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Num repente, preciso de um tablet para um trabalho e, como sabem se são habitués neste blogue, nunca senti necessidade de ter um, pois como a minha vida é escrever, optarei sempre por um teclado muito bom em vez das capas opcionais ou unidades que se encaixam ou até mesmo emparelhamentos de acessórios por bluetooth para qualquer tablet.

Sempre achei que um portátil, e o meu Macbook ainda resiste ao fim de alguns anos, serve perfeitamente para o que faço. Mas é pesado, confesso, e transportá-lo daqui para ali durante um dia pode ser penoso.

Mas que tablet escolher para este trabalho que me exige alguma liberdade de movimentos, pouco peso e boa qualidade de ecrã, pois vou escrever no exterior a maior parte do tempo?

Como Xá das 5, é-me facultado o ensaio a inúmeros equipamentos, entre eles muitos tablets, mas nem todas as marcas estão interessadas no mercado português e muito menos na opinião de uns quantos utilizadores mais atentos.

Por exemplo, foi-me impossível até agora ter um único Apple para ensaio, seja smartphone, tablet ou até mesmo computadores. Quase uma tragédia para quem até utiliza Mac há muitos anos, não é? Vou tendo noção da evolução quando um amigo compra algum. (felizmente, parece que a Vodafone vai desempenhar o papel que seria da Apple e dos seus representantes lusos muito brevemente e facultar-me os equipamentos da maçã. Até lá, nada a fazer).

Num repente, recebo um email de uma nova empresa denominada G.O.D., e eu, que tanto gosto de trocadilhos, apressei-me a entrar em contacto com o Duarte Neves, um dos sócios da Gadgets On Demand para combinar um ensaio a este serviço.

A G.O.D. aluga smartphones e tablets ao dia (outras soluções estão pensadas para cada tipo de necessidade) e tem uma oferta sempre crescente que podem conhecer no site oficial, assim como o processo e as obrigações contratuais.

Os preços são muito simpáticos para quem necessita de um equipamento durante um par de dias ou mesmo uma semana. Pode utilizá-lo como quiser sem ter de adquirir um particular modelo (muitas vezes sabemos que após o entusiasmo inicial, o tablet fica esquecido em cima de um móvel).

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Este serviço é também ideal para quem viaja, para jovens que querem experimentar as aplicações que desenharam nos vários sistemas operativos (a G.O.D. tem Android, Windows 8, iOS) durante alguns dias sem ter de gastar uma fortuna na compra do que é essencial. Como o Duarte sublinha, “queremos ser parceiros para freelancers, startups e empresas que desenvolvem software para dispositivos móveis e que necessitam de todos os equipamentos disponíveis para testar a compatibilidade das suas aplicações num campo em que existem cada vez mais dispositivos com diferentes especificações”.

Este posicionamento tem a ver com o próprio embrião da G.O.D., pois tudo começou em Dezembro de 2012 quando Duarte Neves aceitou desenvolver a App InvoiceXpress para Android e percebeu que teria de usar um terminal com esse sistema operativo ao invés de emuladores. “No seguimento do lançamento da aplicação InvoiceXpress no mercado, notei que os meios usados para divulgação foram os ditos comuns, redes sociais e newsletter. Pensei logo que seria interessante convidar alguns clientes e fazer a apresentação da aplicação InvoiceXpress Android nas instalações da empresa. Um evento deste género traria à empresa duas vantagens no imediato. Primeira, feedback sobre a aplicação antes do próprio lançamento oficial no mercado. Segunda, aproximação entre empresa e cliente. Surgiram logo algumas questões: Onde podemos adquirir, por um período de tempo curto, dispositivos para realizar este evento? Poderiam os clientes usar os seus próprios dispositivos? Mas todos teriam equipamentos Android? E qual seria a versão do sistema operativo? Foi no seguimento desta ideia de realização de um evento de apresentação que surgiu a área de Eventos da Gadgets on Demand.”

O serviço serve quem realmente necessita da ferramenta de trabalho como também, numa outra tónica, os “pavões” que querem exibir o iPhone a alguém ou em alguma festa vip que, como sabemos, é um grande “mercado” em Portugal. A Gadgets on Demand responde a todo um conjunto de necessidades com um serviço muito pessoal, visto que nos entregam e levantam no local e horas combinadas e, logicamente, também pisca o olho a este tipo de clientela. Afinal, é uma empresa que investiu muito capital nesta grande aventura.

Como um dos tablets que me falhava na lista dos ensaios era precisamente o novo iPad, foram-me entregues no dia e na hora combinados, e em mão, as mais recentes versões, Air e Mini 2. O ensaio a ambos será publicado em breve, mas a G.O.D. facultou-me a oportunidade de perceber as diferenças entre ambos e chegar à conclusão de qual é o melhor (para mim). E, desta forma, posso também compará-los com todos os tablets que me chegam às mãos dos outros fabricantes.GOD3

Este serviço fez-me lembrar, nos idos 80, a Radio Rentals que me facultou uma televisão a cores e um leitor VHS durante os tempos que passava em Londres. Sempre achei que seria um serviço fantástico para importar para Lisboa, mas percebi muito depressa que, já nessa altura, os portugueses gostam mesmo de gastar um dinheirão no que querem ter, não obstante o facto de saberem que por daí a seis meses o que lhes custou uma fortuna pouco vale em segunda mão.
Portugal é, quanto a mim, o país certo para este tipo de negócio, mas os hábitos de consumo são mais emocionais que racionais.

Pode ser que a moda do renting ou ALD passe do sector automóvel para os restantes, promovendo o aluguer durante um tempo específico e a troca por um modelo mais recente ao fim de três ou quatro anos.

Esta é a real importância da Gadgets on Demand que, para além do seu core business, poderá também perceber ou antever uma mudança dos hábitos de consumo de uma sociedade que se vê a braços com uma crise profunda e duradoura. Para já temos acesso a um bom número de smartphones, tablets e câmara de acção GoPro (e respectivos acessórios). Quem sabe se para o ano não me chegará um email do Duarte a anunciar que a G.O.D. estendeu os seus serviços a TVs, HiFis, câmaras fotográficas/vídeo, frigoríficos, máquinas de lavar, microondas, robots de cozinha e, orque não, exoesqueletos….   dá vontade de dizer: in G.O.D. we trust!

 

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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1 comment

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  • Não é que os portugueses gostem de gastar, mas tudo depende do uso. Se o utilizador precisa de um tablet apenas por um dia, então o preço da GOD é razoável, mas se o aluguer for por um tempo grande, não vale a pena. Um ano a 7 euros por dia resulta num custo anual de 2555 euros por um iPad que custa 489 euros na loja.