Se há meio ano não fui dócil para o Sony Xperia XZ2, o que conseguiu a marca ao lançar repentinamente o seu novo topo de gama Xperia XZ3?


Em primeiro lugar, há que aplaudir esta loucura, ou seja, destruir o valor e reputação de um modelo muito recente ao substituí-lo antes do que, afinal, pensamos como tempo certo.
Mas, bem vistas as coisas e depois do contacto com o novo Xperia, percebe-se bem este grande passo porque é este o modelo que deveria te sido lançado no início do ano.
São, por vezes, estes acasos que podem dar novo alento a uma marca que vê neste segmento a falência das suas políticas.
Não porque os produtos sejam maus, pelo contrário, mas porque a concorrência tem feito melhor. É tempo de rearrumar a casa, lamber as feridas e apontar em frente.
E foi isto que a Sony fez.
Sony Xperia XZ3, a análise à nova bomba nipónica

O novo XZ3 vem para ficar

No hands on que aconteceu recentemente em Lisboa, o qual podem ler aqui, coloquei algumas questões técnicas que ficaram para mais tarde esclarecer.
Infelizmente, uma tem a ver com uma minha teimosia em relação às conexão USB-C que toma o lugar do clássico e ainda muito útil mini-jack.
Mas já lá vou.
Vamos olhar para o novo Xperia e perceber porque é tão apelativo.
O desenho é realmente cativante, sem uma aresta, sem um defeito de forma, com um super ecrã que se eterniza pelas laterais, uma qualidade de imagem que faz uso das tecnologias da casa e que estão presentes nos televisores da gama Bravia.
O que mais me impressiona, logo num primeiro minuto, são as duas colunas estéreo que garantem mais 20% de potência em relação a tudo o que existe.
E, convenhamos, o resultado é assombroso.
O som é soberbo, alto, com garra e punch, parece que estamos (quase) numa discoteca.
Se ligarmos (felizmente que por níveis) a caixa de ressonância que faz tremer o Xperia conforme a acção no filme ou jogo, ficamos com a sensação que o som é ainda mais potente do que parece e que a qualidade de imagem rebenta com cores e texturas.
Sim, este Xperia XZ3 é invulgar neste campo, uma promoção ao que de bom a Sony tem no seu portfólio, uma aposta claríssima na utilização multimédia que tanto satisfaz o engenheiro de sistemas como o gamer.
Sony Xperia XZ3, a análise à nova bomba nipónica

Mas há sempre um mas, não é?

Já tinha referido de forma pouco simpática a má colocação do sensor ID.
Está demasiado abaixo e mesmo após o reconforto assegurado pela casa em que com a habituação depressa conseguiria não tocar na câmara e levar o dedo a dobrar-se num ângulo pouco natural, a verdade é que mantenho esta critica pois o meu indicador continua a tocar de forma automática no sensor fotográfico.
O tempo que se perde ao tentar acertar na posição certa é tão longo que cheguei ao ponto de desligar esta função. Felizmente, existem outras formas de destravamento.
A outra critica que fiz ao XZ2 teve a ver com o seu corpo demasiado escorregadio.
Ora vamos lá ver uma coisa: ninguém deseja ter um ataque cardíaco a cada vez que retira o smartphone do bolso (são umas dezenas de milhares de milhões ao dia) e é um pecado destruir o design com uma capa protectora.
Mas vai ter de ser!
Este XZ3 escorrega um pouco menos que o seu antecessor, mas continua a ser uma espécie de P.O.V.N.I., ou seja, um possível objecto voador não identificado.
Sony Xperia XZ3, a análise à nova bomba nipónica

Ao que o design obriga

Sou dos poucos que sempre gostou do formato quadrado e robusto dos Xperia. Caía e não se magoava. Era confortável e seguro.
Nunca parti um Xperia que fosse meu a não ser numa última viagem para dentro da máquina de lavar roupa e do seu programa de centrifugação.
Mas estes novos XZ exasperam-me neste sentido.
Sim, são muito bonitos, mas sim, vão ter de ser tapados por capas mais ou menos elegantes.
Mas este corpo é magnífico na sua forma, sem arestas, com um brilho que cativa olhares mas que capta todo o pó e impressões digitais.
As laterais confundem-se no final do ecrã e no início do vidro.
Parece um monobloco Kubrickiano porque, quando apagado, é até difícil perceber o que é o topo frontal, onde é a base traseira.
Sony Xperia XZ3, a análise à nova bomba nipónica

Funções originais

O Xperia XZ3 tem o melhor processador da Qualcomm, o 845, apresenta-se com 4GB de RAM que poderá afastar quem acha que quanto mais RAM melhores os resultados e parcos 64GB de memória interna.
Ok, podemos aumentá-la através de cartão, mas é mais uma despesa que teremos extra à capa de protecção.
De qualquer forma, eu gosto desta possibilidade de continuar a poder montar um cartão de memória.
Mas é já sob a capa do Android 9 Pie que muita novidade acontece.
Gestão do brilho do ecrã mais natural e gestão da bateria por AI, acompanham o controlo por gestos (pode até ser divertido ver, daqui a uns meses, os utilizadores a varrerem o ecrã com a palma da mão de um lado para o outro, nada que não façamos já para enxotar moscas, e, acima de tudo, a previsão das nossas necessidades.
Esta, denominada Slices, foi das que mais me chamou a atenção na utilização do XZ3.
Os mapas têm a função de nos apresentar locais próximos de acordo com o que pensam ser o que precisamos, lojas ou restaurantes. Foram alguns dias de utilização, mas insuficientes para perceber se esta aprendizagem é mesmo real e contínua.
De qualquer forma, o Xperia XZ3 é dos primeiros smartphones comercializados com Android P e isso é muito importante para as vendas.

Side Sense

Esta poderá vir a ser a função preferida de todos os utilizadores Xperia.
Muito à moda do fenomenal ecrã lateral de funções que a Samsung vem apresentando nos seus Galaxy de topo, o Side Sense é um submenu que surge quando tocamos duas vezes com a ponta do dedo nas laterais do ecrã.
Podemos programar as aplicações que queremos, a ordem, as notificações, etc.
Para além de se apresentar à esquerda ou à direita, dependendo da lateral que tocamos, funciona também como um ecrã em miniatura para nos facilitar a acção com apenas uma mão.
É que este ecrã de 6″ OLED QDR + HDR de formato alongado 18:9 não facilita uma operação simples, muito pelo contrário, ele é grande!
Chamar o Side Sense não é a operação mais prática do mundo e esta super sensibilidade nos extremos do ecrã que é curvo, também ocasiona o abrir de funções em falso quando lhe tocamos inadvertidamente.
Poderá ser um ponto que o tempo vai melhorar, mas que me obrigou a ter mais atenção, obrigou.
Sony Xperia XZ3, a análise à nova bomba nipónica

A bateria tem truques

A Sony sempre foi reconhecida pelos sistemas vários de poupança de bateria
O XZ3 não se fica atrás e mesmo com 3249mAh conta com inúmeras ajudas que o mantém acordado por muito tempo muito e também por “culpa” do Android Pie.

Maldito USB-C

Não é uma critica à Sony e, de alguma forma, este XZ3 até consegue satisfazer um utilizador como eu a… 50%.
Passo a explicar.
Tenho um microfone de lapela Rode que me custou algum dinheiro e que só tem uma função: ser utilizado com um smartphone.
Ou seja, o companheiro ideal para se realizar reportagens em directo filmando com as cada vez mais extraordinárias câmaras de vídeo.
Ora o USB-C tem alguns problemas, e as marcas não conseguem resolver questões que nos parecem estranhas.
A Huawei, por exemplo, corta o sinal directo de um microfone externo. Portanto, mata o jornalista repórter em directo ou mesmo um analista que está a mostrar um novo produto.
Perguntei no hands on se a Sony seguia este caminho, mas até eu entendo que é uma questão não usual.
Fiquei então de esperar pela resposta oficial, mas assim que o XZ3 me chegou, fiz imediatamente o teste.
A Sony corta o sinal quando se grava vídeo, o que é trágico, mas pelo menos aceita a gravação de um microfone externo em áudio.
Daí os 50% de satisfação.
Um pouco estranho, não é?
Sony Xperia XZ3, a análise à nova bomba nipónica

E a fotografia?

No XZ3 temos como principal uma unidade de 19 MP com Motion Eye e a frontal é a unidade de 13 MP que já tem um par e anos e foi “rebuscada”. Ambas gravam vídeo em 4K HDR, e podemos brilhar com o Super Slow Motion a 960FPS em Full HD.

Para brincar aos avatares, a Sony está muito à frente da concorrência com o 3D Creator que agora até facilita acções com expressões faciais. Sim, mete um bocado de medo tipo Chucky.

A qualidade das imagens é extraordinária. Com detalhes de grande resolução, o típico tratamento que a Sony dá em termos de saturação, e que muito me agrada, salta à vista neste ecrã tão qualitativo.

É também notória ausência de grão ou ruído quando se fotografa à noite, desde que exista um ponto de luz, seja um candeeiro de presença, ou um poste de iluminação exterior.

Vale a pena levar aos limites este Xperia que também se mostrou uma excelente máquina para filmar.

A super câmara lenta ainda só permite parcos segundos de gravação, mas com resultados fenomenais quando se acerta no timing.

O avatar 3D que se pode criar da nossa cara (e cabeça) é francamente assustador de tão real. E está a anos luz dos avatares animados das outras marcas de topo.

Depois de fazermos um Scan à nossa cara/cabeça, podemos alterar as feições com sorrisos pré-programados.

É muito à frente e permite umas grandes gargalhadas. Se quisermos imprimir um boneco 3D da nossa própria cabeça, é só enviar para uma impressora.

Séc XXI a todo o gás.

Sony Xperia XZ3

Concluindo

O Sony Xperia XZ3 recoloca a Sony no caminho certo.

Está, desta vez, um passo à frente (Android P) da concorrência, tem um design ultra sofisticado, um dos melhores ecrãs do mercado e uma boa câmara principal.

Tem curiosidades bem vindas, como o Side Sense, que tem utilidade, o Creator 3D que já vinha de trás mas ainda é único, e vantagens extremas, como a surpreendente qualidade de som (e potência). Ver um filme com este Xperia e uns bons phones, se optarmos pela trepidação da acção, ainda nos leva mais para dentro da acção.

É uma questão meio psicológica meio física que…. funciona. Principalmente para os gamers.

Tem ainda uma App que permite actuar como comando multidevice, algo só encontrado em menos de uma mão cheia de smartphones.
Toma o lugar de muitos comandos e é realmente útil e fácil de usar. Agradeçam ao sensor infra-vermelhos embutido.

Parabéns, Sony. Voltaste!

Pena o PVP: 799,99€ estão 100€ acima do que poderia ser um estrondo comercial (4 GB e 64 GB estão aquém do que anda por aí).

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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