A Toyota sabe fazer híbridos como ninguém e o novo Prius parece uma nave espacial… por dentro e por fora


Um dos factores que nos leva a escolher um carro é o seu design. Não tenhamos dúvidas, por vezes, e eu já passei por isso, escolhemos com mais emoção que razão. O que nos leva a isso? A paixão, o deslumbramento, a empatia. E o primeiro embate é o visual, o tal amor à primeira vista.

Um dos carros que mais me agarrou o coração foi o Alfa 147. É que não pensei em mais nada e ainda hoje quando vejo um na estrada, olho-o com saudade e paixão. Aquelas linhas toldaram-me a razão que garantia, porque era a fama à altura, que iria conhecer problemas técnicos. Aliás, até existia um ditado popular “sabes quais são os dois dias mais felizes de quem tem um Alfa? O dia quando o compra e o dia quando o vende”. Interessante esta noção quando o meu 147 ainda anda por aí sem problemas (os três primeiros anos foi meter gasolina e andar, depois passei-o para outro felizardo) enquanto modelos das grandes marcas germânicas passavam a vida na oficina.

Esta grande introdução serve apenas para explicar o que senti quando fui levantar o novo Prius. Se gosto das linhas dos Alfa, como poderei, enfim, comentar esta extravagância visual da nipónica Toyota? Não me levem a mal, adoro os Civic até esta mais recente geração que ainda não consegui definir, gosto de linhas diferentes, únicas, com personalidade. Mas o Prius é um modelo que tem, quando a mim, vindo a piorar em termos de design. Ah, “é feito ao gosto oriental” e outras frases de apoio, mas não, é, numa palavra, feio que dói. Agora vou ter de meter aqui uma acha: o meu veículo é um Auris híbrido da geração anterior à actual, ou seja, um dos modelos menos conseguidos do historial da marca. Pergunto… mas será que isso me chateia? Querem mesmo a verdade? Não! Também é feio mas o que me interessa é tudo o que me oferece. E se um Auris híbrido de 2011 me satisfaz, o que conseguirá um Prius de 2017?

Finalmente, eis que chegamos à análise. Este Prius é o modelo híbrido com o motor já conhecido da marca, o 1.8HSD que serve muito bem qualquer tipo de necessidade. Há um senão logo à partida, em Portugal, que é o valor que temos de pagar anualmente por um motor com 1.8cc, principalmente porque estamos a falar de um híbrido que nem deveria pagar imposto de selo, mas temos os governantes e as leis que merecemos. Se conseguirmos passar por cima dos 200€ de taxa e taxinha, começamos a perceber todas as vantagens de uma motorização deste género.

Mas vamos primeiro ao exterior: o novo Prius é enorme para o segmento onde se insere. É comprido e largo, mais do que é percepcionado ao primeiro olhar. Dizem que são 4,5 metros de uma ponta à outra e, garanto-vos, são centímetros bem reais quando estacionamos. Por outro lado, este grande corpo tem uma vantagem inquestionável: o conforto na estrada… não fosse o modelo analisado estar “mal calçado” com borrachas que se faziam ouvir acima de uma determinada velocidade de cruzeiro, o que tornou a longa viagem que fiz algo cansativa.

A traseira é a parte mais conseguida deste novo desenho, com uns faróis bem originais e o vidro traseiro cortado por um spoiler, tipo “escola Civic” e solução que de vez em quando é opção para alguns modelos (veja-se o caso do recente Hyundai Ioniq – ler análise aqui).

A frente não me convence, mas sei que tem fãs. Os faróis parecem ter sido desenhados por uma equipa de malta que gosta de ficção científica, enquanto que o resto do carro pela malta de fato e gravata que segue à risca o plano de pormenor. Mas, como já disse, é uma questão que não se discute, essa a que se chama “gosto”. As jantes, de 17” nesta versão ensaiada, têm um design original e até ousado que podemos personalizar. De fora estamos tratados, vamos passar para o interior que é, realmente, o mais importante.

A primeira sensação que se tem é de espaço. Espaço a rodos, para as pernas, corpo, cabeça, altura, largura, espaço, espaço e espaço. Os bancos são muito confortáveis e é fácil acertar com o mais perfeito ajuste. E é neste preciso momento que percebemos que não estamos num carro qualquer, com ou design emotivo ou racional. Num repente percebemos que fomos transportados para outra galáxia, tal a diferenciação do posicionamento dos controlos habituais. Tudo está centralizado, desde os dois ecrãs (o tablier que se garante de nos transmitir tudo e “mais um par de botas” e a enorme janela para o sistema de infotainment que, neste caso, é do mais completo que já experimentei.

A consola central está dividida pela grande gaveta que também serve como encosto para o braço e pelo espaço que está preparado para arrumar o nosso smartphone e recarregá-lo por indução. Sim, um botão serve para ligar ou desligar essa função (o smartphone tem de ser compatível com este processo). Mas o que salta mais à vista é a, enfim, maneta de mudanças colocada de forma um tanto ou quanto fora dos padrões convencionais, quase horizontal e com as posições já conhecidas dos modelos Híbridos da marca (marcha-atrás, neutro, para a frente é que é o caminho e Brake para “encher” a bateria mais rapidamente nas descidas). Ao lado esquerdo, a posição de travão de mão eléctrico, do lado direito o modo EV para funcionamento totalmente eléctrico. O novo Prius oferece três modos de condução auto-explicativos: Eco, Normal e Power. Em Eco, o Prius é lento e pesado, mas perfeito para rolar em áreas planas, e aproveita a energia acumulada com a travagem regenerativa, o que implica menor utilização do motor “normal”. O Normal oferece alguma pujança, mas os consumos começam a ressentir-se. O Power dá uma genica pouco consentânea com as características deste sedan, chegando mesmo a ser divertido, principalmente nos semáforos.

5,5 l/100 em cidade com um 1.8

Desde o volante à consola, portas e demais espaços, parece que encontramos botões e funções por todo o lado. O volante, de boa pega, está bem arrumado com os comandos mais típicos do controlo de funções básicas (áudio, parâmetros, menus de visualização, controlo de velocidade). O tablier mostra exactamente todas essas legendas e tudo o que se relaciona com a movimentação do veículo e, na consola central, o sistema Toyota Touch 2 é todo um computador que nos dá acesso ao sistema multimedia, mapas e GPS, setup e parametrização das funções, acesso aos mapas digitais que nos mostram o estado da bateria, consumos, médias, enfim, todo o status do que é, afinal, um motor híbrido.

De salientar que a versão ensaiada tem tudo o que podemos querer num automóvel e transporta-nos para uma gama acima em termos de luxo e equipamento: sensores de chuva e luz, luzes de estrada automáticas (por exemplo, os máximos desligam e ligam sem a nossa acção), cruise-control adaptativo, todas as modernas ajudas à condução com as segurança activas e passivas, ângulo morto sonoro e visual, aviso de perigo, etc. Este pack conta também com um HUD para a informação básica projectada à frente dos nossos olhos.

O 35 é o HUD

O novo Prius é um carro familiar com cinco lugares muito confortáveis e uma mala com 500 litros, pois as baterias estão bem arrumadas por baixo do banco traseiro. A tecnologia é irrepreensível, assim como este belo motor (estou habituado a ele numa base diária) que, combinando os 88 CV do motor a gasolina com os 24 CV “eléctricos”, serve perfeitamente para um belo arranque mais rápido que o normal, e para transportar o Prius com alguma desenvoltura. Não é um carro de corridas, mas tem força quando pedimos. E esta combinação garante o melhor dos mundos: menor poluição atmosférica e um consumo que em média não passa muito dos 4 litros aos 100 (o modo eléctrico até aguenta alguns kms).

As médias de consumo estão intimamente ligadas ao Modo de condução escolhido e como reaprendemos a conduzir. Sim, um híbrido conduz-se de forma diferente, mais calma e mais “adivinhatória”, pois estamos sempre, quer queiramos quer não, a estudar a melhor forma de reduzir o consumo e, paralelamente, o CO2 para a atmosfera.

O preço começa um pouco acima dos 32.000 Euros.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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Analista ao volante do novo Mercedes Classe A

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