O Note 9 é o expoente tecnológico da Samsung que aposta num utilizador mais exigente. S Pen, DEX e Knox são armas num mercado competitivo

A Samsung continua a ter na sua gama Note o melhor dos mundos. A nona geração é mais eficaz mesmo não mudando muito do que vinha da anterior. E depois, aquela S Pen faz a diferença.

Análise Samsung Note 9

Faço, entretanto, uma confissão: ando a vadiar. Explico: sou o infeliz sortudo ou o infortunado felizardo que tem andado a utilizar dois dos melhores smartphones dos últimos tempos: o Huawei Mate 20 Pro (análise aqui) e este Samsung Galaxy Note 9.

E antes que me peçam conclusões, porque isto não é assim tão fácil, deixem-me já explicar uma coisa: são, talvez e porque não tenho acesso a todos, os dois melhores smartphones da actualidade, mas são tão diferentes na concepção, no grupo-alvo e na forma de utilização, que não se pode optar por um em detrimento de outro.

Passo a explicar

O Huawei é um bloco negro com um design que está entre o que a Apple faz e que a Samsung inova (o notch e cantos arredondados de um e o ecrã com laterais arredondadas de outro) e características técnicas que o empurram para o topo da tabela. Apostou fortemente na secção fotográfica, inteligência artificial e velocidade de processamento. É, sem dúvida, um top.

E a questão de falar do Huawei na análise do Note 9 é apenas uma: esclarecimento!

Análise Samsung Note 9

É que sou abordado por muitas pessoas que querem comprar o “melhor telefone” multi-tarefa e optar entre um ou outro. E a minha resposta é sempre uma pergunta: para que querem o equipamento, para que funções, qual a real necessidade?

É que os dois fazem quase tudo da mesma maneira, mas enquanto um deixa o mundo empolgado com o que descrevi acima, a Samsung tem no Galaxy Note 9 um tudo-em-um que nos deixa boquiabertos com as potencialidades de trabalho em movimento.

Análise Samsung Note 9

Pensado para o cliente que procura o pacote perfeito

Chamo-me João, por exemplo, e quero ter no bolso um telefone que me evite transportar, reparem, uma câmara de vídeo que até possibilita um certo efeito cinematográfico, uma câmara fotográfica francamente boa, uma agenda profissional, um tablet com som estereofónico e, porque não, todo um computador.

É que, a brincar a brincar, sendo bloguer, filmo, fotografo, edito, produzo, e, ainda, escrevo. Não é fácil encontrar a “arma”perfeita.

E em muitos aspectos, o Note 9 responde a estes desejos (ou necessidades) de uma assentada: tem uma câmara dupla soberba, tem som estéreo frontal francamente bom, o que permite ver e ouvir conteúdos sem grande esforço, tem processador, RAM e capacidade gráfica para, e aqui está um dos factores plus, me permitir ligar um qualquer ecrã de maiores dimensões (com ou sem cabo específico, já lá vamos) para, por exemplo, trabalhar os conteúdos que fotografei e filmei.

E, com a S Pen, posso – com alguma limitação -, escrevinhar depressa uma qualquer ideia, contacto, gráfico, que guardo automaticamente num folder específico.

Portanto, e feitas as contas, o Note 9 é… um verdadeiro computador de bolso.

Para mais, tem ainda a importante e, para mim, obrigatória ficha mini-jack que me permite ligar-lhe um microfone de lapela, no caso o Rode SmartLav+, o que me permite, ainda, usar um smartphone como câmara de vídeo e todas as vantagens que um microfone externo transporta para o conteúdo.

Neste momento, são a Samsung e a LG quem continua a manter esta filosofia, das marcas grandes, mas algo me diz que também esta benesse está com dias contados nos futuros Galaxy de topo. A ver vamos.

Análise Samsung Note 9

Características ímpares

Não vou gastar parágrafos com as características técnicas do Note 9, basta ir à página oficial para obter essa informação.

Vou, antes, tentar explanar o que mais importante tem este smartphone para o chamado “profissional em movimento”.

Sistema DEX

O sistema DEX é, quanto a mim, uma das principais razões para se comprar o Note 9. Não apenas porque o liga a um monitor externo, mas como o faz.

Tenho a sorte de ter um monitor moderno à minha frente, curvo e muito wide, que tem, acima de tudo, uma quantidade de conexões que me permitem, com um cabo que veio no pacote, ligar qualquer dispositivo com tomada USB-C à entrada HDMI.

Ou seja, é perfeito para experimentar o DEX (ou outros sistemas similares, que os há).

O que não é perfeito é a forma como esta conexão acontece.

Por exemplo, não é automática. Quer dizer, o Note 9 avisa que está ligado por HDMI a um monitor externo, mas sou obrigado a mudar manualmente o modo de entrada no monitor em vez de ser uma acção imediata e automática.

Depois acontece uma particularidade que me fez perder algum tempo, pois não vem explicada no site que a Samsung tem para o DEX: precisamos de um teclado e de um rato ligados ao monitor para usar, como é previsto, as facilidades do Note 9.

Análise Samsung Note 9

Mas acontece que esse teclado e rato têm forçosamente de ter cabo, ou seja, fui obrigado a ir ao armário do material que não uso diariamente para encontrar um rato com cabo e ficha USB e um teclado idêntico.

Esta situação obriga também a que o próprio monitor tenha ligações disponíveis para mais estes dois elementos, o que pode ser complicado.

Mas após esta “configuração”, consegui finalmente trabalhar em ecrã total apenas com o telefone ligado. E escrevi “telefone” propositadamente, pois este instrumento que faz e recebe chamadas, com o seu mega processador e 6 GB de RAM, é mais rápido que a maior parte dos computadores aqui de casa.

É fácil, para quem está habituado, trabalhar com a suite que vem já instalada no Note 9, como o Office, o que através de um ecrã de maiores dimensões e um teclado a condizer, pouca diferença faz para o computador que anteriormente estava a ser usado.

Pelo contrário: a dinâmica Android coloca-nos “na mão” todo um mundo de aplicativos que podem ajudar e complementar esta solução.

Por outro lado, e após algumas tentativas, não consegui trabalhar com a S Pen ou fazer do ecrã do Note 9 um trackpad como é suposto. Mas, confesso, deve ter sido um erro meu ao não escolher a configuração certa ou será apenas possível através dos cabos ou acessórios próprios da marca.

Também quero avisar que a maior parte dos jogos não funcionam neste método. Vemos os ecrãs e conseguimos até algumas acções, mas não todas, o que para conseguir os intentos não é solução.

Por outro lado, podemos ver vídeos em ecrã maior e até escolher o canal de saída de áudio, do telefone para o monitor ou colunas integradas.

Portanto, há sempre mais um factor ou outro que pode ajudar este ou aquele utilizador.

Análise Samsung Note 9

A bendita e extraordinária S Pen

Confesso-vos que este elemento é o motivo para me dificultar a escolha do melhor smartphone do ano ou do trimestre ou disto ou aquilo.

É que sou fã, direi mesmo, fanático da S Pen, desde o Note original, já lá vão uns anos, que foi o único que comprei e me ajudou a ultrapassar muitas dificuldades.

Passo a explicar: uma das minhas profissões é, ainda, ser copywriter. É bem verdade, escrevo alguns anúncios que podem ver aqui ou ali, algumas frases para jingles ou até para spots TV.

Mas, nos dias de hoje, tenho também a necessidade de ser director criativo, assistente de realização, montador de painéis, editor de vídeo, enrolador de cabos, fotógrafo de cena, e mais um mundo de outrora profissões bem remuneradas.

Análise Samsung Note 9

Mas uma coisa que nunca consegui fazer na vida foi dedicar-me ao CorelDraw ou ao InDesign e fazer a bonecada. Hélas, nem consigo perceber como há malta que domina o Photoshop e faz magia a cada minuto de progresso.

Ora como explicar a um designer que trabalha comigo uma certa peça gráfica, que quero este ou aquele tipo de boneco, traço, paginação, elemento, sei lá, qualquer coisa, de forma muito simples, funcional e rápida?

Pois através e com a S Pen e a suite de trabalho do Note 9 que aacompanha, tiro a foto ao gráfico que me enviaram e faço os meus rabiscos, com cores diferentes e anotações, que desejo ver modificado. Poupo um trabalho desgraçado a quem trabalha comigo e evito umas horas de trabalho explicativo.

S Pen do Note 9 está ainda mais eficaz, pois agora está conectada ao telefone por bluetooth, o que nos permite fazer mais acções através da sua simples utilização.

Por exemplo, tirar uma fotografia de longe com o toque no botão da S Pen ou escolher uma selfie (o modo muda através da quantidade de toques no botão), usá-la como apontador digital para passar slides numa apresentação, fazer play/pausa de vídeos e música, etc.

Mas será sempre a função de caneta que nos faz usar e abusar dela. O ecrã escuro com “tinta branca” é um mimo e uma opção fantástica para quem está numa sala de conferências e num ambiente mais escuro, não tendo de ligar o smartphone e o brilhante ecrã.

Análise Samsung Note 9

A suite tem sido melhorada, a caneta tem mais sensibilidade, podemos recortar e editar blocos de texto ou imagens com maior facilidade, até conseguimos transformar rabiscos em texto corrido. Quer dizer, conseguimos se tivermos uma caligrafia bonita e arredondada, exactamente o oposto da minha.

Nesta nona geração, a Samsung conseguiu espremer uma bateria de 4000mAh mesmo com a presença da S Pen no interior do chassis (e que é recarregada quando está arrumada), o que é de aplaudir.

No entanto, há que apontar que, dependendo do tipo de utilização, pode chegar ao fim do dia de trabalho mesmo no limite. Contudo, no pacote vem um carregador rápido que nos safa em pouco tempo de recarga se de tal necessitarmos.

Por outro lado, conseguir juntar uma bateria deste calibre e uma caneta no interior, alargou o corpo uns milímetros ao ponto de ficar grande demais para mãos mais pequenas, sendo mesmo complicado utilizá-lo apenas com uma.

Análise Samsung Note 9

Muitas funções extra

É preciso muito tempo para conseguir sacar (ou usar) todo o potencial deste smartphone. Se nos dermos ao “trabalho” de lhe estudar os menus, percebemos que o Note 9 é muito personalizável, pois dá-nos variadíssimas opções de interacção ou modificação em muitas áreas. São tantas que seria fastidioso escrever todo um romance à conta desta secção.

Mas há coisas que, não sendo novidade, me fazem gostar francamente dos topo de gama da marca sul-coreana: uma delas é o ecrã lateral que nos serve como um imenso e extraordinário atalho para todo um conjunto de acções, das mais básicas (como os contactos e agenda) às informativas e até mesmo a aplicações de trabalho.

O Note 9 tem certificação IP68 e permite o carregamento sem fios, tem sensor para nos medir a tensão arterial e os batimentos cardíacos, e um assistente pessoal chamado/a Bixby que, infelizmente, continua a ser dispensável porque limitado e complicado de usar.

Nota positiva: o sensor de impressões digitais está agora por baixo do conjunto das câmaras e flash o que é, finalmente, o lugar certo e funcional.

Este sensor é ainda importante, pois o reconhecimento facial ou por íris da Samsung continua demasiado lento e pouco dado a ambientes escuros. Então quando tiro os óculos, já que registei a minha face com eles, é muito difícil que o destravamento aconteça.

Análise Samsung Note 9

A famosa dupla câmara traseira e os truques da frontal

Acompanhando e melhorando o que apresentou no modelo S9+, o Note9 está equipado com dupla câmara traseira que conta com uma objectiva grande angular de 12MP de abertura variável f/1.5 ou f/2.4, e uma segunda unidade com 12MPf/2.4 quefacilita a profundidade de campo assim como permite um Zoomx2muito eficaz.

Importante é o facto de contarmos com estabilização óptica, tanto para foto, como e acima de tudo para vídeo.

E como mencionei no início do texto, o Note 9 é uma portentosa câmara de vídeo que nos permite resultados francamente profissionais e uma ou outra brincadeira criativa como o Super SlowMotion (que só serve mesmo para mostrar aos amigos), gravação 4Ka 60 fps (isto sim), HDR, detecção de cena, parâmetro smanuais e inteligência artificial para compensar os nossos erros.

Já a câmara frontal tem 8 MP com abertura f/1.7, muito bom, e podemos filmar a 1440p a 30 fps. Há também um conjunto de filtros criativos para além do Animoji que fazem de nós um Avatar com que depois podemos brincar.

Análise Samsung Note 9

Concluindo

Sim, o Note 9 custa mais que 1000€, mas por todas as características que mencionei, algumas únicas e exclusivas num mercado cada vez mais saturado, podem ser explicados com uma utilização bem mais profissional a que um smartphone está sujeito.

É realmente rápido, potente, com um ecrã fabuloso assim como a qualidade sonora (até vem com uns belos auriculares da JBLDolby Atmos para compor o ramalhete), que permite multi-tarefa sem qualquer queixume.

As câmaras fotográficas estão no topo do que se consegue fazer hoje, mesmo com o mais dinâmico Mate 20 Pro, mas tem funções e potencialidade que servem qualquer tipo de necessidade, da mais amadora à semi-profissional e é um dos grandes destaques que acompanham os topos de gama desde há uns anos.

Claro que existem parâmetros menos conseguidos, um deles a questão da segurança reforçada (nem falei do Knox) que é nefasta para o sensor facial, a duração da bateria quando em modo “full work” e o Bixby.

Mas quando nos apercebemos das vantagens que o DEX oferece ao profissional em movimento constante (nem que seja do escritório para casa) e às características únicas da S Pen, sei que não posso, nem devo, compará-lo com o Huawei Mate 20 Pro ou qualquer outro smartphone, para ser ainda mais claro.

Análise Samsung Note 9

Note 9 está numa classe à parte e foi desenvolvido para um nicho de mercado. E se ainda consegue competir com quem está em alta nos mais diversos sectores de apreciação, é porque a Samsung fez um excelente, notável trabalho.

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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