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Já me tinha acontecido com o primeiro Surface Pro e, confesso, agora que experimentei o Pro2 mantenho, aliás, reforço a minha dúvida: será este equipamento um tablet ou um PC?

Esta é a verdadeira questão, pois se o olharmos como tablet é um ‘maquinão’ fantástico mas que não é prático devido ao peso. Se o olharmos como PC é um fabuloso ‘ultra-híper-portátil’ com grande autonomia, poder de processamento e um teclado que me agrada sobremaneira.

O Surface Pro2 encanta assim que o retiramos da caixa, tal como a primeira versão o conseguiu. Uma qualidade de construção soberba que nem podemos comparar com a concorrência, pois existem poucas soluções neste enquadramento. Este corpo feito em magnésio transpira qualidade e durabilidade, dando mesmo um toque de luxo a este Surface. Exteriormente é pouco diferente da primeira versão. Encontramos a muito útil tampa que se dobra para servir de base vertical e que, neste Pro2, brinda-nos com dois ângulos. A própria Microsoft fez grande alarido desta especificidade mas, confesso, não compreendo porque continua a ser tão limitativa. Para uma utilização perfeita, nem posso estar preocupado com isso. Pura e simplesmente, puxo ou empurro o ecrã para o ângulo que me dê jeito, como faço num laptop. Claro que prefiro ter duas em vez de uma possibilidade, mas não façam disso uma mais valia. É até, pessoalmente, um problema que tem de ser ultrapassado no Pro3. Já agora, deixo um recado: seria bom que essa mesma base fosse aborrachada ou, vá lá, tivesse uns pés com acabamentos plásticos. Não me senti confortável ao arrastar o Pro2 na mesa de madeira…

Mas vamos aos pontos fortes e um deles é o ecrã de 10.6″ Full HD (1920 x 1080). De grande qualidade, consegue cores reais em qualquer situação e o Windows 8.1, que gosta de mostrar o arco-iris em algumas situações, é o S.O. perfeito para apreciar toda esta dinâmica.

Mas, voltando à questão «será um pesado super tablet ou um PC híper-portátil?», a funcionalidade destes ecrãs que ficam a meio da tabela, se assim posso dizer, é para mim pouco óbvia. Se é grande para certas funções e aplicações, é-me demasiado pequeno para, por exemplo, abrir um ficheiro word e escrever este mesmo texto. Podem pensar «lá está ele, isto é um tablet, um tablet» mas a culpa é da Microsoft! Quem a mandou fazer um tablet que é um computador pleno? E, pior, com preço a condizer?

De salientar a ligação USB 3.0 que felizmente começa a ser padrão, uma mini DisplayPort e entrada microSD.

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O coração

Temos de admirar este Pro2, nem que seja por estar equipado com um processador i5 4200U com GPU Intel HD4400 e que corre uma versão completa do mais moderno sistema operativo da Microsoft, o Windows 8.1. De salientar que a extraordinária rapidez (coloca num canto o meu portátil PC e chega mesmo a ser tão ou mais rápido que o também meu Macbook Pro) se deve também aos 4 ou, atenção, 8GB de RAM. Sim, é a tal questão tablet/PC. Segundo os dados da marca, este Pro2 melhora em 50% (GPU) e 20% (CPU) o seu desempenho face ao modelo que substitui. A bateria, que é um dos pontos menos positivos do Pro, melhorou cerca de 75% e isto, na verdade, coloca-o na prateleira dos hiper-super-laptops de viagem empresarial.

Melhor ainda para quem é Pro na arte da edição vídeo: diz-se que se consegue editar vídeos com uma resolução de até…. 6K.

Para os muito ricos, ou com empregos muito bons, adianto que se pode escolher o Pro2 com disco de 64GB (cerca de 900 euros) até 512GB (quase 1800 euros) e que podemos aumentar e usar a RAM até 8GB.

Entendem agora porque me é tão difícil encarar o Pro2 como um tablet?

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Magnético

Uma das características fantásticas dos Surface são as capas (com ou sem teclas em relevo) que podemos comprar para lhes juntar. Calhou-me a nova Touch Cover 2 que, incrivelmente, tem iluminação backlight. Qualquer delas é ligada através de um poderoso íman, dando até a sensação que podemos pendurar o tablet por ela. Não o façam com este Pro2… pode ser que seja possível, mas algo me diz que o peso e a física e o Newton têm alguma experiência neste tipo de… experiências.

Estes teclados são, apenas e só, fantásticos! Perfeitos para os meus dedos, com a pressão adequada. É incrível observar estas capas com dupla função, uma novidade que surgiu no ano passado e que fez correr muita e boa tinta.

Aliás, se seguem o Xá das 5, já leram posts sobre possíveis capas com outra funcionalidade, principalmente na área do Djeeing ou produção áudio. Tantas, mas tantas hipóteses se abrem neste sector que não entendo a demora de soluções…

Infelizmente, a MS optou por um carregador próprio (à má semelhança da Apple) que também se conecta magneticamente ao corpo do Surface. Mas porquê? Para limitar o transporte dos Surface? Não entendo esta política, principalmente quando foi votada e assumida uma lei europeia que resume a uma opção todos os carregadores para smartphones.

A stylus que vem incluida no pacote do Pro2, conecta-se também da mesma forma ao corpo do tablet. Não é original (a Sony, por exemplo, também a usa), mas é muito prática enquanto trabalhamos com o equipamento numa mesa. O funcionamento é prático, rápido e muito preciso, sendo uma ferramenta perfeita para edições de pormenor ou escrita manual.

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Operação

É fácil gostar deste Surface Pro2 e muito deve-se ao Windows 8.1. Podemos dividir o ecrã em duas áreas de trabalho, mesmo com Apps, o que é cada vez mais usual, evidenciando o muito badalado multitasking. Diz-se que este S.O. foi pensado para tablets, mas sou utilizador num computador antigo (não táctil) e dou-me francamente bem.

Como fui mencionando, a capacidade de processamento do Pro2 é francamente boa, catapultando-o para valores que nada têm a ver com a utilização em «modo tablet», portanto esquivo-me a repetir algumas noções. De salientar, contudo, os dois ambientes de trabalho distintos, sendo o interface Metro cada vez mais apelativo com as aplicações que surgem em catadupa.

Tenho, forçosamente, de vos mencionar uma das grandes surpresas: existe uma ranhura que acompanha toda a traseira do Surface. Se em baixo serve como espaço de refrigeração, em cima esconde as colunas de som. Ora a estereofonia deste Surface é evidente e fantástica, com uma imagem sonora rica e tridimensional, se percebem onde quero chegar. É um grande plus, principalmente para quem está habituado aos resultados medíocres da maior parte dos laptops que se fazem ouvir por aí. 

Mesmo melhorada em relação à anterior, a vida útil da bateria tem tudo a ver com a forma como utilizamos o Pro2. Se tivermos tudo ligado, desde bluetooth ao wifi, backlight e 80% do brilho do ecrã, não há milagres. E, mais uma vez, temos de pensar se estamos a trabalhar num tablet se num PC. Para o primeiro não é bom, para o segundo é e muito.

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Conclusão

Depois de tudo, fiquei na mesma: é o Pro2 um belo ultra-portátil ou um tablet fora de série mas que pesa demais?

Vou tratá-lo como tablet, pois e na verdade, as capas/teclado são extras e custam um dinheirão.

Desta forma, temos de perceber para que queremos um tablet. Será que é um substituto do nosso próprio computador de trabalho? Em muitos aspectos, está equipado com o último grito tecnológico, é muito transportável, tem uma bateria q.b. e ligações suficientes. Mas é, realmente, demasiado pesado para se utilizar com o apoio de uma mão enquanto escrevemos com a stylus ou o dedo da outra. Com a capa acoplada, não é fácil estende-lo no colo, no sofá, na cama. Mas é perfeito para trabalharmos numa secretária ou mesa de cozinha.

Fico novamente com a sensação do primeiro Pro: é um ‘maquinão’, agora nesta versão ainda mais completo, polido, equipado e rápido. Se eu for um profissional que anda constantemente em viagem, pode ser o companheiro ideal. Mas se procurar um tablet apenas porque quero ter um complemento aos equipamentos com que já trabalho, é demasiado caro e pesado.

É preciso saber, acima de tudo, escolher. De qualquer forma, pode vir um para substituir o meu laptop PC! 

 PVP: aprox 899 euros

Características Técnicas

  • Software

    Windows 8.1 Pro

  • Exterior

    Dimensões: 274 x 173 x 13,5 mm

    Peso: 900 g

    Estrutura: VaporMg

    Cor: Titânio escuro

    Botões físicos: Volume, Ligar/desligar

  • Armazenamento* e Memória

    64/128 GB     256/512 GB

    ————————–

    4 GB de RAM      8 GB de RAM

  • Ecrã

    Ecrã: Ecrã ClearType Full HD de 10,6 pol

    Resolução: 1920 x 1080

    Proporção: 16:9 (ecrã panorâmico)

    Toque: Multitoque de 10 pontos

    Ecrã resistente

  • CPU e Rede sem Fios

    Processador Intel® Core i5 de 4.ª geração

    Chip TPM para segurança empresarial

    Rede sem fios: Wi-Fi (802.11a/b/g/n)

    Tecnologia Bluetooth 4.0 de Baixo Consumo

  • Duração da Bateria

    7-15 dias de autonomia em inatividade

    É carregada em 2-4 horas com a fonte de alimentação incluída

  • Câmara, Vídeo e Áudio

    Duas câmaras HD de 720p, frontal e posterior

    Microfone

    Altifalantes estéreo

  • Portas

    USB 3.0 de tamanho integral

    Leitor de cartões microSDXC

    Entrada para auscultadores

    Mini DisplayPort

    Porta da Capa

  • Sensores

    Sensor de luz ambiente

    Acelerómetro

    Giroscópio

    Magnetómetro

  • Garantia

    Garantia de hardware limitada de 1 ano

  • Caneta para Surface

    Incluída

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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1 comment

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  • Parece-me que a Microsoft está chegando cada vez mais perto do seu objetivo. Li extensivamente sobre o surfar pro 2 e decidi comprar o iPad Air. Um aparelho fantástico onde tudo funciona. Tem lá suas limitações, claro, mas ele é um ótimo complemento para o seu lactou ou desktop. Você disse exatamente tudo, o surfar embora seja uma máquina excelente, e demasiado pesado e na minha opinião não acho a forma do desktop do Windows confortável para ser utilizada em telas pequenas. Acho que na próxima versão ele será melhor e mais rápido.

Breves

Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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