Ensaio Citröen Cactus (versões diesel e gasolina)

7 Conjunto
9 Equipamento versão e-HDI
7 Equipamento versão PureTech
5 Condução versão e-HDI
7 Condução versão PureTech
8 Conforto
7 Factor X5
7.1

 

 

 

 

 

Ensaio Citröen Cactus

Confesso que tinha muita curiosidade em relação a este novo embaixador da irreverência e originalidade gaulesas e, logo num primeiro impacto, fiquei rendido a este novel C4 Cactus. Tive a oportunidade de experimentar a versão diesel 1.6 e-HDi de 92 cv Shine Edition Moonlight e a gasolina 1.2 Puretech 82 cv Feel Edition Silver. Foi uma semana em que me julguei um Brad Pitt, tantos os olhares que me fitaram às passagens por diversos bairros lisboetas e algumas vias rápidas. Uma coisa é certa: este é um carro absolutamente masculino.

Ensaio Citröen Cactus

Explico porquê: nenhuma senhora que conheço gostou dele, visualmente falando. Embirraram com a frente, com os airbumps (mesmo quando lhes disse que podem escolher entre quatro cores), com o desenho das jantes, com as barras no tejadilho. Tudo serviu para um apontamento critico e um olhar depreciativo. Contudo, e uma vez no interior, a opinião mudava. Mas já lá vamos. Os homens são imediatamente atraídos pelo Captur. Se são unânimes na apreciação, já não posso dizer, porque não tinha feito outra coisa senão apontar todas as opiniões durante os dias em que pude experimentá-los. Mas um questionário a quem me está próximo e um pedido de um cliente Citröen que, com o seu C4 estacionado veio ver o interior do “meu”, mostraram que estamos perante um automóvel que pode fazer história.

 Ensaio Citröen Cactus

O encantamento

Posso já dizer que gosto muito deste conceito dos airbumps, principalmente duas semanas após um qualquer malandro me ter “assinado” o lado esquerdo do meu próprio carro com uma chave e de uma ponta à outra. São “acidentes” deste género, para além dos mais tradicionais encostos com as portas ou carrinhos de supermercado, que maltratam o corpo dos automóveis que vivem na cidade.

Ensaio Citröen Cactus

É também o elemento de maior destaque visual neste novel Cactus, e quando pressionamos estas bolhas de ar, percebemos que a solução funciona. E na perfeição. O conceito do airbump continua na frente e traseira do Cactus, mas em vez de um elemento com altos e baixos, a Citröen optou por transformar todas as secções inferiores, que englobam o pára-choques, com painéis plásticos muito sensíveis a qualquer tipo de pressão. Pelo menos foi o que constatei quando empurrei com a mão alguns espaços mais “usados” pelos pára-choques dos outros carros cujos condutores não sabem estacionar e só chegam lá de “ouvido”. Mas também percebi que, num acidente mais duro, seremos obrigados a mudar todo o painel cuja dimensão é… grande.

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Visual e exteriormente, as linhas são simpáticas, joviais, inovadoras. É um automóvel urbano que tentou, e conseguiu, criar um mix entre um SUV e um desportivo, pois às jantes de 17” (opcionais) e com todos os elementos plásticos que reforçam o aspecto SUV, foi escolhido um desenho lateral muito fluido e de perfil baixo, opção pouco usual neste tipo de veículos. Fica assim esguio e com dinâmica acrescida. Gosto menos da frente com um ar “sapudo”, mas é divertida e os faróis com iluminação led diurna, colocados já no capot (solução já apresentada no C4 Picasso) emprestam-lhe um ar quase de nave espacial, aliás, uma exclamação de um jovem que o admirou em alto e bom som. Na traseira, preferia que essa tendência de faróis esguios e elevados tivesse continuação, mas a Citröen preferiu escolher uns faróis que até nos fazem recuar para o tempo do BX, lembram-se? O portão também tem uma posição de carga muito elevada, o que não é prático, mas poderá ter a ver com a tal solução dos pára-choques preparados para encostos mais drásticos.

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A versão diesel, a mais equipada, com caixa automática, é a mesma utilizada na publicidade que se vê por todo o lado, ou seja, com um bem conseguido equilíbrio entre um cinza muito claro, plásticos pretos e airbumps em castanho. Já a versão a gasolina, bem mais básica, apresenta-se nesta versão ensaiada em tons cinzentos, tornando o Cactus muito mais mortiço mas, mesmo assim, sem passar despercebido nas ruas. Já vi um anúncio com uma opção em amarelo pinto e… não ia por aí. Mas gostos não se discutem.

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O interior

 

Regressando às opiniões masculina e feminina, foi sem surpresa que percebi que o desenho e as opções no interior do Cactus já são unissexo. O menino gosta do imenso ecrã táctil, a menina do enorme guarda-luvas que até parece uma LV (na versão com tachas, ou seja, topo de gama). A simplicidade do conceito é reforçada por um segundo painel digital, o de instrumentos, bem colocado e com uma legibilidade notável, tendo em conta que não tem o tradicional pára-sol a ajudar.

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Na versão melhor equipada, os bancos são de pele, com bom apoio lateral e muito confortáveis. A tal “novidade clássica” do banco corrido entre os dois lugares da frente é apenas um “conceito”. Ele não é corrido, mas nas versões com caixa automática, o travão de mão avança e deixa um espaço livre para se colocar no intervalo dos dois bancos uma “continuação” que sugere essa tal novidade. Um bonito encosto para o braço compõe o ramalhete, mas retira um espaço de arrumação presente na maior parte dos modelos actuais.

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O volante é de excelente pega e desenho, sendo rectilíneo na sua base e também, menos circular, no topo. Adoro! É baseado no que equipa os Peugeot de nova geração, embora menos pequeno. Os comandos estão bem localizados e são de muito fácil operação. Aliás, todo este C4 Cactus é simples, directo, objectivo, desde o ecrã táctil aos comandos para a caixa automática (o volante, neste caso, também tem patilhas +/- o que, vos garanto, é mais importante do que pensamos à partida).

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Mas se na frente temos um carro moderno e luxuoso, inovador e prático, tudo muda quando nos sentamos no banco traseiro, esse sim, corrido e, posso adivinhar, desconfortável para longas viagens. Percebo que o menor peso do conjunto seja conseguido com soluções básicas, mas será que ter vidros de abertura basculante atrás, com este banco de uma só peça e sem luxo absolutamente nenhum é razão? Ou tudo se faz em nome da inovação ou, mais uma vez, do “conceito”? É uma aposta arriscada, porque o Cactus não tem um preço tão entusiasmante como nos fizeram crer ao longo da sua génese.

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Resumindo, e como disse uma das minhas enteadas, parecem dois carros diferentes, um à frente, outro atrás. E concordo com ela.

 

 

Condução

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O Cactus diesel e-HDI traz acoplada a caixa robotizada de seis velocidades. Em termos funcionais, é visualmente básica com três únicos botões na secção mais baixa da consola: um é para avançar, outro para marcha-atrás (que liga automaticamente a câmara de vídeo traseira com os sensores de estacionamento) e o terceiro para ponto-morto. O volante, nesta versão, está equipado com patilhas. Esta caixa requer alguma habituação, pois na troca de relação perde muitas rotações e existe um enorme lag até à mudança acima (ou abaixo). O carro até parece que trava nesses momentos e, para evitar este comportamento, comecei a usar as patilhas que garantem uma resposta mais rápida. Talvez esteja a ser demasiado duro para com este comportamento mas, depois de algumas soluções automáticas que tenho vindo a experimentar (e nas quais reconheço uma mais valia no trânsito cada vez mais caótico de Lisboa), esta solução escolhida pelos franceses não me convenceu.

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Os 92 cavalos são suficientes para nos transportar de um lado para o outro, mas totalmente adaptados para uma condução mais suave, mais “adulta”, se me é permitido adjectivar desta forma.

Não fiz auto-estrada com esta versão diesel, mas percebi pelos consumos urbanos, que é carro para poupar uns dinheiros ao fim do mês. Li cinco litros e meio de média em cidade, portanto, deve registar bem menos em estrada que não exija o pára-arranca.

Esta versão estava equipada com todas as coisas boas, desde Hill assist, start&stop, câmera atrás (como mencionado), AC automático, mapas, GPS, duas entradas para USB, uma auxiliar, Bluetooth, tudo e mais alguma coisa.

 

Mas onde está o conta-rotações?

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A versão a gasolina que me foi facultada estava bem menos equipada, o que é excelente para perceber as vantagens e desvantagens da que será mais escolhida pelo cliente português. Das cores e pele da anterior versão, passei para um ambiente mais clássico e neutro, em tons de cinzento, com bons bancos em tecido e o mesmo apoio lateral dos que equipam a versão mais onerosa. Aqui e ali, menos detalhes decorativos e a presença da caixa manual que ocupa o tal espaço do meio que une os dois “sofás” dianteiros.

 

Este motor 1.2 VTI com 82 Cvs surpreendeu-me pela positiva. Ou então, foram os 92 da versão diesel que não me impressionaram. Com caixa manual, este Cactus é mais rápido em cidade, nos arranques e recuperações, mais nervoso e despachado. Tem mais a ver comigo e com uma Lisboa mourisca em que precisamos, cada vez mais, de ser despachados.

 

O ecrã táctil é o mesmo, faltando nesta versão o GPS. Tudo o resto, com menos pele, tachas decorativas, e algum conforto, é idêntico à versão de topo.

Curiosamente, e porque fiz mais percurso extra-urbano, cheguei à conclusão que este 1,2 VTI é muito competente e comedido. A média não chegou aos 6 litros o que é fantástico, tendo em consideração que guiei de uma forma mais nervosa e acelerada.

 

Mas onde está o conta-rotações?

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Conclusão

 

Como conceito, adoro este Citröen C4 Cactus. É ousado, irreverente, original e os Airbumps podem mesmo ser uma mais valia prática.

Gostei do interior, mas desgostei da forçada simplicidade traseira.

A Citröen conseguiu realizar um SUV elegante que parece ser robusto a médio e longo prazo. É muito confortável mas não tanto que prejudique um bom comportamento em curva e uma estabilidade de referência. No fim do dia, quando se fazem as contas, é poupado numa utilização normal.

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O Cactus é original e, também por isso, terá de ultrapassar muito do “cinzentismo” português. Ainda olhamos para um automóvel como símbolo social, temos tendência a escolher cores neutras, pensamos (porque obrigados) no preço de revenda, se vamos perder muito ou um pouco menos de muito aquando a próxima troca. Como veículo de afirmação pessoal, o Cactus é irreverente e jovem. Podemos gostar ou detestar, mas não lhe ficamos indiferentes. E, quanto a mim, esse é já um dado a favor numa época em que o chavão principal é “os carros são todos iguais”.

Pois este não é.

 

PVP

Citroen C4 Cactus 1.6 e-HDi de 92 cv Shine Edition Moonlight 23,080 euros (versão ensaiada)

Citroen C4 Cactus 1.2 Puretech 82 cv Feel Edition Silver 17,580 euros (a partir de)