Sou um confesso apaixonado pelos Civic desde… o segundo modelo e já lá vão uns anitos. O conceito tem evoluído, o tamanho também, e aquilo que até era um carro quase democrático passou a ser um típico gama média com preço a condizer, o que em Portugal, país de cinzentismo automóvel e preferência por linhas mais quadradas, não é correspondente a sucesso comercial.

Até que, na versão anterior, a Honda decidiu quebrar com todas as regras e lançar para o mercado global uma “nave espacial”. Para pessoas como eu, que gostam de botões, funções e luzinhas, foi o carro a ter. Para todas as outras, é aquele modelo que ainda suscita observações desde o “irreverente” a “estrambólico”.
Mas o sucesso comercial aconteceu pela europa (nem se fala do país mãe) e, por incrível que pareça, até Portugal conheceu umas vendas interessantes, mas podiam ter sido maiores.

Dizia o bom senso para se apostar numas linhas mais consentâneas com a austeridade actual: nem tanto à frente do campeonato geral nem tanto ao lado dos gostos cinzentões. E o que é que a Honda fez? Reforçou a diferença, ampliou a irreverência e lançou um carro que, confesso e entendo, não é para todos.

As vendas sofriam com isso, diziam alguns esquecendo que o povo português (o que ainda pode, empresarialmente ou por renting) prefere os diesel e o modelo à venda não era muito apelativo: o diesel 2.2 i-DTEC fica absurdamente dispendioso graças à fiscalidade lusitana.

As vendas do Civic não explodiam até que, num repente, os nipónicos lançam um novo motor diesel com 1600 cc e com 120 cavalos, potência q.b. e consumo muito baixo.
Resultado imediato? Aumento de 30% nas vendas nos primeiros meses de 2013.

 

 

E agora? Haverá mais desculpas? Fomos experimentar!

Este motor 1.6 i-DTEC chegou ainda a tempo de dar a volta ao percurso comercial do novo Civic e o número muito significativo de vendas pode traduzir duas novas verdades: afinal o português até gosta de linhas mais modernas e futuristas e já não é tão cinzento ou a Honda conseguiu criar um élan fortíssimo com uma imagem tão irreverente quanto apelativa em termos desportivos (por esta altura, já conseguiu o primeiro podium completo no WTCC com o Tiago em segundo) com um motor fantástico.

 

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Equipamento

Fui buscar um Civic prateado na versão Sport com bonitas jantes de 17” e bastante equipamento que começa logo no volante em pele multifunções (grosso e de excelente toque), sistema Hifi para todas as necessidades (USB, AUX, CD, etc.) e que demonstrou estar à altura do que se exige, com bom som, detalhado e potente.

Útil e imprescindível nos tempos actuais é o sistema bluetooth mãos livres para se ligar um smartphone (não foi muito fácil com o meu mas lá se conseguiu).

Mas é a instrumentalização e os seus dois andares que dominam o habitáculo (e o que me faz adorar estes novos Civic). Está menos “nave espacial” que o modelo anterior, mas ainda assim é um show de comandos, informações e luzes. Verdade seja dita, requer alguma habituação tal é a diferença para todos (ou quase) modelos desta gama.

Destaco, desde já, a câmara de vídeo traseira que, mal engrenamos a marcha para recuar, abre um ecrã com imagem a cores e com informações parking. Como a visibilidade traseira não é de referência (mesmo assim há pior), a Honda preferiu equipar de raiz o Civic com este addon verdadeiramente útil e informativo. E assim cai por terra uma das maiores críticas de usabilidade.

Este Civic está também equipado com sensores de luz (check), de chuva (não choveu durante o ensaio), cruise control com limitador de velocidade e o sistema Start/Stop (que se pode desligar) e que tem a sua utilidade no pára arranca urbano.

 

 

O motor

 

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Confesso a minha preferência por motores a gasolina, devido a muitos factores, mas se tivesse de comprar um automóvel agora, este Civic equipado com este maravilhoso 1.6 i-DTEC seria uma muito boa e racional opção.

Com 120cv de potência, 300Nm de binário e emissões de CO2 de apenas 94 g/km, este motor brilha em todas as rotações. Facilita em muito uma toada mais poupada e calma, como em cidade, sempre ali a bater os 60 km/h e a evitar os buracos desta Lisboa cosmopolita, mas estando presente e com poder de aceleração para uma repentina e brusca necessidade. Evitam-se assim alguns dissabores.

Em estrada é uma maravilha, muito constante e sem esforço, percebe-se que é poupado porque nunca se forçam as rotações mesmo numa toada constante de 120 km/h; Aliás, ajudado pelo modo ECON e pelo Cruise Control, as viagens são até muito relaxantes, também devido à boa insonorização no compartimento do motor e com correspondência no habitáculo. Não consegui as fantásticas médias de alguns dos meus colegas, pois não guiei assim tanto em auto estrada, mas consegui baixar dos 5 litros aos 100 neste percurso misto que foi a minha aventura quotidiana. E atenção que não fui amigo do ambiente de vez em quando, pois forcei quando tinha a forçar, usei de alguma agressividade em alturas do ensaio e, mesmo assim, não passou dos 5.1 l (com ar condicionado ligado, etc).

Se pensarmos nos valores indicados pela marca (3.7 l/100) e pela troca de notas com um colega jornalista que conseguiu uns impressionantes 2.8 l/100, chegamos facilmente à conclusão que este motor com nova tecnologia designada “Earth Dreams” é um trunfo sem paralelo nesta gama de motorizações.

 

 

Vida a bordo

 

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Entrar para o lugar do condutor não é das tarefas mais fáceis, mas percebe-se o porquê. Mal fechamos a porta, ficamos arrumados dentro de um perfeito casulo. Sente-se qualidade por todo o lado, com uma mistura de plásticos de diversos tipos e com bons acabamentos de montagem, algo que melhorou muitíssimo na marca.
É muito agradável estar ao volante deste Honda, principalmente para pessoas que gostam de muita informação e é fácil conseguir a posição de condução perfeita, graças aos normais ajustes do banco e volante.

Por falar em ajuste, o do volante tem mais importância nesse modelo devido aos dois andares de informação. Há que conseguir o melhor posicionamento para termos a leitura imediata em relação a todas as informações disponíveis, o que também é facilitado em altura e profundidade e é muito fácil chegar à melhor posição para qualquer estatura.

Para as pessoas mais clássicas, existe uma curva de aprendizagem maior, mas passado poucos dias tenho a certeza que tudo se apreende no habitáculo. Mas convém ler o manual de instruções nem que seja na perpendicular, tal é o número de funções e operações.

O espaço para os passageiros é muito bom e para quem vai atrás do condutor, geralmente o lugar com menor espaço para as pernas, está à vontade (como podem ver pela foto).

O conforto é notório, os bancos são confortáveis e a suspensão, dura q.b. nessa versão Sport, filtra bem as irregularidades do piso, garantindo a quem guia uma percepção imediata do comportamento do veículo, o que o torna fácil de guiar e garante uma confiança acrescida.

Existem locais de arrumação de boas dimensões, e as ligações áudio ficam bem colocadas (e escondidas) numa gaveta de grandes dimensões ao centro do habitáculo. A ligação por USB de uma simples caneta ao sistema Hifi é rápida e directa, com toda a informação a ser disponibilizada no ecrã do sistema.

O volante, para além do computador de bordo e dos controlos Hifi, tem ainda uma terceira linha de botões que permite comandar o smartphone previamente ligado. Ou seja, é verdadeiramente o super comando do Civic.

Situações menos positivas, a qualidade dos comandos nas portas (também com plásticos de menor qualidade) e o posicionamento do comando que abre o tampão de combustível. Colocado demasiado baixo, obriga-nos a sair do carro para conseguir puxá-lo. Algo a rever pela Honda. O da abertura do motor está ao lado.

 

A função Econ e Start & Stop

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Um enorme botão verde demonstra que estamos perante um motor poupado cuja engenharia é moderna e muito eficaz. Existe uma legenda colorida dos lados do conta quilómetros (digital) e, dependendo da forma como guiamos, a cor vai mudando mostrando-nos que estamos a pisar demasiado no acelerador (de verde para azul). Temos ainda mais informações disponibilizadas pelo computador de bordo que também nos vai informando do que estamos a gastar e da forma como o gastamos.

 

 

 

 

 

Impressões finais

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Gostei muito desta nona vida do Civic e, embora aprecie mais o design exterior da anterior, (apenas tenho dúvidas nos faróis traseiros demasiado salientes deste modelo), gosto muito das linhas ousadas e, acima de tudo, radicalmente diferentes de toda a concorrência.

A qualidade aumentou e os interiores são muito convidativos e confortáveis, com espaço muito satisfatório para todos os ocupantes. A mala é profunda (tendo até dois níveis) e pode transportar muita bagagem, sendo das maiores da sua classe (400 + 70 litros). O conforto é ampliado pelos espaços de arrumação, tecnologias Hifi com várias possibilidades de ligação, o kit telemóvel e os vários sensores que ajudam à condução.

O motor é fantástico! Responde bem, é espevitado e está presente para uma qualquer necessidade. É um prazer guiar este Honda tanto em circuito urbano como em estrada ampla.

A direcção é muito precisa, assim como a suspensão que mesmo sendo desportiva, não transporta para o interior e para os passageiros essa relativa dureza. Mas como prefiro carros com este tipo de comportamento, não é difícil gostar.

A poupança de combustível é real e os valores anunciados e conseguidos uma extraordinária surpresa e, atenção, uma força de vendas sem paralelo.

A concorrência que se cuide porque o Civic alia um motor soberbo, uma qualidade de construção que se sente, um design que não deixa ninguém indiferente (e que na versão da futura carrinha é consensual), muito equipamento (na versão ensaiada) disponível e que o elevam a um patamar superior e um estradista competente. Muito competente.

Alguns truques não são visíveis a olho nu, como estar equipado com um eixo traseiro de barra de torção e com o depósito do combustível colocado ao longo da linha central do carro. Este layout único oferece grande espaço e versatilidade interior (permitindo a instalação do sistema de Bancos Mágicos da Honda), uma imensa maior valia em relação a muitos concorrentes, verdadeiramente útil e que, por exemplo, permite arrumar uma bicicleta facilmente (desde que não se transporte passageiros atrás).

E pela primeira vez, o Xá das 5 vai dar notas de 0 a 10.

  • Design                             7
  • Motor                                       10
  • Comportamento              8
  • Conforto                                  7
  • Equipamento                      9  (na versão ensaiada)

 

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Ficha técnica:

Ficha Técnica:
Modelo – Honda Civic 1.6 i-DTEC Sport Motorização – 1.6 i-DTEC Potência – 120 Cv (4000 rpm)
Binário – 300 N m (2000 rpm) Peso – 1310 Kg Consumo – 3,7 l/100km Emissões CO2 – 98 g/km Velocidade Máxima – 207 km/h Aceleração – 10,5s 0-100 km/h
Preço – a partir de 23.850 €

 

Alguns dados oficiais

Tecnologia Earth Dreams

 

Filosofia

“O ponto central da filosofia da nossa Tecnologia Earth Dreams é equilibrar a eficiência ambiental com a performance dinâmica que se espera de um produto Honda,” disse Suehiro Hasshi, Chefe de Projecto de toda a gama Civic para a Europa, incluindo o 1.6 i-DTEC. “É importante que os nossos carros tenham uma condução divertida.”

A nova geração de motores Earth Dreams estreia-se na Europa com o motor Diesel i-DTEC de 1.6 litros. Este motor irá também equipar o novo CR-V durante o próximo ano e a filosofia da Tecnologia Earth Dreams será aplicada a todas as motorizações Honda no futuro.

“Esta é uma nova abordagem, criada desde o zero,” comentou Tetsuya Miyake, Líder de Projecto do motor 1.6 i-DTEC. “Não seguimos nenhum padrão estabelecido porque nenhum dos existentes estava à altura dos nossos objectivos. A nossa determinação era estabelecer o nosso próprio padrão, e que venha a ser uma futura referência do segmento.”

Elevada Performance, Baixas Emissões

Tudo no desenvolvimento deste motor teve a ver com engenharia, pura e inteligente,” comentou Suehiro Hasshi. “A nossa motivação foi obter várias melhorias de pormenor que, em conjunto, fizessem uma enorme diferença. Este é o desafio e a beleza proporcionada pela filosofia da Tecnologia Earth Dreams.”

Mais importante que o desenvolvimento de uma versão específica, mais amiga do ambiente, a Honda oferece o novo 1.6 i-DTEC como uma extensão à gama Civic. “Não quisemos criar uma versão especial e sacrificar algumas das dinâmicas de condução”, afirma Tetsuya Miyake. “Quisemos construir um automóvel divertido de conduzir e com um equilíbrio correcto de características. Toda a equipa de investigação trabalhou em conjunto de forma a atingir o estágio de desenvolvimento apropriado para a performance do motor. Este é um ‘automóvel total’.

Este conceito é extensível às revisões feitas ao nível da aerodinâmica e da suspensão de forma a optimizar o Civic com o novo motor 1.6 i-DTEC. “Ao reduzirmos a massa do novo motor, fomos capazes de criar um automóvel muito ágil e ligeiro, sem comprometer o conforto da condução.”

Revisões subtis no estilo exterior permitiram reduzir o arrastamento aerodinâmico e melhorar a estabilidade a alta velocidade. Para além disso, o novo Civic i-DTEC 1.6 está equipado com o mesmo sistema de grelha de persiana que equipa o Civic i-DTEC 2.2 litros, melhorando a eficiência aerodinâmica do carro.

O Motor Diesel Mais Leve da classe:

O novo motor Honda 1.6 litros i-DTEC é composto por uma cabeça em alumínio acoplada a um bloco de topo aberto também em alumínio. Este é o motor diesel mais leve na sua classe, pesando menos 47 kg do que o motor Honda 2.2 i-DTEC.

Todos os componentes individuais foram redesenhados para minimizar o seu peso e tamanho e as avançadas técnicas de produção ajudaram a reduzir ainda mais o peso.

A espessura das paredes dos cilindros foi reduzida para apenas 8 mm, em comparação com os 9 mm do motor 2.2 litros i-DTEC. Esta é uma conquista excepcional para um motor diesel. Para além disso, neste novo motor foram usados pistões e bielas de menor peso.

Comparação dos Modelos Concorrentes do Civic

ModeloCIVIC
2.2 i-DTEC
CIVIC
1.6 i-DTEC
VW GOLF
1.6 Cdi BMT
AUDI A3
1.6 CDI I/S
FOCUS
1.6 TDCi
FMC M/Y12YM13.5YM11YM11YM11YM
Depósito (L)5050555553
Capacidade de
Bagagem (L)
400 + 70400 + 70350370363
Peso (kg)140013461393 (5D)13901344
Sistema I/Sooooo
Transmissão6 MT6 MT5MT5MT6 MT
Consumo (L/100km)4,23,63,84,24,2
CO2 (g/km)11094107102109
Potência (cv)150120105105115
Binário (Nm)350300250250285

 

 

 

 

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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