A ideia é revolucionária e aproveita o romantismo humano e a sua demanda pelo fechar de um cliclo. Mas não deixa de ser um negócio

O ditado diz que há duas inevitabilidades na vida: os impostos e a morte. De vez em quando, uns levam à outra, mas, grosso modo, são a consequência inevitável de estar vivo.

A morte é vista de formas diferentes por cada um de nós, principalmente se associada a religiões ou credos. Independente da querença, muitos preparam o caminho em vida, outros à sua porta, alguns desejam-na, muitos tentam tudo para retardá-la.

E depois dá-se a discussão: quem quer ser imortalizado numa urna, numa campa ou num mausoléu, não compreende os que apenas desejam desaparecer e seguir a simplicidade do “ashes to ashes, dust to dust”. Mas quem fica é a família que tem de tratar da “papelada”.

Nova fórmula, aka, “life after life”

O mais recente encantamento discute a possibilidade do nosso ADN, ou cinzas, serem imortalizadas numa árvore. Um dos processos está explicado neste vídeo da Bios Urn, uma forma esperta de nos levar a pensar numa espécie de imortalidade.

Mas o conceito é bem simples: depositamos as cinzas numa urna mas levamos com um vaso e a semente por cima, ou seja, com ou sem cinzas, é a semente e o adubo que farão crescer o sobreiro ou pinheiro.

Já a Capsula Mundi quer ligar-nos à terra de forma mais, enfim, dinâmica. Só o deign da peça, uma espéciee de ovo, remete-nos para a questão de “quem nasceu primeiro”, mas neste caso, o seu contrário, se é que me fiz entender.

Os criadores deste ovo apontam uma realidade: o caixão em que somos deixados é feito com madeira, metais, algodão, tecidos, colas e outros materiais que, connosco, vão demorar séculos até desaparecer. E isso é poluente.

Ora o que os designers italianos Raoul Bretzel and Anna Citelli prometem com esta cápsula “orgânica” é envolver o nosso corpo sem alma e inanimado por elementos biodegradáveis que se decompõem e cujos restos fornecem nutrientes a uma, lá está e mais uma vez, semente plantada por cima.

Pelo menos, o princípio humanista (e também comercial) é bonito e muito actual, ou seja, criar cemitérios com árvores em vez de lápides ao mesmo tempo que se reduz desperdício e materiais, alguns nobres (repare-se que o caixão é feito de madeira que vem de… árvores), e ajudar a ultrapassar mais facilmente a tragédia.

É que, passados alguns anos, alguém que gostou de nós abraçar a árvore de que fazemos, enfim, parte.

E vocês, o que acham desta ideia?

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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