Quanto mais alto se reproduz, mais alto queremos ouvir. E a YoYo (S) tem muita pujança! Cuidado com os vizinhos.


O que se procura numa coluna de som portátil com algum dinheiro para gastar? Que tenha um som extraordinário. Que a bateria seja eficaz e aguente bastantes horas. Que a construção seja robusta mas leve. Que possibilite a ligação de todos os equipamentos que andam comigo ou que tenho lá por casa. Acima de tudo, uma coluna portátil tem de substituir a aparelhagem que não tenho no hotel ou casa de férias, o som que o pátio da minha amiga não fornece ou, e porque não, uma festa ao entardecer numa magnífica praia portuguesa sem ser em Agosto.

Esta Cambridge YoYo (S) responde muito positivamente a quase tudo isto. Chocados com o “quase”? Eu não estou, pois o que está menos bem vai poder ser melhorado pela marca num futuro modelo e isso é, quanto a mim, uma excelente notícia.

Vamos por partes e começar já com o que pode ser melhorado: o peso! Esta YoYo (S) é pequena (o S é de Small) mas não muito leve. Para uma utilização pessoal, até prefiro que seja assim, pois tenho gatos em casa que não correspondem aquela imagem que o mundo tem dos gatos em que eles nunca tocam em nada. Tocam, sim senhor, e mandam abaixo. Portanto, ter uma coluna numa prateleira mais alta que consiga suportar este tipo de empurrão ou outro semelhante, é ter algo sólido com uma boa base. Mas, e aqui é que está o problema, é uma coluna portátil e que se compra para se levar para todo o lado. E esta YoYo (S) pesa 1,2 Kg. Leram bem, 1,2 quilogramas! Levá-la para a praia dentro do saco dos comes e bebes, brinquedos, protectores, utensílios e toalhas, vai dificultar a jorna pela areia quente em busca de espaço para a trupe.

voicebox.pt - análise cambridge audio yoyo s

Uma das características que me encanta é o útil sistema de controlos manuais no topo do corpo. Protegidos por um acabamento emborrachado, podemos pressionar com o dedo os botões (da esquerda para a direita) que acessam à chamada telefónica (há microfone embutido), emparelhamento bluetooth (Aptx), entrada de linha, volume +/- e On/off. Sensivelmente a meio existe um espaço para cinco leds luminosos que nos mostram o nível de som. Por baixo temos o sinal NFC para ligação por toque ou pequena distância a um qualquer equipamento que o tenha.

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Mas há mais: na base estão escondidas (e protegidas) as ligações para o AC, uma entrada 3,5mm (aux) e ainda uma curiosa ligação USB com um pequeno botão ao lado. Esta entrada não é amiga de pens tradicionais, devido à pouca distância entre a saliência e a mesa ou prateleira onde vamos colocar a YoYo (S), mas, mesmo assim, tentei ligar uma pen com música para ver se sacava som directo carregando no tal botão: não consegui. Portanto, esta entrada USB serve apenas para carregar equipamentos, o que já não é mau. O pormenor da rosca é fantástico e permite montar esta Cambridge num tripé.

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Ora esta YoYo (S) tem um amplificador interno, dois tweeters frontais mais um woofer e, na traseira, um radiador passivo de excelente construção e que apoia toda a sonoridade mais densa e complexa. O corpo está protegido por um tecido anti alérgico, que também evita poeiras e que até consegue repelir água. Confesso que não experimentei, mas compreendo que sejam salpicos à beira de uma piscina quando alguém faz um escarcéu.

Com uma bateria que aguenta de seguida 14 horas de festa, há que perceber que tanto podemos usar a YoYo (S) no escritório, como no quarto, varanda ou quintal. O som é potente, focado, muito pujante. Tem aquele “power” que falta a muitas das colunas do género que prometem mundos e fundos e depois soam a plástico (o que até pode ser bom para determinado tipo de música popular).

Não fui meigo com a YoYo (S) e escolhi ambientes e texturas musicais de elevadíssima complexidade. Queria, acima de tudo, perceber o equilíbrio entre os espaços e os silêncios e como aconteceria o ataque do baixo e bateria sem se fazer anunciar, algo que é bastante complicado para os sistemas digitais.

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Após as “Spotify Sessions” que fazem brilhar a estridente voz de Sia numa pop agradável mas mecanizada, escolhi “Stare” de Nils Frahm na companhia de Ólafur Arnalds. A YoYo (S) sofreu um pouco, como adivinhei, mas conseguiu transmitir as delicadas nuances e passagens electrónicas envolvidas em espaços com solos de total e perfeita harmonia distorcida.

É difícil pedir a uma coluna que reproduza um instrumento em distorção, mesmo que fazendo parte de uma HiFi de bons elementos, e a Cambridge safou-se bem, mesmo que se perdendo logo ao inicio da textura, para depois conseguir transmitir o objectivo.

Já “Tangos”, da Orquestra Tipica Sakamoto, fez brilhar esta pequena coluna, com agudos bem definidos e os sons das concertinas com os ataques e respirações muito “naturais”. Foram momentos muito agradáveis.

E atenção, quanto mais alto se reproduz, mais alto queremos ouvir. Esta menina tem pujança! Cuidado com os vizinhos.

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Deixei para último um toque que vai encantar muito possível cliente e que, por si só, pode provocar a compra imediata: o controlo por gestos! Leram bem, podemos controlar parte dos comandos com o passar da nossa mão por cima do topo da YoYo (S).

Ora o manual exclama que basta passar com a mão da esquerda para a direita por cima do painel para acendermos todas as luzes dos comandos e fazer com que a música arrancasse. E depois, mais uma vez na mesma direcção para saltar para o seguinte tema. O movimento da direita para a esquerda serve para parar a música.

Pois não sei se é de mim ou se, e pode acontecer, seja defeito desta unidade que serve para análise jornalística. É que comigo só de vez em quando funcionou o “acordar” das luzes dos comandos. Nunca consegui fazer saltar uma música e muito menos pará-la.

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Pior, a coisa ficava tão embrulhada que o nível de som alterava-se segundos depois e nunca entendi porquê. Decidi, para meu bem e bem da YoYo (S) não usar este expediente. E ficámos amigos para sempre.

Esta enorme amizade foi depois reforçada com mais um ponto que faz realçar a qualidade desta coluna: foi a primeira que nunca perdeu o sinal bluetooth por toda a minha casa (que tem dois andares e todas as paredes que isso implica). Fiquei estupefacto!

Tudo isto paga-se, naturalmente, e a Cambridge YoYo (S) custa qualquer coisa como 180 Euros. Não é o fim do mundo, mas está ao nível de preço de alguns pesos pesados da Bose e Sony.

VoiceBox - selo prata
VoiceBox – selo prata

 

João Gata

Começou em vídeo e cinema, singrou em jornalismo, fez da publicidade a maior parte da vida, ainda editou discos e o primeiro dos livros e, porque o bicho fica sempre, juntou todas estas experiências num blogue.

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