está tudo tão bem definido e legendado que qualquer pessoa se habitua facilmente a todo este mundo digital num piscar de olhos. Atenção que, neste caso, o travão de mão também é eléctrico assim como a caixa é automática, mas com possibilidade sequencial e manual.

Existem outros pequenos pormenores que fazem deste um carro de sonho, como as luzes que iluminam suavemente alguns espaços, como as bolsas nas portas ou o espaço para os pés e os pousa-copos, os avisos sonoros dos cintos de segurança continuam a ladear as luzes do tecto e a bússola é digital e, atenção, inserida no próprio espelho retrovisor.

 

Equipamento e inovações

O XC60 está agora equipado com controlo de tracção de série, um AWD permanente com o opcional Hill Descent Control que controla automaticamente a velocidade na descida.

Em comum com a renovada gama 60, o interface de comunicação é extremamente completo, com a nova funcionalidade Sensus (Human Machine interface) e o Sensus Connected Touch, tudo controlado e comandado por um ecrã de 7” táctil que também está preparado para manuseamento com luvas (ou não fosse a Volvo de um país com invernos rigorosos). A conexão com o smartphone é imediata, assim como a utilização do GPS muito facilitada.

Mais moderna é a capacidade streaming deste sistema que ainda é acompanhado por rádio online e, pasme-se, acesso à internet (mas só com o XC60 desligado). Há ainda localizador de estacionamento, que funciona bem e me ajudou inclusive numa terra que não domino, e todos os passageiros têm direito a Wifi. Isto, claro, nas unidades equipadas com toda esta panóplia digital.

Já mencionei o tablier digital no ensaio da V40, mas para quem está a ler pela primeira vez, refiro que este tablier é outro ecrã digital a que a Volvo chama Display Digital Adaptativo. Podemos escolher três temas (Elegance, Eco e Performance), cada um adaptado a um género de condução ou de estar na vida. É uma aplicação apenas extraordinária e muito informativa, pois recebe comandos vários. Ver para crer.

Para terminar este segmento, falo ainda do pára-brisas aquecido e os espelhos retrovisores com escurecimento automático que é opcional do espelho interior. Tudo addons que firmam bem esta politica de segurança levada ao máximo pela marca sueca. E digo eu, ainda bem! Senti-me, para alem de muito confortável, apoiado e seguro. E não é isso que se procura num carro?

 

Conclusão

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Esta versão D4 tem um motor de 163cv, o que pode até parecer pouco para tão gande “camião”, mas quem quiser pode abrir mais os cordões à bolsa e escolher o D5, já com 215. O que salta à vista é que a força está lá, embora por vezes de forma muito ruidosa. Lembro-me de uma subida bastante íngreme em que puxei bem pela primeira e toda a gente ficou a olhar. Não há milagres, mas eles até são quase reais quando se nota que a insonorização para o interior toca a perfeição. Com tudo isto, quase que me esquecia de mencionar que a média de consumo é muito interessante. A marca aponta 5,3 litros a cada 100km, mas eu gastei mais um bocadinho em circuito muito misto e condução também variada, mas nem cheguei aos 7.

Percebi o amor que se sente pelo XC60 e porque é este o best seller da marca, quando tem tantos trunfos para se impor num mercado que, infelizmente, continua a sua demanda por logótipos mais dispendiosos e até menos bem construídos. Mas o mercado é assim e a Volvo sabe disso, daí continuar a ser paciente porque sabe, mais tarde ou mais cedo, que um cliente ganho é um cliente para a vida.

No meu caso, era já! E reparem que o que eu compraria num ápice era a V40, linda como só ela. Mas depois de experimentar os 60 e o 80, rendi-me um pouco a esta evidência do XC. Mas só se tivesse uma casa de campo ou que gostasse de aventura fora de portas. Uma V60 servia-me que nem ginjas (e por falar nisso, os ensaios já foram feitos).

Numa palavra, fiquei rendido à gama e ao XC.

XC60

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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