A HP tem no seu novo Envy x360 um dois-em-um perfeito para a maior parte dos consumidores, leve e fino com um design que enche o olho


Fazer uma produção de um festival que inclui mostras de vídeo e passagem de filmes comerciais dá, como todos devem antever, muito trabalho.

Foi isso que me aconteceu durante todo o Novembro com a realização da segunda edição do Festival Mental.

O meu trabalho, entre outras coisas, foi fazer a pré-produção de todos os vídeos que incluíram a mostra de vídeo (curtas e médias metragens), inserir a legendagem em português, traçar, produzir, criar os quadros, editar e finalizar cada um dos dias do festival, para além de precisar de um computador potente para debitar informação com o mínimo de qualidade para projecção num ecrã de auditório.

Vamos a certezas: por muitas horas que eu tenha passado a produzir e editar os vídeos, tudo é depois filtrado e reproduzido através do computador e sistema que cada régie tem. E, infelizmente, a maior parte dos auditórios portugueses não estão bem equipados. Muito pelo contrário. Portanto, leva-se o que é nosso.

Análise HP Envy x360 - Xádas5

O único portátil que tenho é o meu Macbook Pro com 11 anos. Tem dado para o gasto mas, infelizmente, sofreu uma trombose e foi internado nos cuidados intensivos. Saiu com alguma saúde mas não aquela necessária para conseguir ser o centro de um festival durante bastantes dias e muitas horas.

Poderão perguntar “mas para um festival com esta importância social não podes apenas telefonar e pedir apoio a uma qualquer marca?” Poder, posso, mas cada vez menos marcas têm poder de decisão nesta matéria. Quem manda está em Madrid ou em Barcelona, Londres, Calcutá ou Beijing. O centro de decisão português, por muito que queira e deseje, não pode actuar.

O mais interessante é que, ao mesmo tempo, tinha na “redacção” do Xá das 5 três modernas e potentes máquinas: o Samsung Tab 4, o Microsoft Surface Go (podem ler a análise aqui) e o HP Envy x360 versão 2018.

E, por sorte ou destino, a marca só mo pediu para devolver exactamente no final do festival. Portanto, podem desde já perceber como e porquê fiz esta análise.

Fora do campo

O HP Envy x360 é uma peça de tecnologia muito bonita e elegante, francamente bem construída e, acima de tudo, extraordinariamente fina e leve.

Nota-se que está apontada para o consumidor que deseja uma máquina que preencha todos e quaisquer requisitos, como servir para trabalhar, ver filmes ou levar em viagem.

É um tudo-em-um que se dobra como um tablet ou se recria numa tenda em formato tenda para podermos ver filmes na pequenita mesa do avião.

Como máquina há que apontar desde já que o seu coração não pertence à Intel mas sim à sua rival AMD.

Relembro os meus computadores na década de noventa, todos AMD, que eram bem mais rápidos que os Intel paralelos. Essa rapidez também era nefasta, pois queimavam devido a tanto esforço (trabalhava em publicidade e design), mas o diferencial de preço para os Intel semelhantes compensava comprar processadores novos.

A AMD quase desapareceu ao virar do milénio mas, finalmente, ei-la de volta com pujança para piscar novamente o olho a quem não gosta de monopólios.

O Coração

Este ENVY de 2018 apresenta-se vestido com um processador AMD Ryzen 7 2700U (um quad core que corre a 2.2GHz até 3.8GHz), tem uma gráfica AMD Radeon RX Vega 10, 8 GB de RAM DDR4 e, na versão analisada, um disco de 256 GB SSD.

A máquina é verdadeiramente rápida, o arranque quase instantâneo, a qualidade de som interessante para as colunas tratadas pela Bang & Olufsen, mas que dependem sempre do posicionamento em que colocamos o ecrã.

Mas vamos ao que, para trabalho, é tão importante quanto a velocidade: as ligações!

Ora neste HP, que relembro é mesmo muito fino e leve, temos direito a 1 x USB C 3.1, 2 x USB 3.1, um mini jack 3,5mm (combo mic e phones) e, curiosamente, um leitor de cartões microSD.

Falta, portanto, mais qualquer coisa para o sector profissional e foi por isso que decidi, porque seria este o computador de trabalho para o festival, investir num adaptador USB-C para HDMI, indispensável para passar sinal AV para qualquer outro ecrã, seja um TV ou um projector gigante. (A versão de 15″ tem HDMI e um leitor de impressões digitias).

Os acessórios e o peso

No pack, curiosamente, para além do AC, surge um cabo USB-C para USB-A e uma caneta Stylus que promove os desenhos e o trabalho manual e que é um complemento muito bem vindo já que incluso no pacote inicial.

Mas o que é mais importante em tudo isto é que o HP Envy x360 pesa apenas 1,30 Kg o que é fantástico para as medidas 359 x 245 x 18,8 mm. É obra!

Contamos ainda com uma câmara frontal com qualidade 720p e um par de microfones com poder de captação de alguns metros de distância.

Análise HP Envy x360 - Xádas5
A sujidade acumulada de um mês intenso de trabalho não se nota tanto quanto em outros computadores com acabamento mais acetinado

Dentro do campo

Todo este conjunto de características deu-me algum conforto para saber que poderia reproduzir ficheiros de 4 ou 5 GB sem qualquer problema. Tinha processador, RAM e gráfica mais que suficientes para poder passar filmes e quejandos.

A única questão era o adaptador USB-C para HDMI que nunca é a solução ideal. E, como já avancei lá em cima, nem tudo tem a ver connosco por muito que nos preparemos.

Houve, no decorrer do festival, um “glitch” digital que perturbou a reprodução de parte de um ficheiro.

Nada que uma pausa e um play não ultrapassasse, mas que me chateou deveras, encheu de dúvidas e de bastante stress ao ponto de ir para casa para rever tudo mais uma vez.

A conclusão? Do Envy não era, portanto, só poderia ser do equipamento da sala. Mas como ultrapassar este problema que poderia repetir-se?

Bom, perdido por 100, perdido por 1000 e, através do Envy, onde já tinha instalado toda a suíte 16 do Cyberlink PowerDirector, passei a noite a reeditar todos os vídeos transformando-os em ficheiros mais pequenos para poder reproduzi-los através de uma playlist.

Contudo, quero aqui apontar com clareza algumas limitações no que concerne à edição mais profissional.

O que fiz foram cortes e ajustes como faders. Algo mais puxado, como avançar frames, demonstrou que o Envy não está pensado para este tipo de funcionamento, embora possibilitando-o quanto baste.

Curiosamente ou não, o Envy x360 não gosta do VLC e fui obrigado a utilizar um “velho amigo”, o Classic com os mais recentes codecs. E fiz bem.

Depois do trabalho, o lazer

Todo este mês de trabalho árduo e produção desenfreada mostrou-me que o novo Envy x360 não é só uma cara bonita. É, acima de tudo, um computador que se aguenta “na estrada”, que nos transmite segurança e, acima de tudo, que comprova o bom trabalho da marca em aliar uma máquina valente a um design imaculado num corpo de alumínio muito bem desenhado.

O menos bom

Esta foi a segunda versão do Envy x360 que a HP me enviou. A primeira tinha um defeito de sobreaquecimento, prontamente admitido pela marca, mas que me fez estar mais atento a esta unidade mais optimizada.

Não sei se foi pelo alarme inicial, mas levei muito mais em consideração a temperatura envolvente aos processos neste HP.

Infelizmente, e por vezes, continua a aquecer em demasia e, quando o “provocamos”, solta as ventoinhas a toda a velocidade, algo que se faz ouvir.

Não é o fim do mundo, pois um corpo tão delgado quanto este tende sempre a aquecer mais que um modelo maior e mais pesado que, afinal, tem mais espaço e arquitectura para dissipar o calor.

Outro ponto menos bom é a impossibilidade de poder recarregar este ENVY através do USB-C, o que nos obriga a transportar o transformador e os cabos o que vai aumentar o peso e volume do conjunto para uma viagem.

Análise HP Envy x360 - Xádas5

Concluindo

Com Windows 10 e todas as ferramentas associadas, o Envy é um bom computador para lazer. Contudo, o ecrã de 13,3” Full HD IPS não é dos melhores para ver filmes, pois não tem tanto brilho e vivacidade como o desejável para ter aquele “punch” de luz e cor. Mas, por outro lado, é perfeito para se trabalhar sem incomodar o vizinho…

Este ecrã é táctil com as vantagens que o processo permite.

O teclado é bastante bom, com um cursor curto que ainda é bastante físico, assim como um bom espaçamento entre as teclas.

A bateria poderia ter mais “stamina” mas, por outro lado, recarrega muito depressa.

Em resumo, o HP Envy x360 versão 2018 é uma máquina muito bonita e bem construída, leve e que permite bons resultados tanto em lazer quando profissionalmente.

Não é um salão de jogos nem um estúdio de edição, mas fez o que dele precisei em momentos mais complicados e que exigiram destreza, capacidade e força.

No final de uma árdua operação, fiquei rendido a este belo pacote e o preço faz dele uma opção a considerar no meio de tanta concorrência.

 

PVP: 1100€

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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