Análise ao Sony Xperia XZ2 que apresenta todo um novo conceito e linguagem de design mas que tem os seus altos e baixos.


Análise ao smartphone Sony Xperia XZ2

Porque mudar o que estava bem?

Ao contrário de, vá lá, 80% dos analistas, sou daqueles que adora o formato quadrado, bolachudo, rigoroso, perfeito, altamente elegante, original e de excelente qualidade de construção dos Xperia de 2013 até agora.

Podem esgrimir argumentos como “o tamanho das bordas”, a “largura dos bezels”, mas o que é certo é que quem tem a sorte de, por uma vez na vida, usar um Xperia como smartphone diário, nunca mais o irá esquecer.

É que é precisamente esse design que o transforma num equipamento único e, acima de tudo, com excelente, notável grip.

Análise Sony Xperia XZ2

Adeus sensor ID na lateral

E o que dizer do sensor de impressões digitais colocado na lateral, exactamente onde o polegar assenta?

Nada é tão perfeito, tão… natural!

(vim a perceber que houve uma denúncia sobre uma qualquer patente norte-americana que impede a Sony de comercializar equipamentos com essa opção. Mas que mundo este).

E o que faz a Sony em 2018? Anunciou um novo design, algo disruptivo contra toda a sua história, uma opção pelas curvas e linhas de água, sim, leram bem, um profundo e assumido arredondar da capa traseira e com a eliminação de qualquer ângulo recto.

O novo Sony Xperia XZ2 é o exemplo disso. Em verde (que é azul) Acqua ou lá como se chama. E o que penso sobre isto? Tenho duas opções: dizer a mais pura das verdades ou brincar aos analistas.

Análise Sony Xperia XZ2

A mais pura das verdades

Meus amigos, esta traseira é visualmente bonita. Parece realmente um objecto que vive debaixo de água. E, muito sinceramente, não o agarrem junto a uma piscina, poça, lavatório ou sanita. É que este XZ2 vai escorregar-vos da mão em busca do seu, posso adiantar, “elemento natural”.

Este design é, em termos práticos, um completo desastre.

Compará-lo com o meu defunto Z2 – ler análise – (que continua a receber chamadas mesmo que dobrado ao meio devido à centrifugação da máquina de lavar roupa) é comparar um elemento sólido com um elemento gasoso.

Leram bem, disse gasoso e não líquido, porque é o ar que fica na mão quando o deixamos escorregar.

E, acreditem, isso vai ser um acontecimento diário.

Valha-nos a certificação IP68 que garante a sobrevivência de um mergulho até metro e meio e durante meia hora.

Análise Sony Xperia XZ2

Ah e tal, compra-se uma capa

Parte da minha vida tem a ver com comunicação e design.

Portanto, o traço dos equipamentos, as linhas, as curvas, é algo que me fascina.

Desde que a Apple lançou o iPhone que percebi que todo o esforço de engenheiros e designers é estragado por uma porcaria de plástico que se coloca por cima do equipamento para resguardá-lo dos acidentes.

Mas atenção, compreendo isso muito bem.

O risco de deixar cair o nosso mais que tudo smartphone resultando numa mais que possível racha no ecrã, faz com que optemos por estragar todo o feeling do seu material, ou seja, todo o estudo ergonómico que custou uma fortuna.

Mas este XZ2 precisa, clama, grita por algo que o segure à nossa mão!

Mais valia terem ficado pelo tal “odioso” aspecto de tijolo. É que esse nunca precisou de capas e, sem elas, fica menos espesso que o mais fino dos novos smartphones.

O XZ2 escorrega, ponto final.

Esqueçam colocá-lo entre o ouvido e o ombro, e, devido à tampa de vidro arredondado, esqueçam escrever mensagens nele quando estiver sobre uma mesa.

Análise Sony Xperia XZ2

A mais pura das verdades parte II

Por outro lado, temos a qualidade Xperia.

Um ecrã LCD de 5,7” em formato 18:9 (estreia na Sony) com HDR e X-Reality os tradicionais e exclusivos melhoramentos e aplicativos da marca, tornam este ecrã num glorioso instrumento de visualização de vídeos.

O som é, como só poderia, estereofónico. O design aqui ajuda a esconder os altifalantes, que lançam um som dedicado de excelente qualidade e, naturalmente, com menos volume que muitas colunas monofónicas que andam por aí.

De resto, a Sony é naturalmente a melhor marca no que toca à reprodução sonora com as tecnologias LDAC, Hi-ResAudio, etc.

Por outro lado, continuo sem entender a função vibratória (Dynamic Vibration) que tenta dar a sensação que o som é mais grave do que na realidade é, tipo caixa de ressonância.

Esta opção pode ser perfeita para os gamers que têm subscrito o mundo Playstation, pois o Xperia vira comando (quase) dual chock.

Ou seja, as vibrações tendem a acompanhar a acção dos jogos.

Análise Sony Xperia XZ2

A máquina

Snapdragon 845, 4 GB de RAM, 64 GB de armazenamento interno expansível por cartão até 256 GB e a ajuda do Android Oreo 8.0 que parece que melhora tudo.

O ecrã Full HD parece, no papel, muito frouxo comparativamente com os 2K de alguns concorrentes e até os 4K que a própria Sony tem na gama Premium.

Mas na verdade, nem damos pela diferença. Temos até HDR em conteúdos que o não são, cores frias, vibrantes, cruas, em suma, naturais, como a marca gosta e nos tem habituado.

A bateria de 3180mAh aguenta-se bem também devido ao ecrã menos “gastador” para além das tecnologias Stamina que realmente sempre foram um diferencial a favor da Sony.

Análise Sony Xperia XZ2

As câmaras

Antes de falar da principal, destaco a função 3D (que não é novidade na marca) para fazer um Avatar quase real da nossa cabeça (e não apenas a face como os animoji) na câmara frontal.

Mas em 2018 com apenas 5 MP com f/2.2? Opá…

A câmara traseira podia brilhar como nenhuma outra.

Câmara principal: com 19MP e Motion Eye poderia brilhar como poucas, mas este valor absurdo, no bom sentido, é travado pela abertura de f/2.0 que, muito resumidamente, estraga tudo.

Não se entende quando muitos dos concorrentes são muito mais luminosos que este sensor da marca que…. por acaso até fornece quase toda a concorrência.

Atenção: as fotografias são excelentes quando em modo de luz natural, mesmo que aqui e ali se perceba que os brancos estão um pouco mais abertos (ou estourados) que o que seria perfeito.

Mas em condições onde a Sony sempre brilhou, a baixa iluminação, faz aumentar o grão e os resultados finais pecam pelo fraco contraste.

(adenda: revi algumas fotos tiradas à noite e apenas banhadas com a luz do próprio ecrã. São extraordinárias! Não percebi como é que numas ocasiões os resultados são menos que óptimos).

Reparem que critico uma das melhores câmaras do segmento que, logicamente, está longe dos sistemas que se montam na gama média.

Mas filma 4K com HDR e com super slow mo a 960 fps que é, realmente, espectacular. Mas já não está sozinha neste campo.

Curiosidades

Não temos entrada para auscultadores… que tendência do demo!!!

Análise Sony Xperia XZ2

Conclusão

Não vou mentir: o toque da Sony está presente para o bem e para o mal.

Lá em cima não fui simpático com o design, mas continuo a gostar muito da experiência de utilização.

Parece que tudo é mais suave, mais directo, mais sensorial. Não me perguntem, é algo que se tem de sentir.

Mas o posicionamento do sensor de impressões digitais estraga todo este encantamento.

O meu indicador carrega sempre na objectiva, sujando-a e forçando-me a dois toques para acordar o terminal.

É tão mau ou pior que o posicionamento nos S7 e Note7 da Samsung.

Mas fiz uma experiência e cheguei à conclusão que a colocação é perfeita para as senhoras, pois nunca se queixaram de tal problema e, realmente, a ponta do dedo acertava no sensor biométrico.

Resumindo, é um Sony Xperia. É muito bonito. Mas, neste modelo, nada é prático.

Tem concorrentes de peso que o ultrapassam em quase tudo.

É uma pena para um fã da Sony como sempre fui.

Bom, espero pela análise ao Premium que, decerto, recolocará os pontos nos i.

PVP: 850€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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