Análise ao Microsoft SurfaceBook 2, a nova versão daquele que é considerado o rei dos híbridos. Poderá o preço travar o triunfo?

Quando me telefonaram para marcar a entrega do Microsoft SurfaceBook 2 fiquei muito surpreendido e, acima de tudo, entusiasmado.

Ultimamente têm sido raros os equipamentos da marca global a chegarem a Portugal para análise dos vários meios que se debruçam com gosto sobre esta matéria e, na verdade, o SurfaceBook original nunca cá chegou.

Fiquei com o espírito aguçado quando vi o original pela primeira vez na IFA 2017 salvo erro, e porque fui (com dois colegas de ofício) lesto a entrar num stand que o tinha montado.

Daí até hoje, confesso, fui alimentando o sonho de poder experimentar um. Sim, porque comprá-lo é todo um outro filme devido ao preço a que é proposto.

A questão até passa por aí: será o SurfaceBook 2 tão, mas tão bom que valha todos os cêntimos pedidos? É que estamos mesmo a falar de muito dinheiro, dependendo da versão.

Análise Microsoft SurfaceBook 2, o híbrido que todos desejamos

A versão em análise

Caiu-me nas mãos uma das versões topo da gama de ecrã 13,3” com o processador Intel Core i7 8650U (existe ainda a 8660) empurrado com uns fantásticos 16 GB de RAM com um mais que suficiente disco SSD com 512 GB e, atenção, uma gráfica Nvidia GTX 1050 GPU colocada na base.

Só isto faz crescer água na boca, não é?

Agora imaginem que este poder de processamento equipa um, ao fim e ao cabo, computador híbrido com ecrã que se destaca do corpo e, para além de assumir quatro Modos distintos, pode apenas servir como tablet de trabalho e lazer.

E o que dizer do perfeito casamento entre a Surface Pen com um equipamento que foi pensado e idealizado para ela (bom, mais ou menos, mas também)? Tudo isto é ouro.

O sistema Windows 10 PRO parece que foi projectado para este equipamento, tal é a simplicidade em alteramos de modo de forma automática para Modo Tablet ou nas várias opções que podemos ligar ou desligar em modo Multitasking (abrir janelas para os extremos, redimensionar as ditas, criar ambientes de trabalho virtuais, etc.).

Análise Microsoft SurfaceBook 2, o híbrido que todos desejamos

O melhor de dois mundos

Se por um lado temos um tablet super-fino e, para o tamanho, muito leve com uma qualidade de imagem de topo, é bom notar também que não tem ventoinhas inclusas o que lhe permite um silêncio de funcionamento quase total.

O design demonstra o cuidado com que os engenheiros pensaram na respiração de todo este aquecimento e basta olhar para as saídas de ar que rodeiam todo o corpo para ficarmos com a noção que tudo foi bem pensado.

Temos duas colunas colocadas bem nos extremos e topo do ecrã, quando virado para nós, que quase se confundem com a junção do vidro e tampa de carbono.

É na base que a maior parte do poder foi colocado, com a já mencionada placa gráfica para além do disco, as conexões e o teclado + touchpad.

Portanto, é fácil explicar como a Microsoft pensou o equipamento: juntos é uma máquina de trabalho. Separados é um excelente tablet que continua a ser um mouro de trabalho mas sem tanta “panache”.

Análise Microsoft SurfaceBook 2, o híbrido que todos desejamos

Este maravilhoso teclado

Como escritor de conteúdos (agora é isto que me chamam), um bom teclado é fundamental tanto para a rapidez de escrita como para o gozo que essa mesma escrita me dá.

Já o tenho dito que as palavras fluem mais rapidamente quando tenho o cursor perfeito, o espaço ideal entre teclas, iluminação decente e progressiva, etc.

Acontece que este teclado e a caixa onde está inserido é… perfeito!

Não posso opinar mais. Está tudo no sitio certo, o apoio para os pulsos têm a largura quase ideal (deverá ser óptima na versão de 15”), o toque é imediato, sem atrasos, até o som das teclas me convence, embora possa ser um pouco ruidoso para quem me está ao lado.

Depois tem aquelas maravilhas que um topo de gama está obrigado a oferecer, como teclas directas para o controle dos vários níveis, um excelente Enter e uma tecla de espaço que ainda dá lugar para arrumar ao lado mais umas funções extra.

Se ficaram mesmo fãs do desenho e potencialidades deste maquinão mas (como será provável) não têm, querem ou podem gastar a fortuna que custa, vale bem a pena vasculhar o site dedicado ao modelo onde se encontram alternativas mais em conta.

Mas é sempre bom fazer contas, pois existem modelos de marcas concorrentes que merecem atenção.

Ligações

Um dos pontos negativos deste SurfaceBook 2 é o facto de não permitir o recarregamento através de um simples cabo USB-C, como muitos outros portáteis já o permitem.

Para quem anda de aeroporto em aeroporto, hotel em hotel, conferência em conferência, todo o peso e volume da mala que transportamos é importante e ter de levar mais um cabo com transformador e, atenção, ligação exclusiva, é uma chatice.

Sim, eu sei que este cabo Surface Connect é específico para podermos trabalhar a todo o gás com o SurfaceBook 2, sei que ultrapassa qualquer problema de segurança.

Mas não custava mesmo nada conseguir, porque não e também, usar uma das USB-C para um recarregamento nocturno, por exemplo.

No que respeita a ligações, não estamos muito à vontade.

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Duas USB-C (tipo 3.0) em cada um dos lados, uma USB-C (3.1) para o futuro de qualquer coisa que a marca esteja a pensar e um leitor de cartões.

Atenção que as USB-C são de primeira geração o que impossibilita as velocidades de transmissão e suporte para Thunderbolt 3 e isto, para quem precisa desse plus, é um sério problema. Principalmente porque falamos do equipamento mais dispendioso do segmento.

Caso não saibam, existe um protocolo denominado Windows Precision TouchPad, “lei” seguida à risca no Surfacebook 2.

Este touchpad é realmente muito bom, de tamanho ideal para a dimensão de um laptop de 13”, muito sensível mas não tanto que “perca o movimento”, com os dois cliques muito bem divididos e com a pressão correcta porque, e atenção, há sempre o novo-velho mundo dos multi-toques para realizar certas acções.

Estes movimentos conseguem ser desesperantes através de alguns touchpad e que me fazem ligar e optar por um mais tradicional rato para ser mais lesto.

Mas o SurfaceBook 2 é uma maravilha nestas acções, desde os Zooms ao passar das páginas, tudo corre sempre de forma muito fluida e extraordinariamente competente.

Já vos tinha dito que adoro este teclado, não já? Esta é mais uma das razões.

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A Surface Pen

Não sou, admito, um bom desenhador. Mas sei rabiscar e isto, meus amigos, é uma mais valia quando quero passar a informação gráfica que tenho na cabeça a alguém que realmente seja um designer ou artista gráfico.

Esta caneta é, numa frase, boa demais para mim. É que é tão sensível que qualquer risquinho é feito com grande facilidade, alterado e mudado logo a seguir e tudo o mais.

É um encanto ver mestres como o Óscar Rocha criar peças de arte num ecrã e este, particularmente, bem nascido para toda esta experiência de toque.

A Surface Pen faz uso da Ultra Low Density do sistema e dos 4096 níveis de sensibilidade para funcionar com quatro pontas muito diferenciadas e extremamente eficazes para cada tipo de traço.

Para mim, convida a fazer uns bonecos mais artísticos, experimentando até sombreados e outro tipo de acções.

Mas deixo este segmento para quem realmente sabe da poda.

Os dois botões, um no topo com duplo clique e o colocado de lado, servem várias acções. O botão lateral pode ser usado como “botão direito do mais tradicional rato”.

Análise Microsoft SurfaceBook 2, o híbrido que todos desejamos

As curiosidades

Sabiam que o SurfaceBook 2 faz reconhecimento facial para se desbloquear? Pois é, através de Windows Hello.

Que existe uma tecla dedicada para separar o tablet da base (no primeiro era ainda uma alavanca) e que faz mesmo com que o sistema se separe mecanicamente, bastando depois puxá-lo dos magnetos?

É daquelas coisas que gostamos de mostrar aos amigos geek.

A pilha AAA garante 18 meses de vida útil da Surface Pen.

O reconhecimento de escrita manual convida a escrever grandes testamentos. É muito bom.

O Touchpad permite criarmos alguns movimentos com três e quatro dedos.

Fazer um Print Screen nunca foi tão fácil e temos até duas opções: com a Surface Pen basta clicar duas vezes no botão do topo. Através do teclado, é carregar simultaneamente nos botões Power e Volume +.

Podemos recarregar apenas o Tablet através da ligação Clipboard que se encontra na base do mesmo e que fica escondida quando o conectamos ao teclado. Esta ligação também permite conexão directa à, se tiverem, dock station.

O único botão de iluminação do teclado tem três níveis incorporados. Basta ir carregando até voltar ao zero.

Conclusões

Podemos, para tirar o máximo partido de todas as possibilidades que este SurfaceBook 2 nos oferece, escolher três níveis de performance e duração da bateria.

Basta carregar no ícone da bateria para a escolher mediante esse menu.

Aliás, existem estes menus por todo o lado e para diversas acções, o que nos garante sempre todo um mundo de aventuras e alegrias.

A questão da escolha por este SB2 tem a ver particularmente com as necessidades do seu utilizador.

Para os gamers, o SB2 é um computador que garante uma boa experiência com jogos a 1080p. Mas existe toda uma fornada de “portáteis” com capacidades dedicadas.

Para um designer, é uma escolha bastante interessante, principalmente se trabalhar em grafismo ou design de peças e mesmo 3D.

Outro cliente poderá ser um blogger que também faz podcasts e tem um canal youtube, ou seja, mexe com edição áudio e vídeo que, sabemos, puxam bastante por toda a maquinaria

Já para quem faz somente trabalho de escritório, existem propostas a menos de metade do preço que garantem uma excelente dinâmica.

Numa nota pessoal, fiquei deslumbrado por todo o pack, adoro o teclado e o touchpad, o ecrã tem uma qualidade digna de registo, tudo o que faz, faz bem.

Análise Microsoft SurfaceBook 2, o híbrido que todos desejamos

Mas…

Este preço, principalmente com esta versão quase topo dos topos da gama, é o preço de uma Scooter 125 das mais caras em nova.

Será demasiado para um híbrido que está, realmente, bem feito?

Só a vossa bolsa o decidirá.

Dou-lhe o selo de prata porque existem alternativas eficazes a mais baixo preço.

E com os vencimentos portugueses, todo o tostão poupado é um litro de gasolina extra ao fim do mês.

 

PVP: 2949€ (versão ensaiada) preços a partir dos 1600€

VoiceBox - selo prata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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