Em SteamWorld Dig 2, Carlos Duarte explora as minas, tuneis e labirintos à procura de pedras preciosas no papel de Dorothy, uma simpática robot mineira


Análise SteamWorld Dig 2 para Nintendo 3DS:

Minas. Escavações. Pedras preciosas. Um mundo pós-humanos habitado por robôs no faroeste.

Isto poderia ser um resumo muito básico e pouco simpático de SteamWorld Dig 2, da Image & Form Games.

Mas não vamos cair nesse erro – até porque o mundo de Dorothy, que explorámos durante algumas semanas na Nintendo 3DS, merece ser visitado.

 

Picaretas ao alto!

A premissa, na realidade, não dá azo a grande controvérsia.

Assumimos o papel de Dorothy, uma simpática mas forte robô mineira, que procura por Rusty, o protagonista do primeiro jogo.

O jogo leva-nos a procurar por entre os vários túneis, minas e cavernas por pistas que nos ajudem a deslindar este desaparecimento.

Análise SteamWorld Dig 2 - Nintendo 3DS

Se procuram grandes narrativas, podem parar já. O papel principal deste jogo é a jogabilidade e o enredo é apenas um acessório para nos guiar do objectivo A ao objectivo B.

O que não é, de todo, errado. Afinal, jogamos Super Mario desde os anos 80 e todos conhecemos a… “criatividade” da sua história.

Dizia eu que a jogabilidade assumia aqui o destaque.

No fundo, e para usar aqueles termos que estão tão em voga, esta é uma experiência muito Metroidvania.

Quer isto dizer que, tal como Metroid e Castlevania, não existe uma estrutura de níveis lineares, mas sim um mundo ao qual vamos tendo acesso, à medida que desbloqueamos novas características e armas da nossa personagem.

E temos um leque muito interessante de habilidades e armas para desbloquear:

Desde martelos pneumáticos para determinados tipos de terreno, até uma corda e roldana que nos permite alcançar locais mais distantes.

Todos estes podem ser desbloqueados à medida que vamos encontrando as respectivas máquinas de upgrade – muito à semelhança de Megaman X, com as cápsulas do Dr. Light.

 

Contra os vilões, escavar, escavar!

Onde encontramos estes upgrades?

Ora, nas secções principais do jogo – as escavações.

A maior parte do tempo estarão a dar à picareta (literalmente!) para descobrir pedras preciosas, cavernas, tubos que servem de atalho para a superfície e outros coleccionáveis.

Estas pedras preciosas são a nossa moeda de jogo e se, ao início, a quantidade e valor das mesmas será altamente reduzida, a partir do momento em que vamos melhorando a nossa bolsa de gemas, os valores vão também aumentando.

Análise SteamWorld Dig 2 - Nintendo 3DS
Era uma vez no subsolo…?

SteamWorld Dig 2 é bastante equilibrado neste aspecto.

Apesar de necessitarmos de dinheiro para melhorar as ferramentas, nunca me fez sentir ser necessário ter que armazenar dinheiro para ultrapassar fases no jogo.

O que não significa que seja simples.

É que esta é apenas uma das formas de upgrade para Dorothy.

Podemos também melhorar as habilidades das armas através da utilização de Upgrade Cogs.

Estas pequenas rodas dentadas estão normalmente escondidas em cavernas, mas também em locais secretos enquanto escavamos de local para local.

Mediante o número de Cogs, conseguimos colocá-las em vários atributos das nossas ferramentas.

Querem receber menos dano a cair? Coloquem lá uma Upgrade Cog.

Querem que os recursos escavados se desloquem até vós, como que atraídos por um íman? Coloquem lá uma Upgrade Cog.

Cada atributo de cada ferramenta necessita de um número específico de Cogs.

Ficam desde já avisados que não dará para colocar Cogs em todas as opções.

Porém, o processo não é definitivo – consoante o momento do jogo, podem trocar facilmente as Cogs de sítio, o que traz alguma longevidade a SteamWorld Dig 2.

Existem ainda algumas plantas especiais que podem desbloquear à medida que encontram artefactos secretos.

Estas plantas desbloqueiam poderes especiais das ferramentas – daí os artefactos estarem tão bem escondidos.

 

Máquina bem… Oleada

Vou ser franco: estava à espera que a jogabilidade fosse mais… perra.

Que os saltos e os movimentos não fossem muito fluidos, sabem? Parvoíce minha. É um gosto controlar Dorothy.

Inicialmente apenas podemos correr, saltar e escavar com a picareta.

Picareta essa que serve também como a principal arma contra os vários inimigos que vamos encontrando.

Contudo, quanto mais ferramentas formos ganhando, mais botões ficam mapeados com a utilização das mesmas.

Devem estar a pensar: epá, tanto botão na 3DS? Isso vai ser uma confusão! Nada disso.

O jogo integra muito bem a utilização das várias ferramentas e, lá para o fim, estarão a utilizar diversas habilidades ao mesmo tempo de forma extremamente natural.

E estas ferramentas são a “especiaria” que nos vai levar a revisitar as várias cavernas que encontramos, pequenas pausas nas secções de escavação.

Quase como se fossem mini-níveis de plataformas, onde teremos que usar os materiais à disposição para conseguirmos dar a volta à caverna e ganhar a Upgrade Cog que, normalmente, se encontra no fim.

Análise SteamWorld Dig 2 - Nintendo 3DS
Mundos muito interessantes, mas demasiado rápidos.

Os puzzles não são, de todo, exigentes, nem a dificuldade no geral.

É um jogo que se acaba bem em 10 horas ou menos, o que é uma pena. Aliás, essa foi a minha principal embirração com SteamWorld Dig 2.

Senti que estava a avançar depressa demais.

 

Por um punhado de Rodas Dentadas

A banda sonora minimalista e electrónica convida a uma audição complementar, fora do jogo.

Os audiófilos desfrutam de como a mistura dos vários instrumentos cria tapetes para que a jogabilidade seja sempre a protagonista, nunca a música.

A onda é toda muito steampunk meets Wild West. Tanto a nível gráfico como sonoro.

Os gráficos em si são um bocado toscos, mas perdoa-se porque o objectivo é mesmo esse.

A arte acaba por adicionar uma camada mais interessante a um jogo que perderia muito por avançar para um look mais moderno.

Dizia eu lá em cima que o pouco tempo que me levou a acabar o jogo me irritou. E é verdade.

Nem se trata de ser muito bom jogador, porque não o sou.

Apesar da existência de conteúdo pós-jogo, senti que havia espaço para tornar as passagens entre os vários cenários e ferramentas mais… vagarosas.

Até porque hoje em dia, numa indústria de videojogos repleta de jogos enormes, cheios de repetição de conteúdo apenas para atingir as dezenas de horas de jogabilidade, faz falta jogos como este.

Jogos que nos possam levar a repousar e a jogar menos intensamente.

Mas o equilíbrio encontrado na jogabilidade, infelizmente não foi alcançado na longevidade.

E assim, o que acontece é que deixa na boca aquele sabor muito amargo de “epá, já acabou?”.

Principalmente quando agora é que estava pronto para ser excelente.

Para mim, SteamWorld Dig 2 é uma boa adição a qualquer fã de plataformas. Mas fica por aí.

 

PONTUAÇÃO FINAL: 7.5

Carlos Duarte Mendes

Gamer a full-time, profissional de PR nas horas vagas, fanático por RPG's, Pokémon e memes obscuros no Reddit.

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