Na análise ao Huawei P20, descubro o que tem de muito bom, de bom e também de menos favorável. Mas a sombra do irmão “Pro” pode afectar parte do sucesso.


Análise ao smartphone Huawei P20

A Huawei apresentou simultaneamente os dois novos smartphones Huawei P20 e Huawei P20 Pro num preview Londrino reservado a uma elite de comunicadores e analistas internacionais destas andanças. E lá fui.

Agora, e após um mês de utilização, eis então o que penso do Huawei P20, a versão do meio da tabela P.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"

Será que no meio está a virtude?

A questão que se impõe é a que todos fazem: será que a aposta extraordinária na comunicação do P20 Pro poderá definir um mau destino ao “normal” P20?

Não creio. Existe, logicamente, uma atenção desmedida em torno do smartphone que apresenta soluções ímpares, mas na verdade, o P20 vem substituir o lugar do mega sucesso de vendas que foi o Huawei P10 e que garantiu um grupo alvo bem definido.

Ler análise Huawei P10

Este target procura um excelente telefone que apresente uma máquina fotográfica topo de gama, funções e aplicações para todos os gostos e necessidades, tecnologias recentes e um toque especial.

O Huawei P20 tem tudo isto e mais alguma coisa. Contudo, será sempre a alternativa menos dispendiosa da versão Pro, aquela que todos desejam.

Temos também que perceber a dinâmica do mercado e sentir o pulsar da grande batalha em que os três fabricantes de topo estão envolvidos:

o P20 está para o Samsung S9 como o P20Pro está para o S9+.

Tudo definido, portanto, mesmo em termos de preço de venda ao público, muito similar em ambos os casos.

De uma coisa o P20 não se livra: de ser apetecível. Muito! É bastante bonito, tem um factor cool associado pelo notch, boa dimensão de ecrã e respira actualidade.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"
Painel traseiro

Pormenores, para que servem?

Por vezes é nos pequenos detalhes que se vence uma batalha e vivi um desses episódios: ao tirar uma fotografia a amigos que estavam comigo numa esplanada, um deles percebeu que, ao lado do flash, está escrito LEICA.

Consequentemente, fez a pergunta: “Leica? Mas a Leica já faz telefones?”.

Expliquei a parceria, as vantagens e os porquês, ao que me respondeu que antes de embarcar de regresso a casa, nos EUA, iria comprar um. Ficou pasmado! E “nos EUA não se encontra disto”.

Agora nós: estando habituado aos smartphones de maiores dimensões, não foi nada difícil, ao contrário do que esperava, adaptar-me ao ecrã do P20 com as suas 5,8.

Muito pelo contrário, dei por mim até a preferir utilizá-lo em muitas ocasiões, e posso até afirmar que, ao final de um mês de utilização frequente, acredito que esta seja a dimensão perfeita para um smartphone de nova geração e com este ratio de ecrã.

Contudo, e como já são alguns anos com telas de 6”, sei que me é mais fácil lidar com ecrãs grandes, embora este P20 me tenha conquistado.

Vamos ser francos: na verdade, a diferença não é assim tão grande.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"

No papel, que tal é a maquineta?

O ecrã Full HD+ tem resolução 2244 x 1080 pixels mas, infelizmente, não é Amoled e, por isso, não apresenta as informações no sistema Always-On.

É, quanto a mim, um ponto a desfavor.

Quanto à rapidez, nada a apontar: está equipado com o processador de topo da casa chinesa (Kirin 970 com unidade de Processamento Neural), tem 4GB de RAM, 128GB de memória interna e já vem com Android Oreo 8.0, a mais recente versão do sistema operativo, assim como a versão 8.1 do exclusivo EMUI.

Se bem que 128 GBs sejam mais que suficientes para 90% dos utilizadores, é com algum pesar que percebo que a Huawei abandonou, pelo menos nos topos de gama, a possibilidade de ampliar a memória através de cartão.

E isto, para quem, por exemplo, quiser guardar os vídeos que grava em 4K durante as férias, pode vir a ser complicado.

Sim, podem dizer que basta fazer-se acompanhar de um disco rígido externo. Mas para isso, precisamos de um computador. E computador sem cabos, pode ficar sem bateria… and so on.

Em termos de hardware, não se pode pedir muito mais (sim, o P20 Pro tem 6GB de RAM, assim como o Mate10 Pro, mas são equipamentos apontados para outro tipo de target).

Ler aqui pré-análise ao Huawei P20 Pro

A bateria do P20 tem 3400 mAh com recarregamento rápido através do carregador que vem no pacote, garante de 50% com apenas meia hora de tomada.

Dá para um dia? Dá!

Linhas esbeltas num corpo tonificado

É neste aspecto que o P20 mais se diferencia da até agora quase totalidade dos modelos Huawei.

O design foi totalmente renovado na parte traseira, onde encontramos a dupla câmara e o flash colocados verticalmente e à esquerda, solução muito colada ao iPhone X, mas que vai, com certeza, agradar a muitos consumidores.

A frente mantém o sensor multi-tarefa e de impressões digitais na base tal como no P10, enquanto surge o quase inevitável notch no topo. Já lhe regresso.

Na lateral os três botões tradicionais de volume e on/off (este com aquele toque especial na cor vermelha característica da gama P e que pisca o olho à parceria com a germânica Leica).

O corpo sugere quase ser um monolito negro, totalmente de vidro, mas cujo chassis é construido em alumínio assim como os cantos reforçados e que, pela minha experiência, aguentam muito bem uma queda da mesa de cabeceira ao chão.

Devido a ser tão polido, é muito escorregadio. E, como se vê pelas fotos, agarra tudo o que é poeira.

E se nos pode facilmente escapar da mão, a ligeira altura que as câmaras traseiras apresentam em relação ao corpo (algo que foi evitado no desenho dos anteriores Huawei de topo) vão provocar quedas devido à vibração (se escolhida) empurrar o telefone aos poucos numa viagem ao longo da mesa… até cair dela.

Acreditem em mim.

Ops…

Para terminar, destaque para a coluna mono na base ao lado da conexão USB-C. E sim, infelizmente, a ficha 3,5mm para os auscultadores não está presente.

Esta ausência é-me difícil de aceitar porque utilizo equipamentos que usam esta clássica ligação, desde um microfone de lapela Rode específico para smartphone, a auscultadores da minha preferência.

Mas, aqui fica um entretanto: apontaram-me, em tempos, que poderia tornear a questão do microfone.

Aviso desde já que, mesmo comprando um cabo que transforma o sinal TRRS em TRS, ideal por exemplo para adaptar o Rode a câmaras vídeo/foto, o adaptador incluso USB-C para minijack continua a travar o sinal. Uma verdadeira chatice!

Bom, vamos seguir em frente, pois esta é daquelas batalhas tipo acordo ortográfico: para que é que se vai tocar no que está bem feito?

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"
O reconhecimento de face é extraordinário

E o Notch, sim ou não?

A única coisa que tenho contra o Notch é chamarem-lhe “monocelha”. Por amor da santa! Vale a pena ler o artigo que escrevi sobre isso, aqui:

Vamos acabar com a polémica:

Monocelha não existe, tratem a coisa por NOTCH

Fora isso, e desde que se possa desligar ou, melhor ainda, desde que desapareça automaticamente quando não faz sentido, não me transtorna nem me entusiasma.

O Notch é daquelas coisas que demonstra que a tecnologia ainda não está refinada ao ponto de se poder esconder sensores e objectivas por debaixo de um ecrã.

Felizmente, a Huawei conseguiu apresentar um Notch muito menos intrusivo que a Apple e poucos meses depois em termos de produção real.

Quem diria, ganhar em casa do adversário?

Mas sim, ok, a Apple apresenta mais tecnologia neste espaço com mais “tralha” embutida que apenas a câmara, sensor de reconhecimento facial e coluna de som do Huawei.

Contudo, e visualmente, é todo um mundo de diferença.

Há que ter algum cuidado com algumas aplicações que não entenderam bem que aquele espaço é agora um buraco negro.

Para tornear um problema conhecido com o Instagram, em que um comando fica tapado, basta “ensinar” ao sistema que essa aplicação não quer usar o ecrã completo. E já está.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"
O Notch

Qualidade de imagem e som

Se bem que o ecrã reproduza cores vibrantes e coloridas, não tem o punch de um Amoled que, realmente, é sempre um mundo à parte com negros mais profundos e cores menos saturadas.

Mesmo assim, estamos perante um ecrã que se comporta bastante bem em todas as situações e com leitura fácil sob o sol.

Aconselho a fazer uso das aplicações próprias como escolher o “Tom natural”, ajustar a temperatura da cor e usar o filtro de luz azul que é, para mim, imprescindível.

Também existem alguns facilitadores com assistência inteligente, como a activação vocal, o reconhecimento do auricular através da conexão USB-C, o hiTouch , legendas, Amazon Assistant, tanta e tanta coisa.

Infelizmente, só temos uma coluna de som, colocada na base. Confesso que estava à espera do “truque” usado em outros modelos (P10 Plus, Mate 10 Pro, P20 Pro) que duplicam o som numa espécie de estereofonia, aquando vemos um vídeo em modo horizontal.

Ler análise Huawei Mate 10 Pro

É, para o tipo de utilização a que submeto um smartphone, um ponto menos bom, principalmente porque o preço a que é proposto poderia oferecer este tipo de benesse a quem está disposto ou pode gastá-lo.

Toques especiais

Mas, por outro lado, está disponível o PC Mode que nos permite, mediante um cabo comprado à parte e que não é barato, ligar o Smartphone directamente a um monitor ou a um computador para usar um ecrã de grandes dimensões.

Para reforçar este “mimo”, podemos gravar o ecrã, perfeito para quem é gamer, por exemplo, ou faça tutoriais, e a Huawei mantém a facilidade das acções através de toques com o nó do dedo no ecrã (print screen) ou abrir aplicações através de desenhos de letras.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"
Efeito dramático ao lusco fusco

A inteligência artificial

Já faz parte do ADN dos mais recentes Huawei e veio mesmo para ficar.

Todo o sistema está optimizado para ir aprendendo connosco as nossas manias, hábitos e manhas.

Isto garante melhoramentos em todos os aspectos com evidente destaque para a autonomia da bateria e para o menor desgaste de todo o equipamento em termos de longevidade e capacidade de processamento.

Claro que esta AI está, acima de tudo, patente nas câmaras e é para elas que “vamos” agora.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"
A câmara dupla e a sua protuberância

As câmaras Huawei / Leica

Ao contrário das três objectivas que estão presentes na traseira da versão PRO, o Huawei P20 apresenta a já tradicional dupla câmara traseira.

Ambas com tratamento Leica, a escolha recaiu numa unidade RGB com 12 MP com pixel de maior dimensão e abertura f/1.8, ladeada pela unidade monocromática com 20 MP a f/1.6. Excelentes valores!

A objectiva frontal tem uns impressionantes 20 MP para ficarmos mesmo muito bonitos e conseguir resultados fascinantes com desfocagem de fundo, por exemplo.

Existe um Zoom híbrido de 2x mas, confesso, é… híbrido o que significa que só é utilizável em caso de pura necessidade, pois em termos qualitativos, mais vale esquecê-lo.

É fácil gostar dos resultados fotográficos do P20.

Com a ajuda da inteligência artificial, basta apontar para uma quantidade de objectos ou temas, para todos (ou quase todos) os ajustes serem feitos de forma automática e adequada ao que estamos a capturar.

A coisa funciona e poupa uma carga de trabalho mas, e este é um grande mas, para os utilizadores que já sabem mais sobre as artimanhas do retrato, este novo mundo pode até ser dramático.

Alguns exemplos:

Explico: os verdes ficam, por vezes, demasiado abertos e claros, por exemplo. E existem aberrações laterais quando tentamos juntar pessoas numa fotografia de grupo. A que está mais à ponta vai ficar mais “alargada”.

Mas onde notei as maiores complicações foi no surgimento de alguns artefactos que não esperava encontrar devido a tal não acontecer com o Mate10 Pro, equipamento que me tem servido como equipamento diário no último ano.

Fui tentar perceber o que se passava e a explicação é mais ou menos simples: quando o P20 foca um rosto, entra automaticamente (AI) em modo retrato e os algoritmos tentam com toda a força separar o trigo do joio, ou seja, separar-nos (que somos o elemento principal) do fundo para criar um efeito de profundidade de campo.

Na verdade, quando funciona, porque às vezes os resultados são mesmo catitas, fico impressionado. Mas quando dá para o torto, percebe-se que esta AI ainda tem um grande caminho pela frente para ficar perfeita.

Mas atenção: também devido à ajuda artificial, obtém-se algo impensável que é conseguir uma fotografia nocturna com elevado tempo de exposição, vou dizer até quatro segundos, com resultados que só seriam possíveis com tripé. E, dizem, o P20 Pro ainda se comporta melhor nesta situação.

Portanto, uma mão lava a outra. E, sabemos bem, podemos desligar as ajudas e fotografar como um profissional, ou seja, em modo manual.

Um reparo final para a tal possibilidade de gravar vídeo em super câmara lenta: não se entusiasmem muito!

O resultado é fascinante, a 960 fps, mas a duração é mínima e temos de ter alguma sorte para captar o exacto momento em que queremos accionar tal operação.

Pode ser que tudo melhore numa geração ou duas de futuros P.

Análise Huawei P20: notch, design e uma sombra chamada "Pro"

 

Concluindo

O Huawei P20 é um smartphone com um design muito atraente, uma qualidade de construção que se nota de todos os ângulos e que, como tudo na vida, apresenta alguns pontos menos bons e outros acima da média.

Como lhes estou habituado, fazem-me falta três funções que passei a adorar no Mate10 Pro e que também marcam presença no P20 Pro:

  • a reprodução sonora em “estéreo” em modo horizontal
  • o sensor de infra-vermelhos para me controlar os equipamentos da casa
  • o display always-on

Bom, por mais 200 euros posso escolher o P20 Pro que tem a afamada e entusiasmante tripla objectiva e uma bateria de 4000mAh.

Mas estou a descrever o P20 que, acima de tudo, tem um comportamento global acima de satisfatório e que responde às exigências de qualquer consumidor mais ou menos criativo.

Termino com aquilo que mais me impressionou positivamente: o reconhecimento da face é, apenas e de longe, o melhor que já usei e envergonha sobremaneira o sistema usado pela Samsung nos seus S9. Quem diria, hein?

Finalmente, acho que o Huawei P20 tem um preço algo inflacionado. 699€ são “apenas” mais 70€ que os 629€ apresentados à saída do P10 no ano passado, mas psicologicamente parece bem mais caro porque vai tocar no limite psicológico dos 700€.

E, não nos podemos esquecer, sempre ali a tocar-nos no ombro, está o P20 Pro…

Existe ainda versão Lite que é mais democrática, mantendo muitas das qualidades da nova geração P.

Huawei P20, merece sem dúvida, o selo prata do VOICEBOX.

PVP: 699€

VoiceBox - selo prata

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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