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O Zenfone 2 tem um preço que arrasa muita concorrência directa e características que ombreiam até com modelos de segmento superior, mas peca no design e usabilidade.

Muito se tem falado da nova coqueluche Android – o Asus Zenfone 2 –  que entra para ganhar a difícil batalha do segmento médio que tem sido superpovoado por excelentes propostas. Será que os 4GB de Ram, um luxo e uma estreia mundial, e o ecrã com 5,5″ conseguem torná-lo num bestseller? De salientar que este é o topo de gama, pois existem três modelos Zenfone 2 com diferentes características e preço final.

É um terminal grande e largo que não chega a ser um Phablet mas que é maior que a maior parte dos concorrentes. As 5,5″ de um ecrã Full HD (1920×1080) IPS Corning Gorilla Glass 3 dão-lhe envergadura, assim como o processador Intel Atom Quad Core Z3580 (2.3GHz) lhe dá estaleca. Sim, processador Intel, leram bem. Se a isto juntarmos os já mencionados 4GB de RAM e uma memória interna de 32GB, temos um belo terminal nas mãos. Principalmente se isto tudo, e mais uns pozinhos, tiver um preço tremendamente apelativo que é o caso.

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Em termos design, tem construção em plástico mesmo que imite metal. Os botões de volume saíram da lateral para, à imagem dos recente LG, serem colocados na parte traseira. Contudo, o feel não é o mesmo, não sei se pela posição um pouco mais elevada, se das teclas mais esguias e recolhidas, confesso que não me adaptei imediatamente. Mas há um outro erro na concepção: o botão on/off está colocado no topo e centrado. Não dá muito jeito devido ao tamanho do corpo. Por outro lado, os três botões de acção estão colocados no painel frontal por baixo do ecrã e não são iluminados o que obriga à sua memorização. De salientar que a capa é amovível e existem várias alternativas para abrilhantar o look fashion. A moldura do ecrã é grossa para os padrões actuais, e percebemos porque é a caixa tão larga, mas contamos com um aproveitamento de 72%.

Sendo um Android Lollipop, estava à espera de um ambiente muito simplificado (segundo a norma “keep it simple”) mas a Asus apostou numa transformação gigantesca e o seu UI apresenta mais ícones que o normal. Por exemplo, a secção de notificações tem agora 4 linhas de 4 ícones, mostrando tudo e mais um “par de botas”. O menu de preferências/atalhos possibilita a escolha de 12 aplicações ou funções. Depois de um certo treino e memorização, é uma excelente aposta para utilizadores normais. Já se sabe que não vai ao encontro do gosto dos mais “puros”, que tanto gostam dos Nexus, mas não se pode agradar a gregos e troianos.

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A personalização é o mote deste smartphone: a última geração do interface ASUS ZenUI tem novas funcionalidades — What’s Next e Do It Later — perfeitas para gestão do dia a dia.

Depois de activar a função ZenMotion para habilitar o reconhecimento de gestos e /ou movimentos, podemos passar com o dedo da base do ecrã para cima para termos acesso a um curioso menu denominado “gerir ecrã de início“. Por aqui, e como podemos ver na imagem, podemos modificar algumas opções de sistema, gráficas e outras. Existe um sem número de opções que passam por gerir a memória disponível, modo fácil, modo de poupança, usabilidade com uma mão

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Outra secção muito importante, e cada vez com maior relevo nos smartphones, é a câmara. A Asus adiantou que a unidade de 13MP “pixelmaster” com que equipou o Zenfone 2 tem qualidade superior. A abertura f2.0, modos específicos como Noite, HDR, Panorâmico, Embelezamento, Super Resolução, Baixa luminosidade (3M), Nocturno, Profundidade de campo, Efeito, Auto-retrato, Animação Gif, Miniatura, Recuar Tempo, PanoSphere, Remover Inteligente, Sorriso Grupo, Câmara lenta e Intervalo de tempo… enchem o olho. Embora a que vá ser mais utilizada por quem tem já um maior conhecimento técnico, seja o modo Manual, aqui de fácil visualização e compreensão. Tudo muito vistoso mas… e a qualidade? Satisfaz plenamente quem quer tirar uns bonecos e até fazer umas brincadeiras criativas. Tem o factor plus dos efeitos, quase todos conseguidos, mas à noite começam os problemas com alguma indefinição do foco com algum ruído e grão, nada que não esperasse desta unidade que está presente em muitos modelos de gama média (e até topos de gama). O Flash Dual Led Dual Tom ajuda a conseguir retratos menos “iluminados”, distribuindo a luz para tornar o resultado mais equilibrado. A câmara frontal tem 5MP e é muito razoável. E, não se esqueçam, o modo “embelezamento” serve perfeitamente o interesse de quem é fanático por selfies.

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A bateria de 3000 mAh chega para um dia, dia e meio, dependendo da utilização e a Asus fez um esforço para conter o seu gasto, com possibilidades reais de economia um pouco por todas as opções. O adaptador de carregamento rápido está incluído o que garante (“BoostMaster”) que podemos obter 60% da capacidade da bateria em apenas 39 minutos.

Concluindo, o Zenfone 2 tem um preço que arrasa muita concorrência directa e características que ombreiam até com modelos de segmento superior. Fisicamente, não gosto da colocação dos botões, nem na traseira e muito menos no topo, pois dificultam-me algumas acções. Não se trata da localização, pois o LG G3 e G4 fazem disso uma mais valia, portanto, tem a ver com a dimensão das teclas e o seu toque. Em comportamento diário, e fazendo juz aos seus 4GB de RAM e processador quad-core, é muito rápido entre operações, aguenta muitas acções simultâneas e é irrepreensível graficamente nos jogos mais complexos. Dá gosto acelerar no Real Racing 3 neste ecrã de 5.5″. Porém, há melhor ecrãs para ver vídeos, por exemplo, uma utilização que está a crescer entre os mais jovens.

Gostei muito, porque achei bastante confortável, do filtro de cor azul que vem de raiz e se pode activar no modo de cor do ecrã. Ao tornar “menos fria” a intensidade de luz, diminui também o brilho o que vai provocar menos cansaço na leitura de textos, por exemplo. Este filtro – porque é de um filtro que se trata – vem de raiz neste Zenfone 2, o que demonstra o pormenor com que a marca pensou este equipamento.

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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