Devemos olhar um automóvel de duas formas: a racional e a passional. E quando ambas as forças se conjugam, esse desígnio passa a ter nome: Volvo XC60


Podemos e devemos olhar um automóvel de duas formas distintas: a racional e a passional.

Como nunca fui grande fã de super carros, só gosto de ver alguns a passar por mim e nunca na vida me vi tentado a comprar um Ferrari ou um Lamb, chegam-me dos 200 cavalos que dominei tanto um Nissan 200 SX como no melhor carro de todos os tempos, o Subaru GT AWD (versão carrinha que não sou de dar nas vistas com aquela horrorosa asa traseira).

A minha paixão automóvel passa por outros factores, como a tecnologia implementada, as ajudas à condução e o nível de conforto. Tudo o resto é racional: consumos, prestações, pegada ecológica, preço, etc.

Só que, de vez em quando, um carro pode seduzir-nos de ambas as formas e ao mesmo tempo. E quando esse carro tem um formato que sempre desdenhei, pois nunca fui fã de jipes ou SUVs, a surpresa ainda é maior.

Que veículo de sonho faz-me sentir assim? Este imenso Volvo XC60!

Análise Volvo XC60 D4
Nas traseiras dos jardins do Palácio de cristal

A Volvo foi parceira do Festival Mental

E, como soube que transportaria toda uma equipa de produção e muito material de apoio, achou por bem que um XC60 seria perfeito.

Em primeiro lugar, quero agradecer mais uma vez ao team de marketing que se juntou a este grande propósito. Em segundo por escolherem uma montada que transformou o pesadelo que é uma produção num imenso prazer ao longo dos dias. E, cá está, a razão aliou-se à paixão.

Calhou-me a versão D4 Inscription com tudo o que um homem quer ter num automóvel moderno, desde todos os packs (Winter Pro, IntelliSafe Pro, Light, Business Connect Pro, Climate premium, Xenium, Luxury Seats e Versatility Pro num total que deve ser o valor do meu próprio veículo actual, uns nobres 12,755€) aos opcionais sensores de estacionamento, fecho de segurança, volante desportivo, etc (824€).

O XC60 D4 tem 2000 cc para 190 CV às 4250 rpm e pesa duas toneladas e meia.

A marca avisa que o consumo combinado supera pouco os cinco litros, mas com o agravamento de peso das pessoas e seus pertences, muitos pesados como projectores e quejandos, e a uma velocidade média pouco superior aos 120 Km/h, nunca baixou dos 7,5 litros aos 100.

Análise Volvo XC60 D4
imponente de qualquer ângulo

Mesmo assim, um depósito cheio chega para fazer a viagem de Lisboa ao Porto com regresso sem qualquer drama.

O conforto de condução não se faz apenas através do rolamento dos bons pneus e jantes de 19”

A pior coisa que nos pode acontecer é sentarmo-nos num dos modernos Volvo. Aconteceu-me durante a análise da V90 e, novamente, agora aos comandos do XC60.

E pior porquê, perguntam-me? Porque sabemos que não vamos viver os luxos e as mordomias por muito tempo e que a nossa triste e mundana realidade espera-nos no regresso “à terra” quando entregamos as chaves.

Sim, é um mundo muito próprio, muito europeu, pragmático quanto baste e eficaz ao extremo.

A primeira sensação é de estupefacção, pois não esperamos este interior num SUV pois está decalcado de uma berlina de luxo, a segunda de um entusiasmo infantil enquanto vamos percorrendo todos os comandos, painéis, texturas e requintes.

E é disto que a Volvo trata: requinte, conforto, dinamismo e bem estar.

Análise Volvo XC60 D4

Ao volante

A caixa automática Geartronic de oito velocidades é perfeita para embalar este “monstro”, aliada a três modos distintos de condução (Eco, Comfort e Dynamic) que alteram os parâmetros para modificarem o comportamento dinâmico que se adeqúe à forma que queremos guiar nesse particular dia. P

ara os mais entusiasmados, basta puxar a maneta para a esquerda para podermos rolar em modo manual.

Análise Volvo XC60 D4
Geartronic

O que mais impressiona, contudo, são as ajudas à condução que, depois de ultrapassado o período de habituação, permitem-nos uma condução mais relaxada que o normal pois sabemos que temos ali um co-piloto sempre atento e, atenção, activo.

Sim, o carro reage quando pisamos o traço sem fazer pisca e o volante age sozinho para nos manter na trajectória ideal.

Sim, o carro percebe que nos vamos desviar de um obstáculo e ajuda-nos durante a manobra tanto na direcção como na travagem.

Sim, o carro percebe o mundo em seu redor, alerta-nos visual e sonoramente contra os muitos perigos e, por último, até pára o carro se perceber que nós não o vamos fazer a tempo.

Análise Volvo XC60 D4
Todos os sistemas

Todas estas tecnologias têm designações, desde Pilot Assist a City Safety, e vale muito a pena conferi-las na secção que lhes é dedicada no site da marca porque a lista é infindável.

Os bancos, tão confortáveis como a melhor poltrona em que já nos sentámos, tem posições de memória para não nos preocuparmos em conseguir, novamente, os ângulos perfeitos de cada bloco do cadeirão.

Ao contrário do que se adivinha, guiar este XC60 pelas ruas do Porto foi francamente fácil.

O ângulo de viragem serviu para fazer sem manobras extra alguns ângulos mais apertados e sempre com a tónica apoiada no conforto de utilização com os vários alarmes de ajuda à condução. E a câmara traseira é uma ajuda imprescindível para o estacionamento ou manobra de marcha atrás.

Centro audiovisual

O imenso tablet central é táctil e convida-nos ao seu estudo mais prolongado, pois é um manancial de potencialidades e possibilidades.

Funciona por páginas (passando o dedo da esquerda para a direita e vice versa) para entrarmos nas várias secções que por sua vez têm vários capítulos.

Contudo, a página principal faz um resumo de tudo o que queremos saber numa rápida consulta, desde o mapa ao rádio, temperatura ao telefone, etc.

Muito informativo e dinâmico
Tamanho ideal e animações perfeitas

Uma coisa que me perturbou foi o mapa não se mostrar com orientação vertical e de cima para baixo.

Mas como abre um segundo ecrã com o mapa no centro do tablier, nunca mais me chateei com isso.

Mas melhor ainda, é a projecção do mapa no vidro frontal através do HUD, um sistema muito informativo, colorido, animado e, numa palavra, espectacular.

Emparelhar telefones já foi mais fácil, mas depois da acção concluída, tudo é funcional e prático.

Conforto total

Este carro está pensado para quatro ocupantes, cada um na sua bela poltrona e todos, incluindo os traseiros, com acesso individual (e visual) à climatização e outros mimos.

O espaço para as pernas é enorme (o que dá para levar sacos extra), a secção central do banco traseiro pode ser rebaixada para servir de apoio e mesa, e a vista com o tecto panorâmico, que vinha nesta versão, é formidável para quem vai atrás.

E a bagageira?

Esta era a maior questão desta viagem: precisava de uma ampla bagageira que servisse para transportar realmente muita carga.

Os 505 litros são suficientes para 4 rollups, 2 tripés, duas mochilas com material vídeo, um projector vídeo pesadote, 150 livros para exposição e venda, posters, flyers, três malas de viagem (tamanho cabine), sacos e saquinhos, casacos, guarda chuvas e mais um enorme saco pesadíssimo com rodas.

Ficou de fora uma pequena mala, mais os pertences do dia a dia.

Nada mau, mesmo nada mau!!!!!!!!!!!!!!!!!

Abrir o pesado portão com um movimento com o pé um sensor colocado por baixo do guarda lamas é muito simpático e os botões de fecho automático (um com segurança) também.

Análise Volvo XC60 D4

Concluindo

As saudades que este senhor me deixa são tremendas.

Vejo-me perfeitamente ao volante do XC60 numa base diária, pois tem a minha cara em todos os aspectos, principalmente no conforto de utilização, equipamento e tecnologia.

Já disse que não gosto de SUVs?

Pois… mas este Volvo também não foi pensado nem feito para fazer todo o terreno.

O pior, como sempre, é o preço e neste caso, com todos os packs, acessórios e extras, o dito chega aos 73.447€.

Mas “alegrem-se”, pois com muito menos, pode ser nosso a partir dos 55.709€.

 

Galeria

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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