Ensaio LG OLED E6, o televisor à frente de todos os outros.

10 Design
10 Construção
10 Inovação
10 Qualidade
9 Factor X5
9.8

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Passei recentemente pela dificuldade que é escolher um novo televisor de 55″ que aguente, pelo menos, uns 10 anos de bons e qualitativos serviços. Tenho, como todos nós, marcas favoritas em determinados segmentos e sempre fui nipónico aquando a compra de um novo televisor. Culpo o meu pai que escolheu um dos primeiros NEC a cores e que só no ano passado, sim leram bem, só no ano passado o coloquei no lixo. Ainda funcionava com o botão físico da saturação de cor no máximo e o som (uma coluna apenas) ainda se fazia ouvir.

Lembro que o meu primeiro TV (no quarto da casa parental) foi um Toshiba porque, pura e simplesmente, tinha duas colunas estéreo. Aguentou-se até eu sair de casa e a partir daí continuei a comprar televisores nipónicos até ao que agora foi mudado, um fabuloso Sony de 37″ que está agora na parede do quarto pois ainda funciona como novo mesmo ao fim de 10 anos de muito trabalho.

Não vou escrever aqui qual é o novo modelo que está na sala, mas fiquei muito satisfeito com a compra. Durante meses andei a estudar fichas técnicas, características, tudo e mais alguma coisa e cheguei a uma conclusão: existem quatro ou cinco excelentes produtos. Porém, e atentem no que vos digo, se tivesse mais 3x o dinheiro para gastar num novo televisor, este LG E6 poderia muito bem ser o escolhido. E porquê? Bom, porque é capaz de ser a melhor imagem à venda no mercado.

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O que é o OLED?

Antes de mais, tempo para explicar através do Wikipedia o que é afinal esta recente tecnologia denominada OLED: Um OLED (organic light-emitting diode, diodo emissor de luz orgânico) é um Diodo emissor de luz (LED) em que a camada de emissão electroluminescente é um filme orgânico que emite luz em resposta a uma corrente eléctrica. Esta camada de semicondutor orgânico fica situado entre dois eléctrodos. Geralmente, pelo menos um destes eletrodos é transparente.  O que esta LG OLED E6 tem de diferente de todas as outras (bom, enfim, existem alguns modelos de outras marcas mas nem chegam aos dedos de uma mão) é exactamente este tipo de painel cujos diodos têm luz própria ao invés de todo um painel LCD que necessita de iluminação posterior. E se cada um emite a sua própria luz, isso significa que cada um também pode ser desligado individualmente. O que se ganha com isto? muito mais precisão e um preto que é realmente preto (sem qualquer tipo de iluminação). Automaticamente, obtemos uma qualidade de imagem ímpar, extraordinária mesmo. Sim, a LG tem aqui, senão o melhor (a Sony ripostou este ano com a apresentação de um modelo na IFA embora LCD), um dos melhores televisores da actualidade. E isto é dizer muito.

Então vamos lá às características técnicas, pelo menos, às mais sonantes e que são procuradas pelos mais interessados e conhecedores (e neste caso, endinheirados): Ultra HD Premium 4K, HDR,  Dolby Vision, 10 bits de cor e BT.2020. Um último apontamento mais técnico: a LG suporta os standards HDR10 e Dolby Vision HDR que mudam consoante as necessidades os modos de imagem por default: Vivid, Bright e Standard que têm os seus sub-menus que nos permitem escolher o tipo de imagem que mais nos agrada para ver filmes ou desporto ou concertos. Tudo isto garante uma imagem quase sempre uniforme mas, aqui e ali, senti que o centro estava um pouco mais escuro que as extremidades, mas com um ligeiro toque nas percentagens do brilho e saturação, resolvi o assunto ou pelo menos a percepção que tive.

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Depois de explanar toda esta complexidade técnica, chegou a hora de poder explicar mais facilmente como é que este televisor é incrivelmente fino: sim, a história dos diodos outra vez! É que torna possível juntar dois painéis de vidro sem qualquer tipo de caixilho. Os designers conseguiram um efeito extraordinário e difícil de explicar por palavras. Vamos a um exemplo: estão a ver a espessura do vosso smartphone? É capaz de ser mais fino! A marca chama a esta técnica “Picture-on-Glass” que é auto-explicativo.

Logicamente que a base é mais larga porque as ligações ainda precisam de espaço, certo? Quanto a elas, temos quatro entradas HDMI que passam sinal com resolução 3840×2160 a 60Hz com HDCP 2.2. Vejam o seguinte quadro.

Wifi(Wifi Direct) 802.11.ac
Bluetooth Yes
RF In 2 (RF, Sat)
Component In (Composite Share) 1 (Gender)
Digital Audio Out (Optical) 1
HDMI 4 (HDMI 2.0a)
LAN 1
RS-232C (Control / SVC) 1 (Phone Jack Type)
CI Slot 1
USB 3 (3.0 : 1ea / 2.0 : 2ea)
Headphone out / Line out 1/1

E o áudio?

Aquela barra de som tem um desenho muito conseguido, perfeitamente de acordo com o super ecrã e promete um resultado potente e pouco comum nos televisores flat (nenhum, contudo, ultrapassará nesta questão a Sony X9). O sistema está assinado pela Harman/Kardon que espremeu 40 W de potência para dentro do pequeno espaço. Tem DTS e “Oled Surround”, talvez para se ver filmes no “odioso” sistema 3D (está também incluído nesta E6) e promete sincronismo via saída óptica e wireless. A acompanhar os modos de imagem, também podemos escolher entre seis tipos de expressão sonora: Standard, Clear Voice III, Music, Cinema, Sport e Game. Há também processamento para aclaramento de voz para a colocar mais à frente do restante som.

O resultado de todo este menu percebe-se na clareza do som e no tratamento muito equilibrado em todos os tipos de reprodução. O estéreo está bem definido assim como as frequências médias que fazem de cama para uns agudos bem conseguidos e vibrantes. Os graves estão lá e, na verdade, não podemos pedir muito mais deste tipo de solução. Contudo, pareceu-me que o nível geral do volume é um pouco baixo. Avancei com o cursor até meio do caminho para sentir que estava a ver um filme de acção o que, noutros televisores de 55″ e menos dotados, já soava mais alto. Quer-me parecer que a LG preferiu o equilíbrio ao destaque das frequências altas e baixas.

A LG apresenta um sistema operativo próprio, denominado WebOS, que já vai na sua terceira geração. É dinâmico, rápido de perceber, permite alguma personalização ao alterar a ordem do menu principal, e conta com um comando mais pequeno que funciona por infra-vermelhos com a ponta de um laser que permite interacção com o ecrã. A minha unidade estava com um defeito que fazia com que o cursor descaísse constantemente para a esquerda, mas antes de “chatear” a marca com este assunto, perguntei a um colega destas lides se tinha sentido o mesmo problema ao que respondeu negativamente. Portanto, é uma não questão (com correspondente troca) mas que me levou a usar o comando tradicional. Para muitos este continuará a ser o elemento preferencial e tem tudo à mão, sendo realmente muito simples e intuitivo.

Concluindo

Este LG é entusiasmante. Possibilita tanta configuração que não foi possível perceber todas as opções no tempo em que o tive para ensaio. Só sei que ia percebendo diariamente as vantagens do sistema OLED e como, num repente, a televisão parece reinventada. Lembro-me que a Sony lançou o primeiro OLED (a célebre XEL-1) com apenas 11″ e um preço canhão de 2500 dólares no tecnologicamente distante ano de 2007 e onde já chegámos quase 10 anos depois. Com cores vibrantes, um preto e branco que se destacam e um design de topo, tem ainda 3D, um sistema operativo intuitivo (e próprio) e o comando por infra-vermelhos que tem feito furor. Mas será que compensa gastar tanto dinheiro por um televisor de 55″ quando temos outras marcas com modelos LCD a metade do preço e que não estão muito distantes em termos gerais?
O LG OLED E6 é um televisor topo de gama para um cliente topo de gama. Mas não conseguiu chegar aos 10 pontos que dei ao Sony X9. Ficou a 0,2.

PVP: entre 3500 a 4000€, convém dar uma olhada em lojas portuguesas alternativas às grandes superfícies.