Comprei e usei muitos auriculares Bluetooth e, com não podia deixar de ser, o melhor de todos (um Motorola que ligava e desligava com o micro a abrir e fechar, tipo concha) foi roubado do automóvel.
Depois comprei dos baratos, uns funcionaram bem, outros nem por isso, cujas marcas também pareciam sair de um qualquer Wallmart… ou Aki.
De repente, há uns anos, dei por mim a deixar de usá-los e nem me lembro porquê. Talvez devido às boas colunas de som dos mais recentes telemóveis que permitem uma conversa em voz alta? Talvez porque pura e simplesmente deixei de atender ou fazer chamadas enquanto conduzo?

O que é certo é que já não era um hábito e, num repente, quando me perguntaram se estava interessado em fazer um ensaio a esta peça da Bose, fiquei por ali uns segundos a pensar até que respondi afirmativamente. E em boa altura o fiz…

O Bose2 respira qualidade e simplicidade. E também se adivinha que não custa 10 euros… o corpo não é minúsculo nem muito leve, mas, pelo design e materiais utilizados, passa despercebido e, no ouvido, é tudo menos cansativo. 12gr para 5 ou 6cm parece muito equilibrado. Mas já lá vamos.

Quatro botões e a entrada mini usb para recarregamento são suficientes. Na base, o on/off deslizante. Em cima o call e o volume + e -. E já está. No interior, e para não dar nas vistas (e aqui um grande aplauso), os dois leds (azul para o sinal Bluetooth e verde para a bateria e ligação). Mais simples não pode ser.

Emparelhá-lo com um Lumia 800 foi tão fácil que, ainda antes de pensar em que botão ou conjunto de botões pressionar para fazer o contacto, este já se tinha dado. O mesmo não posso dizer em relação ao Galaxy SIII e, por conseguinte, os Android 4.0 ou 4.1. O reconhecimento envolveu mais passos e existiu uma mensagem de erro por duas ou três vezes. Mas lá se conseguiu.

A diferenciação

Colocar o Bose2 na orelha, e leram bem, orelha, é tão original quanto fantástico. Nos in-ears normais, mesmo os mais modernos cujas borrachas já têm um formato adaptável a cada canal auditivo (por exemplo, é-me impossível utilizar este tipo de auscultadores como o modelo do iPhone ou similares, pois magoam-me e teimam em não ficar presos), já é confortável usá-los sem caírem mas, mesmo com o mais pequeno movimento de cabeça, a coisa pode sair do sitio… o que é uma chatice.

A Bose encarregou o seu departamento de design, digo eu, em estudar um adaptador de silicone que não só fosse adaptável ao canal auditivo, como servisse também como “gancho” ou travão. Chamam-lhe “StayHear” e com razão. Ou seja, enquanto os demais auriculares Bluetooth têm um gancho ou aro de plástico duro ou alumínio que se coloca no exterior da nossa orelha, a fim de prender o dito aparelho, na Bose é o próprio auricular de borracha que faz os dois papéis: canaliza o som e prende o aparelho. E, sinceramente, é notável. Uma obra prima de engenharia maleável e semi-transparente que se pode perceber automaticamente pelas fotos.

A qualidade na conversação

Já conheço a marca (podem ler nesta secção os dois ensaios já feitos a produtos diferentes) e continuo a espantar-me com os detalhes, funcionalidade, simplicidade e qualidade real, para além da perceptiva.

Em primeiro lugar, e muito importante, o conforto de utilização. Graças ao “StayHear” posso dizer que não há melhor. Inclusive, agora quero este sistema de silicone para ouvir música.
Segundo, a bateria. Dura muito tempo e nunca fui obrigado a ter de recarregá-lo durante o dia de utilização. Pelo que a marca diz, entre quatro a cinco horas de conversação. Acredito, mas não falo assim tanto ao telefone.

Em terceiro e o mais importante neste tipo de aparelho, a qualidade de som que, neste caso, tem de ser analisada em dois modos.

O primeiro, o que o utilizador ouve. É fantástico, principalmente porque a Bose utiliza uma tecnologia adaptativa de volume, ou seja, o auricular vai analisando o meio ambiente e aumentando ou diminuindo o volume de som de uma forma automática. E isto é realmente extraordinário porque… funciona.

A qualidade é alta. Ouvi perfeitamente e de uma forma clara todas as conversas que mantive e fui de propósito a um centro comercial e à zona de comidas como também abri a janela do carro em andamento. Nunca tive falhas e o som era sempre cristalino.

Em segundo, perguntei sempre se do outro lado me ouviam bem e as respostas foram sempre positivas. Na zona dos restaurantes chegaram a estranhar não ouvir o barulho intenso das vozes e dos pratos a tilintar. Eu ouvia, mas do ouvido que estava sem o auricular…

Conclusão

Custam algum dinheiro (159 euro para o modelo 2 e 148 se ainda encontrarem o modelo anterior) e temos forçosamente de escolher se o vamos usar no ouvido esquerdo ou direito, pois trata-se de dois modelos diferentes. São, quanto a mim, as suas únicas limitações.

O Bose2 traz um segundo microfone sensor, alcance até 10 metros com melhoria significativa, 4,5 horas de conversação e 175 em stand by.

Quanto ao resto, e se precisarem mesmo de um Bluetooth competente, não cansativo na utilização, com boa bateria e cujo som seja magnífico mesmo em situações complicadas, não vão mais longe.

Vale bem a pena o investimento. Mais a mais, estamos a falar também da nossa saúde física.

Camila Hoffman

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