Imagine que vai a passear pela rua (pode ser acompanhado por alguém amorosamente apetecível ou um possível sócio ou um investidor) e alguém surge pela frente, empunha o smartphone, aponta para a sua cara e começa a rir ou a gritar impropérios. Sabe o que aconteceu? Naturalmente essa pessoa instalou o Blippar, um serviço de realidade aumentada que passa agora a estar também preparado para reconhecer a cara das pessoas e, consequentemente, abrir um menu com todas as informações sobre a nossa até então muito estimada pessoa.

Sim, Omar Tayeb, co-fundador do Blippar, quer mesmo oferecer esta possibilidade aos subscritores mesmo depois da Google ter abandonado o conceito dos Google Glass exactamente devido às queixas de invasão de privacidade, curiosamente conseguida com um processo muito semelhante. O que o responsável pelo Blippar diz, para justificar a utilização desta App, é que cada um de nós tem acesso exclusivo para adicionar apenas os dados que deseja, portanto, onde está o problema? Pois é, e onde já vi este filme?

O processo já reconhece mais de 70.000 figuras públicas como Michael Fassbender ou Hillary Clinton, até mesmo a partir de entrevistas televisivas quando surge um qualquer “notável”. Em todos os casos, a app reconhece as “vítimas” e abre um menu com os perfis do Wikipedia e Redes Sociais. Ora sabemos bem que as páginas da Wikipedia são facilmente editáveis, portanto, uma das defesas de Omar Tayeb cai imediatamente por terra, mesmo que defenda que o sistema está preparado para evitar que terceiros façam perfis falsos e tal e coiso. Está bem, Omar, nós acreditamos.

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João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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