bq Aquaris E5 – ensaio

4 Design
6 Construção
6 Inovação
7 Qualidade
6 Factor X5
5.8

Aquaris-E5-4G-composiçao

A história da bq é um sucesso assumidamente espanhol. Marca feita por estudantes, agora engenheiros e gestores, tem sido uma lufada de ar fresco num mercado saturado de equipamentos chineses que, mudando uma cor ou um botão, são exactamente idênticos.

Os espanhóis têm-se esforçado nos últimos anos em conseguir criar uma reputação qualitativa e, como jovens que são, sabem que essa começa pela imagem, percepção e design.

Tenho, pessoalmente, indicado a amigos ou curiosos algumas opções da bq, pois apresenta-se numa boa relação qualidade/preço, e são indicados (como alguns outros) para quem procura uma solução não muito cara e que ofereça quase o mesmo que os topos de gama conseguem.

Como em todos os casos, há quem fique muito satisfeito e quem deteste, quem aponta coisas positivas e o contrário. Neste segmento, é difícil agradar a gregos e troianos.

No ano passado, o sucesso comercial da bq foi também facilitado pela ausência de concorrentes directos que não chineses. Mas tudo mudou agora que a Motorola regressa e o seu Moto G de segunda geração é um osso duro de roer para qualquer adversário. Assim como os Alcatel que também se têm mostrado à altura com PVPs mais extremos. E fico aqui pelos exemplos.

Por tudo isto, a bq teve de reforçar a sua linha e aposta no lançamento de um único modelo com capacidade 4G.

O mais recente bq Aquaris E5 foi apresentado no mês passado a um punhado de jornalistas, ao mesmo tempo que o primeiro tablet todo pensado pela marca, o E10, também se mostrava à plateia.

Fisicamente, pouco difere dos modelos anteriores. Continua sóbrio mas moderno, com materiais e acabamentos positivos, e em duas opções de cor (totalmente negro ou preto e branco).

O famoso “degrau” entre as duas secções do corpo, a do ecrã e a traseira, e que acompanha todas as laterais é, por um lado, o factor design que o destaca dos demais. Mas, para mim, torna-o mais difícil de agarrar e manejar. Senti o mesmo no tablet, algo que me desagradou.

Podes ser do tamanho da minha mão, pois não vi ninguém a queixar-se, mas tenho de ser sincero e é um factor que levo em conta nestas apreciações (sinto um desconforto similar, por outras razões físicas, com o novo Motorola X). Outro factor a ter em conta: não é dos terminais mais leves nem dos mais finos (139g e 8.7mm). A bq, no entanto, defende-se com as características, preferindo equipá-lo com componentes de qualidade a tentar os milagres da miniaturização. E respeito isso.

Aquaris-E5-4G-preto-frontal-esquina

Coração

Para processador, foi escolhido o Cortex A53 de quatro núcleos a 1.2 GHz, o CPU é agora o Adreno 306 a 400 Mhz, tem 1GB de RAM, 16GB de flash (ampliados pelo microSD com até 32GB), conjunto que consegue um comportamento eficaz, rápido, com até alguma suavidade nas transições. O Android KitKat 4.4.4 está quase puro neste Aquaris, muito à semelhança dos Nexus. A marca, entretanto, já avançou que prepara a evolução para Android Lollipop. O futuro imediato está assim salvaguardado.

Ecrã e mais mimos

Tem um ecrã HD de 5″ com tecnologia Quantum Color+ reforçado pelo painel Quantum Dots para obter uma maior variedade de cores visíveis. Ecrã que está revestido com uma camada anti-dedadas que… funciona!

Muita atenção a este ecrã, pois é de excelente qualidade dentro da gama de preço a que o E5 4G está proposto. Uma verdadeira surpresa, mesmo que a resolução seja de “apenas” 1080 x 720p, mais que suficiente para o que se faz num smartphone.

Possui câmaras traseira Sony de 13MP com lente f/1.8 e frontal de 5 MP e abertura f/2.2. Ao nível energético a bateria do Aquaris E5 4G é do tipo LiPo e tem uma capacidade de 2.820mAh, outro dos pontos positivos deste terminal.

Como tem sido transversal na sua gama, este 4G é também Dual Sim.

Aquaris-E5-4G-preto-traseira

Mudanças

Para além do 4G e processador, existem algumas novidades mas de pouca monta. Exteriormente, este novo bq está quase igual aos antecessores. Julgo que as teclas estão colocadas um pouco acima para facilitar a pressão. Um pequeno led informativo tem agora a possibilidade de programação das cores de alarmes ou avisos, para além da intensidade. Esta também é programável para a vibração.

Comportamento

É um média gama equilibrado. Rápido q.b. enquanto não tem a memória cheia, mas pode dificultar a vida de quem vem de marcas que se aplicam temas próprios e UIs mais funcionais. Não é imediato chegar à galeria e escolher imagens para “facebookar”, como também temos de instalar tudo o que queremos (ou estamos habituados) de raiz.
Se por um lado, este UI simplificado e muito limpo pode agradar a utilizadores mais conhecedores do sistema Android, por outro não está pensado para quem não quer ter trabalho. E, convenhamos, os mais conhecedores são quem exige o máximo do dinheiro que aposta num terminal. Será que esta é a melhor opção do mercado?

Por outro lado, há que salientar que se navega pela Net sem problemas e lags. O 4G dá realmente um grande empurrão ao novo 5”. Existem algumas características que ajudam a nossa vida, como o duplo toque no ecrã para desbloquear o sistema.

Podemos também gravar o ecrã (basta aceder ao menu muito completo das atribuições), e escolher os três botões de função, que estão agora fora do ecrã e colocados na base frontal do corpo, para dentro do ecrã. Pode parecer algo estranho, mas deu-me um jeitão. Não gosto particularmente de ter a base preenchida com botões tácteis, pois é nessa parte que seguro o terminal e estou sempre a dar toques que não quero. Quando passei a utilizá-los no ecrã (ficaram em off no corpo), ultrapassei este drama.

A câmara… pois que na apresentação, em ambiente muito escuro, tirei duas ou três chapas e fiquei… aterrorizado. Mas esta câmara é também a que surge noutros smartphones onde se porta bastante bem. Portanto, foi com afinco que fui para a rua com a unidade de teste e, felizmente, o mau desempenho na sala foi obliterado pela qualidade muito apreciável em exteriores bem iluminados. À noite, nota-se algum grão e indefinição, principalmente quando temos focos de luz potentes muito próximos do objecto, mas nada de mal para um smartphone. Confesso-me aliviado, pois fiquei com o anterior resultado em memória.

Conclusão

É um terminal muito jeitoso para o PVP sugerido, com um excelente ecrã, uma bateria com mais poder que aguenta bem um dia de muito trabalho, velocidade 4G que é cada vez mais preciosa hoje em dia e uma câmara capaz de bons fotomatons e de belas #selfies.

Contudo, há que melhorar certos campos: não gosto do design e aquele degrau complica-me a acção. A colocação das duas colunas na base abafa o som em agumas situações, mesmo que este venha com o logotipo Dolby agarrado. O grande adversário, o novo Moto G de segunda geração, mostra bem onde se devem colocar as duas colunas.

E o que se passou com o NFC? Esqueceram-se?

Resumindo, é uma boa opção no que respeita à qualidade/preço, equilibrado, com pontos altos e menos bons. Vai ter tarefa dificultada, pois acima dos 200 euros tem uma concorrência feroz. Mas vale a pena pensá-lo como opção. O ecrã merece!

PVP: 219€

 

 

 

 

 

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