Charlie Brooker aposta numa evolução do seu mundo quase alternativo. Agora somos nós que mandamos. Ou não? Em que ficamos?

Pictured – Fionn Whitehead

Para quem é super fã de uma série TV, ou de um título de cinema franchisado, ou de um qualquer grupo musical ou até de um escritor, é natural que o entusiasmo cresça com as notícias de uma nova obra.

A mim acontece-me sempre que o autor visionário Charlie Brooker anuncia um novo título, principalmente se tiver a ver com a melhor série televisiva dos últimos anos, a magnífica opereta digital futurista neoclássica.

Sim, falo de Black Mirror! E a boa notícia? Há nova série e, atenção, um filme. Ou uma espécie de filme.

Alguns mercados – e felizmente o nosso está incluido – têm hoje a hipótese de ver Bandersnatch, um episódio especial que está a ser apresentado como longa-metragem. Pelo menos tem, para nossa satisfação, 90 minutos.

O novo hype

Bandersnatch é apresentado como o primeiro filme interactivo.

O que quererá isto dizer, não sei ainda, mas o trailer mostra a acção desenrolada em 1984 (será por acaso?) em que um jovem programador, Stefan, embarca num grande projecto:

Adaptar um livro de Jerome F. Davies para jogo de computador de 8 bits.
Para os mais novos, a coisa não deve chamar a atenção. Mas para quem viveu os anos 80, vai pensar nos famosos “jogos malditos”, que até podiam matar quem os jogasse.

Mas como funciona?

Através de um joystick, uma enorme novidade à época, o protagonista leva-nos para dentro da acção. Vamos trabalhar com ele na companhia de jogos Tuckersoft.

Nesta altura podemos escolher trabalhar na empresa ou em casa. Se escolhermos na empresa, o jogo termina, ou seja, Game Over.

O que Charlie Brooker nos provoca é fazer uma escolha, optar por um caminho, seguir uma narrativa. Seremos nós a dirigir a história e as personagens. Ou não?

Black Mirror: Bandersnatch. este conteúdo interativo só é compatível com os modelos mais recentes de Smart TV, com a maior parte das consolas de jogos, dispositivos de streaming e navegadores Web e com dispositivos iOS e Android com a última versão da aplicação Netflix.

É este o mundo fascinante e cada vez mais intrusivo de Black Mirror, uma série que agora conta com os milhões da Netflix para abrir novos mundos ao mundo espelhado.

Não quero, de forma alguma, contar mais que o devido, mas uma coisa é certa: mais uma vez, a tecnologia e a narrativa conseguem fazer-nos pensar sobre um mundo, utópico ou não, em modo first shooter ou não, em comando ou comandado.

Charlie Brooker regressa em grande.

 

Vejam o trailer aqui.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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