A Huawei dá mais um passo para dominar o segmento ao lançar o Huawei Mate 20 Pro, um smartphone tão avançado que leva tempo a conseguir extrair tudo dele


Vou começar por dizer que a análise que tenho vindo a fazer ao Huawei Mate 20 Pro tem sido uma prova dura e bem mais complexa que a tradicional review ou mesmo a descrição dos muitos parágrafos de características técnicas que se encontram em todos os blogues, sites ou revistas dedicadas (ou não) a estas coisas.

Existe uma razão simples: é que ao mesmo tempo, na outra mão, tenho o Samsung Galaxy Note 9, para mim o melhor equipamento jamais produzido pela marca sul-coreana neste segmento.

Poderão pensar que tem sido uma experiência de sonho mas garanto-vos, desde já, que é um completo inferno, pois não é fácil escolher entre estes dois monstros de competência e sofisticação.

O que aprendi ao longo deste período, que confesso, tem sido fascinante, é que os dois equipamentos poderiam ser perfeitos se se juntassem num só. Porque neste caso não teria qualquer dificuldade ou hesitação na escolha.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

O que faz correr a Huawei?

A Huawei apresenta neste Mate 20 Pro o mais recente processador Kirin 980, o primeiro oito núcleos com aquitectura de 7nm, reforçado com dupla unidade NPU (processamento neural) que aumenta consideravelmente a velocidade de resposta em várias funcionalidades que fazem uso da inteligência artificial, cada vez mais presente no nosso dia a dia e que ajuda o utilizador do Mate 20 sem ele próprio dar por isso, ao adivinhar comportamentos, estabelecer padrões de utilização e promover a facilidade de interacção.

Tudo isto parece fácil no papel, mas garanto-vos que a competência técnica da marca chinesa superou tudo e todos (e todas) ao apresentar um processador que, nos testes comparativos, envergonha toda a concorrência.

Se aliarmos os 6 GB de RAM temos o mais rápido smartphone do momento na nossa mão, incluindo iPhones e todos os outros (isto, naturalmente, a fazer fé em todos os relatórios que se publicaram de forma oficial).

Mas convém escrever que este chip está ladeado por um processador de desempenho gráfico ARM Mali-G72 que reforça todo um desempenho conjunto e que tem dizimado tabelas comparativas.

Convém desde já assinalar que a Huawei instalou 128 GB de memória interna na versão básica, mais que suficiente para 90% dos utilizadores mas, pela primeira vez e dando um passo atrás nas mais recentes políticas, possibilita um incremento de memória através de um cartão (leram bem) de formato Nano Memory Card (NMC) e, com isso, difícil de encontrar no mercado, mas que nos oferece mais capacidade de armazenamento (256 GB) como nos “antigamentes”.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

A elegância da técnica

O design do Mate 20 Pro é, numa palavra, sensacional. Não só porque faz com que o super ecrã OLED de 6,39” pareça bem mais pequeno, como cai bem na mão, tem ângulos imaculados e uma qualidade de construção e acabamentos que continuam a mostrar porque será a Huawei a marca a bater daqui para a frente.

É neste campo, por exemplo, que ganha ao Note 9, pois é mais estreito que o colosso coreano e, com essa ligeira vantagem, bem mais fácil de agarrar e trabalhar.

A qualidade de ecrã é espantosa, com resolução 2K QHD+ e 3120 x 1440 pixels, que tem a particularidade de nos deixar optar pelo modo “Smart” que se vai adaptando automaticamente à medida das necessidades do dia a dia.

E fá-lo extremamente bem (lá está mais uma ajuda da AI) o que, no final do dia, também ajuda a manter uma boa percentagem de bateria. Mas já lá vamos.

O “notch” é bem maior que o instalado no P20 Pro, mas incorpora os sensores imprescindíveis para o destravamento facial por 3D, luminosidade e uma super câmara frontal. Podemos, por cortesia, optar por esconder o “notch” através de uma barra preta horizontal, mas perde-se um pouco de ecrã.

Referi no sub-título que este smartphone é elegante. E não só pelo design do todo, mas também por certos toques aqui e ali que demonstram a vontade de conquista de todo o tipo de possíveis proprietários.

Por exemplo, a unidade que me calhou para análise é a preta, a menos vistosa, mas quanto a mim, mais charmosa. Nunca se esqueçam da frase de Henry Ford.

A capa traseira, em vidro, tem um tratamento específico pensado para não deslizar tão facilmente da nossa mão. E funciona.

Através das opiniões dos colegas, a traseira mais apetecível, o famoso “twilight”, não tem essa protecção, o que pode ocasionar um grande dissabor. Já o modelo com traseira em azul, tem uma tecnologia antiderrapante mais conseguida, com uma textura única, o que lhe confere maior segurança durante o manuseamento.

De qualquer forma, aconselho sempre a que se utilize uma capa de protecção e, dessa forma, o factor “twilight”, mesmo se o silicone for transparente, perde bastante chama (de chamariz).

Confesso que andei com o meu Mate 20 Pro sem capa durante muito tempo porque, pura e simplesmente, o telefone cai mesmo bem na mão e, antes que me esqueça, esta traseira em preto não de seixa marcar tanto por dedadas e outras sujidades. Muito bem.

Outros toques que conferem mais charme ao Mate 20 Pro, é o acabamento em vermelho brilhante no botão on/off, solução que pisca o olho à Leica e que já se mostrou nas versões Pro dos P10 e P20. Tem um belo efeito.

Mas não ficamos por aqui: se o notch alberga também uma coluna de som, o que me dizem à solução encontrada em esconder a segunda coluna de som no interior da ficha USB-C? É bem verdade, e esta solução traz outra vantagem para além de uma certa estereofonia (mesmo que um tanto desequilibrada devido aos diferentes ângulos de projecção): o Huawei Mate 20 Pro, este colosso tecnológico, tem certificação IP68.

A técnica da elegância

Se o P20/P20Pro já tinha o melhor sensor facial dos tempos modernos, trabalhando mesmo com condições mínimas de luz, o novo sensor 3D presente no Mate 20 Pro é imaculável.

É tão bom que, com óculos ou sem óculos, desgrenhado ou ensonado, o Mate reconhece-me sempre que o olho. O Note 9 está ainda a milhas neste campo, mesmo sendo francamente melhor que os Galaxy 8.

Esta híper sensibilidade facial faz esquecer um dos trunfos do Mate 20 Pro: o sensor de impressões digitais colocado SOB o ecrã! Sim, sob a tela, ou seja, não há botão físico para premirmos. E esta é, a meu ver, uma das mais extraordinárias inovações de 2018 (falando, naturalmente, de marcas que tenham presença oficial e comercial no nosso país).

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

Os mimos

Confesso que uma das funções que me mais me tinha fascinado nos LG era o sensor de infra vermelhos que possibilitava registar um sem número de comandos espalhados pela casa.

Quando a Huawei percebeu que esse mimo poderia ser uma mais valia, equipou o Mate 10 Pro com a função, mas tal só foi mimetizada na versão mais cara do P20.

Esperava, logicamente, a sua inclusão no Mate 20 Pro e, confesso, é tão fácil memorizar os comandos das boxes, TVs, HiFis, AC e demais tralha que vamos acumulando pela casa.

Análise Mate 10 Pro

Outra grande, enorme, vantagem para a concorrência directa (e demais) é a extraordinária bateria. A Huawei conseguiu colocar uma unidade com 4200mAh neste corpo ultra delgado e, repito, mais estreito que smartphones com características ou pretensões semelhantes.

Comparei directamente com a também espectacular bateria que ocupa a traseira do Note 9, com 4000mAh, mas a verdade é que, seja porque a Samsung não a “puxe” a 100% para evitar desenlaces complicados, ou porque a assistência artificial da Huawei é mais, digamos, esperta, a diferença ao fim de um dia de utilização “dura” é demasiado grande.

O Mate 20 Pro consegue durar dois dias com uma carga, o Note 9 chega ao fim do primeiro dia já a tropeçar. E isto com o mesmo tipo de utilização, ou seja, à séria!

E por outro lado, na caixa do Mate 20 Pro vem um carregador Super Charge 2.0 de 40W que recarrega 70% do Mate em apenas meia hora o que é… formidável.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

O diferencial máximo

Se tudo isto não bastasse, e ainda nem falei sobre as câmaras, o Mate 20 Pro serve também como carregador, ou seja, basta termos um outro equipamento que permite carregamento por indução para pedirmos bateria ao Mate.

Fiz essa experiência ainda no aeroporto londrino que levou a “armada” portuguesa ao evento de lançamento ao fornecer cerca de 5% de bateria a um outro Mate 20 Pro que estava seco. O curioso? Foi muito rápido (15 W) e só gastei 3% da minha própria bateria o que, até perceber o porquê, só pode ser magia.

Esta função é notável e, mesmo que a maior parte dos smartphones não possam usufruir dela, será sempre engraçado “safar” os amigos com grandes Galaxys e iPhones de última geração através de um simples encosto de traseira contra traseira. Muito top!

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

As câmaras, as câmaras…

Ter três objectivas principais já não é uma novidade. A Samsung vai lançar um média gama bem apetrechado e a Nokia até tem um modelo com quatro câmaras traseiras.

A questão é só uma: muita parra e pouca uva ou, pelo contrário, a Huawei conseguiu melhorar o já fantástico P20Pro?

A marca atira-nos com uma resolução de 40 MP, o que nos faz salivar, mas confessem: o que faz mesmo falta a um smartphone em termos fotográficos e vídeo que melhorem consideravelmente as possibilidades criativas do utilizador?

É que, muito sinceramente, a guerra dos pixel já é “old story” no que concerne às câmaras fotográficas, após uma escalada de números que em nada melhorou a capacidade qualitativa.

Ter 40 MP mas uma abertura com pouca luz de pouco serve. Ao contrário também, muita luz e um sensor mínimo garantem resultados apenas honestos.

Mas eis que essa guerra, uma batalha sem quartel, existe no campo dos smartphones, mas desta feita, com sufixos que só a mais recente tecnologia permite.

A Samsung, Google, Apple, Sony e Huawei continuam nesta luta que é perfeita para nós, consumidores, que a cada ano que passa conseguimos melhorar os nossos fotomatons.

A Huawei renovou por completo o design da sua linha de topo, Mate, mas também fugiu ao que apresentou na gama P20.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

Agora temos um quadrado Mágico

Imaginem um smartphone, que, vá lá, ainda cabe na palma da mão, e que tem arrumadas num quadrado três objectivas e um flash mais sensores.

Este é o novo e badalado desenho na nova gama Mate e que deverá ser copiado à exaustão nos próximos tempos.

Mate 20 Pro:

1 objectiva com 40 MP e abertura f/1.8 com FusionMind (combinação dos valores de quatro pixeis num único pixel)

1 objectiva telefoto com 20 MP e abertura f/2.4

1 objectiva grande angular com 8 MP (que substitui o sensor monocromático)

Zoom óptico 5x + OIS

O que a Huawei garante com toda esta panache é aquilo que sempre faltou os smartphones: a capacidade de fotografar em modo macro REAL. Ou seja, com a objectiva bem próxima do objecto.

A marca garante que consegue oferecer o modo Ultra-Macro com distância mínima de 250 mm.

Contudo, na utilização real, ainda me faz falta conseguir um melhor resultado o mais próximo possível do assunto. É que entendo uma Macro como algo que consegue fotografar ou filmar o que o olho nu não consegue e com um telefone será sempre bastante complicado competir com objectivas criadas apenas para esse efeito. De qualquer forma, kudos à Huawei por nos permitir chegar mais perto do que queremos com uma qualidade que seria impossível há um par de anos.

Mas bom, mesmo bom, é a Grande Angular que abre realmente o ângulo do assunto para obtermos mais enquadramento e sem aberrações laterais, como acontece em muitos concorrentes nesta especificação (o Asus 5, por exemplo). Basta tocar num ícone para escolhermos uma das duas lentes principais, muito à semelhança do que a LG tem feito (e bem) nos últimos anos.

Talvez o mais apreciado será o Modo Noite que fez a sua estreia no P20. Este modo permite fotografarmos à noite, sem qualquer tipo de ajuda luminosa, um retrato com belo efeito dramático.

Análise P20

Melhor fica se conseguirmos usar alguma iluminação de rua ou montras, pois a sucessão de fotogramas captados durante quatro segundos é fascinante. Juntos compõem um retrato final que faz babar qualquer fotógrafo, mesmo profissional, pois estes resultados conseguidos através de um smartphone são absurdamente eficazes.

A estabilização óptica tem aqui um papel determinante, pois não é fácil, sem tripé, aguentar quatro segundos na mesma posição. E isso ainda torna tudo mais fascinante. Confesso que sou fã deste modo mas, atenção, cuidado na sua utilização.

Por exemplo, em salas iluminadas o resultado pode ser desastroso, com demasiados artefactos, muito ruído digital e um contraste elevado ao máximo. Convém usar o AUTO nestas situações que dá muito boa conta do recado.

O Zoom, durante o dia, é fantástico e ao nível do melhor que se pode exigir de um smartphone. Consegue-se mesmo algum detalhe quando o puxado ao máximo.

O novo Modo Super HDR combina 10 frames (RAW) numa só fotografia o que explica em muito os resultados fascinantes sem muita pós-edição, mesmo que coadjuvado com o motor de processamento Master AI 2.0. Afinal, é para isso que ele serve.

Contudo, este quadrado mágico cria alguns dissabores quando temos pressa em tirar um retrato. O seu posicionamento pode facilmente ser tapado com um dedo ou dois. Se bem que há um aviso para desobstruir a lente, o momento particular e irrepetível… já aconteceu.

Por último, e mesmo que os menus tenham sido simplificados, há demasiada informação para o fotógrafo menos apreciador dos modos técnicos. Podemos sempre tirar fotografias em modo automático, mas este smartphone pode fazer-nos brilhar. Porque ficar pelo básico quando temos na mão um extraordinário e completo sistema de captura de imagem, tanto em foto quanto em vídeo.

Por falar em vídeo, é escolher a velocidade de gravação, a qualidade da mesma, se queremos inclusive filmar em 4K. Existem quatro filtros para dar um ar mais clássico ou brilhante às filmagens, assim como gravação em H264 ou H265 (para o comum mortal, o H264 é mais aconselhável).

As imagens são soberbas, o sistema OIS funciona muito bem e só tenho pena que a marca tenha feito a marosca de desligar a possibilidade de gravar som com um microfone externo.

Esta é uma guerra antiga e, pelos vistos, perdida. Quero mesmo usar o meu Rode específico para smartphone. Já comprei um cabo SC3 TRRS para TRS. E já comprei um adaptador Mic (audio in/out) para USB-C que me custou algum dinheiro.

Resultado: nada! É neste campo que o Galaxy Note 9 dá cartas, principalmente porque a sua dupla câmara é também extraordinária.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

Câmara Frontal

Uma objectiva de 24 MP com modos Selfie ultra sofisticados e artificialmente elaborados, são mais que suficientes para ficarmos mais jovens, mais dinâmicos e super atraentes

Temos também o modo de Realidade Aumentada que promete mundos e fundos, como interagir com um boneco que recria os nossos movimentos e feições, mas que ainda está no início. De qualquer forma, dá para fazer umas brincadeiras e alegrar a malta que gosta de avatares.

Mas talvez o mais interessante seja conseguir brincar com a fotografia em pós-edição, mudando o ângulo de iluminação, a fonte de projecção e a manipulação do cenário que está atrás de nós. Por exemplo, ficarmos apenas focados sobre um fundo negro.

O limite, por enquanto, é a nossa imaginação e alguma capacidade técnica.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

Navegação por gestos

Gesture Navigation for Full view, perfeito para orientar, maximizar ou diminuir o tamanho do ecrã para diferentes tamanhos de mãos, mais e melhor privacidade, espaço privado, scanner 3D, duplo toque com o dedo no ID frontal no ecrā para efectuar uma compra, tradução automática de texto, contador automático de calorias através de imagens captadas, também através do scanner 3D associado à inteligência artificial, contabilidade com Miracast através do Huawei wireless dongle, a que chamam wireless projection, instant share 3.0 com velocidade até 61 Mbps e multi-sistema, uma função Single Touch para transferir fotografias para o computador.

Conseguiram ler tudo de enfiada?

Exemplo de Realidade Aumentada

Pois é o que temos disponível (salvo as tecnologias ainda não implementadas no nosso país) com o Huawei Mate 20 Pro.

Confesso que este tipo de navegação requer alguma habituação, mas depois já não queremos outra coisa. É tudo mais fácil, mais rápido e mais prático.

O Huawei Mate 20 Pro foi o primeiro smartphone a ser lançado com o novo Android 9 Pie (não se conta com os Pixel que não se vendem por cá) e acompanhou-o com o novo user interface EMUI 9.

A inteligência artificial é novamente chamada à acção, pois está cada vez mais embutida em todo o sistema, com as vantagens imediatas que resultam numa maior rapidez de processos e muito mais informação e personalização.

Análise Huawei Mate 20 Pro - Xá das 5

Concluindo

Muitos analistas dizem que este é o melhor smartphone do momento.

Mas custa mais de 1000 euros o que coloca a Huawei ao nível dos mais caros Samsung e Apple.

Era uma das maiores vantagens da marca chinesa, conseguir oferecer tanto ou quase igual por menos dinheiro.

Mas a realidade é esta: são 1.049,99€ por um smartphone que precisa de uma capa e de um vidro protector (como todos os demais) o que eleva um pouquinho a fasquia.

Mas, muito sinceramente, o processador, os avanços técnicos, o conjunto das câmaras e todo um pack elegantemente revestido a vidro não só não fica atrás dos concorrentes directos como os ultrapassa.

 

O Xá das 5 esteve presente no evento de lançamento a convite da marca

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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